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    Mostra de São Paulo 2017: Olga Baillif explora as dificuldades da vida de artista no drama Ao Redor de Luísa (Exclusivo)
    Por Bruno Carmelo, com a colaboração de Renato Furtado — 30 de out. de 2017 às 10:00
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    Uma cantora se confronta ao fim da banda, do próprio namoro e à possível morte do pai.

    A cantora folk Luisa (Pieta Brown) está em crise: incerta sobre os futuros da banda e em vias de romper com o namorado, também músico, ela recebe a visita inesperada do pai, dizendo estar gravemente doente.

    Este é o ponto de partida de Ao Redor de Luisa, drama minimalista que força a personagem a enxergar sua vida por uma nova perspectiva, e expressar suas dores através das canções. A diretora Olga Baillif está no Brasil para a exibição do filme na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

    Aproveitamos para conversar com ela sobre o projeto:

    O retorno do pai doente poderia ser o tema de um melodrama, mas você evita o sentimentalismo.

    Olga Baillif: Penso que isso é algo mais próximo da minha sensibilidade. Era evidente que para contar uma história como essa de perdas, de separação, de deixar as coisas para trás, precisaria ser contida, precisaria trazer aspectos psicológicos mais profundos do que expressá-los em um melodrama. Mas acho que, antes de mais nada, é uma questão de gosto pessoal, de visão de mundo.

    Você utiliza várias canções inteiras no filme. Que papel narrativo elas tinham para você?

    Olga Baillif: Não quis que a música explicasse o filme ou a história de modo algum, mas claro que queria que a canção expressasse a progressão da narrativa através das interpretações. Então, dei instruções muito precisas, tanto para os músicos quanto para Pieta Brown, que escreveu as letras, e para Bertrand Belin, que compôs as músicas.

    Para cada peça, disse exatamente do que precisava, seja em relação à música ou à letra, em termos de ambientação musical. Então, sim, a trilha sonora é um reflexo do que acontece com os personagens.

    O título chegou a ser modificado, mas no final, você voltou a Ao Redor de Luisa.

    Olga Baillif: Durante a montagem, outro título surgiu. Tentei colocá-lo no filme, ver como ficava na tela, mas não deu certo, o filme resistiu. É difícil explicar, é uma questão de feeling, mas o outro título não funcionou. Duas pessoas muito próximas do projeto me disseram que Ao Redor de Luisa era o título certo. Finalmente, o título se impôs ao filme.

    A vida de artista é mostrada sem idealização. A banda é retratada como um grupo de trabalhadores.

    Olga Baillif: Isso era muito importante para mim. Sempre imaginei que esse grupo tinha uma certa notoriedade dentro do universo da música independente, onde há uma noção de artesanato que é muito importante. A vida dos artistas e dos músicos, é assim, há muito trabalho. São muitas horas de ensaio, muitas horas na estrada.

    Fazer uma turnê é algo exaustivo porque é preciso trabalhar o dia inteiro. É preciso subir o palco, se preparar, e depois ainda há o show em si. Então sim, tinha a vontade de mostrar esse contraste entre a potência e a beleza do momento da performance, que toca o público, que nos emociona e que faz parte do espetáculo, e o que há por trás, que é o trabalho.

    Como foi o processo de produção para um filme deste porte?

    Olga Baillif: Ao Redor de Luisa foi feito em coprodução com a Suíça e com a Bélgica. Na Europa, nós começamos a solicitar financiamento desde a escrita do roteiro, desde a pré-produção e da fase de desenvolvimento. Neste caso, o que demorou foi o longo processo de elaboração do roteiro. Quando ele estava pronto, nós conseguimos o financiamento rapidamente, em poucos meses. Nós obtivemos todos os recursos públicos possíveis na Suíça e a outra parte do dinheiro na Bélgica. Então, no fim das contas, foi fácil.

    Depois dos festivais, Ao Redor de Luisa mira o lançamento apenas no circuito comercial ou também em plataformas digitais?

    Olga Baillif: No momento, o que está definido é o lançamento nas salas após os festivais, mas é possível que nós lancemos online. Outro filme nosso foi lançado na plataforma MUBI, por exemplo. Lançar filmes no streaming tem se tornado uma boa possibilidade para nós.

    Mas hoje é mais complicado. Anteriormente, nós conseguíamos auxílio público, de fundos europeus, para lançar os filmes nas salas dos países coprodutores. Mas na Suíça não é mais assim. Na Bélgica talvez seja mais fácil porque o país faz parte da União Europeia.



    Leia todas as nossas críticas de filmes da 41ª Mostra:

    1945
    A Cordilheira
    A Fera na Selva
    A Jew Must Die
    A Noite em que Nadei
    A Noiva do Deserto
    A Oeste do Rio Jordão
    A Telenovela Errante
    Abrigo
    Açúcar
    Ana, Meu Amor
    António Um Dois Três
    Ao Redor de Luisa
    Aos Teus Olhos
    Arábia
    As Boas Intenções
    As Boas Maneiras
    Assim é a Vida
    Beijos de Borboleta
    Bikini Moon
    Blue My Mind
    Café Com Canela
    Callado
    Caminhando Com o Vento
    Construindo Pontes
    Cuatreros
    Custódia
    Daphne
    Desaparecimento
    El Pampero
    Em Que Tempo Vivemos? 
    Esplendor
    Félicité
    Gabriel e a Montanha
    Happy End
    Homem Livre
    Human Flow: Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir
    Jericó, o Infinito Voo dos Dias
    Legalize Já!
    Loveless
    Makala
    Música para Quando as Luzes se Apagam
    Não Devore Meu Coração
    Niñato
    Noites Brilhantes
    O Beijo no Asfalto
    O Desafio
    O Dia Depois
    O Forte dos Loucos
    O Jovem Karl Marx
    O Matador
    O Motorista de Táxi
    O Nome da Morte
    O Outro Lado da Esperança
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