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    Loki: Crítica completa da 1ª temporada da série do Disney+
    Por Bruno Botelho dos Santos — 14 de jul. de 2021 às 16:53

    Loki, estrelada por Tom Hiddleston, abraça a ficção científica para falar sobre identidade e expandir o Universo Cinematográfico Marvel.

    NOTA: 4,0/5,0

    Loki, interpretado por Tom Hiddlestoné considerado um dos melhores vilões no Universo Cinematográfico Marvel e ganhou um arco de redenção ao longo dos anos, até sua morte marcante nas mãos do Thanos (Josh Brolin) em Vingadores: Guerra Infinita (2018). Apesar disso, a série Loki do Disney+ mostra o personagem de volta em uma nova linha do tempo depois que ele consegue roubar o Tesseract no ano 2012 em Vingadores: Ultimato (2019) por causa da viagem no tempo feita pelos Vingadores para conseguir as Joias do Infinito antes do Thanos.

    Por causa disso, ele acaba sendo preso pela Autoridade de Variância de Tempo (AVT), que é uma organização responsável por manter a linha do tempo em ordem no universo, para evitar uma catástrofe que posso colocar em risco todo o universo. Todos esses elementos de viagens no tempo e múltiplas realidades acompanhados pela AVT faz com que Loki seja uma verdadeira homenagem para a ficção científica e a cultura pop, especialmente os quadrinhos da Marvel.

    Loki é uma viagem pela ficção científica que fala sobre identidade e pertencimento

    Desde o começo, fica clara a inspiração do roteirista Michael Waldron e da diretora Kate Herron nas diversas obras clássicas da ficção científica, tanto visualmente quanto narrativamente, como é o caso de Doctor WhoBlade Runner, o Caçador de Andróides e De Volta para o Futuro. Então, o roteiro brinca constantemente com essa criação de mundo e as referências da cultura pop por causa das diversas realidades e outras versões dos personagens.

    Tom Hiddleston é reconhecidamente um dos grandes atores do Universo Cinematográfico Marvel e, naturalmente, acaba sendo o grande destaque de Loki. A mudança brusca na personalidade dele causa um estranhamento inicial, pois esse é o Deus da Trapaça vilão que acompanhamos em Os Vingadores (2012), e vemos um desenvolvimento rápido dele como uma espécie de anti-herói depois de descobrir o que aconteceria com ele no futuro, ainda que não deixe de lado características importantes suas como arrogância, inteligência e trapaça. Seja como for, Hiddleston convence por causa de sua atuação e carisma.

    Dois dos temas mais importantes da produção são identidade e pertencimento, explorados profundamente com a introdução de muitas variantes de Loki, especialmente Sylvie Lushton (Sophia Di Martino). A relação entre os personagens vai crescendo gradativamente, ao meso tempo que eles vão aprendendo mais sobre si mesmos e o que os torna únicos. Aqui, cabe até mesmo a revelação oficial de Loki como bissexual no Universo Cinematográfico Marvel, além dele ter sido estabelecido recentemente como fluido de gênero, como nos quadrinhos. São informações que acrescentam mais camadas ao personagem, enquanto mergulhamos em sua própria "Jornada do Herói" – ou sua própria caminhada de descobrimento pessoal.  

    Um dos problemas que a produção sofre é a inconstância de ritmo durante seus seis episódios. A diretora Kate Herron estabelece um clima mais íntimo em muitos momentos, focando na relação e diálogos entre os personagens. Isso acaba sendo positivo em partes, como na relação entre Loki e Sylvie, mas acaba conferindo um ar monótono e arrastado em várias cenas, sem grandes acontecimentos – que foram deixados mais para a parte final dos capítulos, como gancho para as sequências. 

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    O fascismo da AVT e a falsa sensação humana de "livre arbítrio"

    Como dito anteriormente, a Autoridade de Variância de Tempo aparece como uma organização que controla a chamada Linha do Tempo Sagrada, mas desde o início fica evidente que suas intenções podem não ser tão nobres quanto parecem. Assim, por trás de toda sua nostalgia pela ficção científica, Loki traça comentários sociopolíticos importantes com a relação da AVT com o fascismo.

    Quem controla o passado, controla o futuro

    A frase do autor George Orwell em seu livro 1984, que se passa em um futuro distópico ambientado em um estado totalitário, pode ser completamente relacionada com a Autoridade de Variância de Tempo. A organização de Loki atua como um sistema fascista – inclusive, o termo é empregado por Sylvie, que tem como missão de vida destruir o lugar –, com aparatos burocráticos e, principalmente, com o apagamento da memória de seus funcionários para que eles trabalhem sem questionar, pois nem mesmo se recordam suas vidas passadas antes de serem mantidos pelo sistema. Uma forte inspiração para essa criação de universo distópico é a ficção científica Brazil, o Filme, dirigida por Terry Gilliam

    Todos os regimes totalitários justificam suas atitudes como sendo necessárias para um "bem maior", aqui para a manutenção da Linha do Tempo Sagrada, não importando as atitudes empregadas para que isso seja mantido. Então, tudo que pertube esse "status quo" regulamentado, deve ser punido e eliminado, com o apagamento total das pessoas e suas histórias. Nem mesmo o principal nome da organização, a juíza Ravonna Renslayer (Gugu Mbatha-Raw), entende ao certo qual é o seu papel e evidenciando o controle sistemático sofrido pelos seus próprios membros.

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    A presença das variantes são importantes para a discusão de livre arbítrio, pois seus funcionários acreditam que são livres para fazer suas próprias escolhas, quando na verdade são apenas marionetes controladas e não podem estabelecer seus próprios destinos. São temáticas importantes e ainda mais relevantes para a atualidade, onde acompanhamos nos últimos anos a ascensão de muitos governantes autoritários.

    Loki é uma preparação para o futuro da Marvel (para o bem ou para o mal)

    As séries da Marvel criadas para o serviço de streaming Disney+ são parte essencial do Universo Cinematográfico Marvel, o que ficou claro em WandaVision, que deu início na Fase 4, e Falcão e o Soldado Invernal. Mesmo com a apresentação de tramas fechadas importantes para o desenvolvimento de seus personagem, é notável o caráter mais episódico dessas produções, semelhante ao formato que vemos nos quadrinhos da Marvel com as graphic novels – o que acaba sendo um divisor de águas, muitas vezes.

    Loki utiliza muito ao seu favor a expectativa criada pelos fãs da Marvel, como vimos com WandaVision, sempre provocando e aquecendo para os acontecimentos futuros do Universo Cinematográfico Marvel, o que pode ser incômodo, especialmente, para os espectadores mais casuais. Apesar disso, Loki cumpre a risca o seu propósito de expansão do universo, se tornando a série mais importante da Marvel (até o momento) com revelações fundamentais e ousadas, como é o caso do Multiverso, que terão um impacto profundo em breve e vão ser exploradas em Homem-Aranha: Sem Volta para CasaDoutor Estranho no Multiverso da Loucura e Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania com a apresentação de um novo vilão imponente para substituir Thanos

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    Todos os episódios da primeira temporada de Loki estão disponível no Disney+ e a produção foi renovada para uma segunda temporada.

    Loki
    Loki
    Data de lançamento 9 de junho de 2021 | 50min
    Séries : Loki
    Com Tom Hiddleston, Owen Wilson, Gugu Mbatha-Raw, Wunmi Mosaku, Sophia Di Martino
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