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    Friends é cringe? AdoroCinema avalia essa e outras produções que dividem opiniões
    Por Lucas Leone — 25 de jun. de 2021 às 19:30

    Nova polêmica nas redes sociais, a rixa entre gerações vem colocando em xeque filmes e séries de sucesso.

    Na última semana, nosso país internet parece ter encontrado um concorrente à altura da cultura de cancelamento: o fenômeno cringe. A palavra vem do inglês e pode significar "vergonha alheia", "brega" ou mesmo o famoso "micão". Mas, no contexto das redes sociais, ela representa o embate entre a geração Y (também conhecida como millennial) e a geração Z. A primeira engloba os nascidos entre 1980 e 1995, enquanto a segunda reúne os nascidos entre 1996 e 2010.

    Tudo começou no TikTok, quando membros da geração Z lançaram uma série de vídeos criticando alguns costumes dos millennials, como vestir calça skinny ou repartir o cabelo para o lado. Em seguida, a onda virou uma trend no Twitter e logo chegou ao Instagram. Os memes não deixaram barato para nada nem ninguém – desde o fato de tomar café da manhã (ou simplesmente café) até usar sapatilha de bico redondo, sem esquecer do litrão, dos boletos e dos emojis de risada.

    Como a zoeira never ends, o AdoroCinema decidiu entrar nessa guerra geracional e pediu a sua equipe que avaliasse algumas produções consideradas cringe. Confira a seguir.

    FRIENDS

    Cringe: "Tudo bem, Friends é super nostálgica e tem uma atmosfera agradável que combina com a maioria dos dias. Mas isso não a torna menos antiquada. O formato sitcom é tão ultrapassado que virou sinônimo de viagem no tempo em WandaVision. Ah, o seriado retrata a rotina adulta de maneira bem humorada. Mas os personagens precisavam ser tão abobados? Até o elenco de Chiquititas demonstra maior maturidade. A única que passa no teste cringe é a Phoebe. Fora isso, tô fora!"

    – Kalel Adolfo, geração Z

    Defesa: "É inegável que muitas coisas em Friends acabaram não passando bem no 'teste do tempo' e até mesmo o formato de sitcom ficou cringe. Mas não podemos esquecer de que se trata de uma produção dos anos 90 e o mundo mudou bastante (ainda bem). Principalmente, devemos ressaltar a importância dela para a história da TV – considerada uma das melhores séries de todos os tempos.

    "Dito isso, Friends ainda sobrevive bem por causa da dinâmica e relação entre os personagens poucas vezes vistas em qualquer produção: Jennifer Aniston (Rachel Green), Courteney Cox (Monica Geller), Lisa Kudrow (Phoebe Buffay), Matt LeBlanc (Joey Tribbiani), Matthew Perry (Chandler Bing) e David Schwimmer (Ross Geller) são muito diferentes entre si, mas, quando estão juntos, são inesquecíveis, rendendo muitos momentos hilários. Até hoje muitas séries tentam replicar a fórmula de Friends, mas nenhuma consegue colocar uma química tão perfeita em seus personagens e vivências cotidianas quanto ela."

    – Bruno Botelho, geração Z

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    (500) DIAS COM ELA

    Cringe: "Hoje, mais de 10 anos depois do lançamento de (500) Dias com Ela, é difícil acreditar que a gente tenha achado esse relacionamento romântico de alguma forma. Por um lado, temos um homem que simplesmente não soube se comunicar e colocou toda a culpa das frustrações (com a própria vida) na mulher – e, na época, isso foi menos questionado do que deveria. Por outro lado, as características da protagonista (vivida por Zooey Deschanel) também já não fazem sentido algum, e ela se comporta só como o mais do que batido estereótipo da mulher que é “diferente das outras”, mas dentro de todos os padrões. Casal cringe!"

    – Aline Pereira, geração Y ou millennial

    Defesa: "Depois de uma década, é possível dizer que (500) Dias com Ela se tornou cringe em alguns aspectos? Sim, não dá para negar. Mas o filme ainda tem seus atributos. O romance trouxe várias ideias interessantes sobre relacionamentos românticos e romantização do outro. Apresentou para o público uma relação realista de um jeito pouco visto em comédias românticas e mostrou que é preciso muito mais do que coisas em comum e situações fofinhas para um relacionamento funcionar. Além disso, o filme também se esforçou para desconstruir o arquétipo da manic pixie dream girl, mostrando como ela é nada mais que uma fantasia irrealista de Tom. E o maior atributo de (500) Dias com Ela é de longe a ótima atuação de Joseph Gordon-Levitt que se estabeleceu como um dos melhores da sua geração."

    – Gabriel Magarão, geração Z

    VELOZES & FURIOSOS

    Cringe: "Por onde começar com a franquia Velozes & Furiosos? O que girava ao redor de simples corridas de carros se transformou numa franquia de ação absurda, que desafia não somente as leis da física, como testa a inteligência humana. Sem falar que demora uns 8 filmes para alguma mulher ser "valorizada" sem depender do seu corpo, enquanto ainda conservam esse clima de masculinidade tóxica. Tem um filme que o Vin Diesel se joga como Superman, outro que o The Rock pega um míssil com as mãos... 'Ah, não é para levar a sério!' Mas também não precisava ser ridículo assim."

    – Katiúscia Vianna, geração Y ou millennial

    Defesa: "Velozes & Furiosos é o retrato do entretenimento que deu certo. Ainda que os 9 filmes tenham cenas insanas que não fazem sentido algum e force algumas resoluções nos roteiros, é uma franquia que soube se adaptar ao seu público e, claro, ao fan service. Fast and Furious (no original) transformou seus vilões mais populares em mocinhos, trouxe personagens amados de volta e só não ressuscitou Paul Walker porque não dá.

    "O que começou como filmes de ação com corridas de carro virou uma saga com tramas tão mirabolantes e improváveis que levam os espectadores para outro universo, esquecendo seus problemas e imergindo no frenesi que os tempos acelerados de hoje exigem. Além de tudo isso, ainda tem uma moral na história de Dom Toretto: valorize e proteja a sua família (inclusive aquela que você escolheu, seus amigos e parceiros)."

    – Vitória Pratini, geração Y ou millennial

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    A MORTE LHE CAI BEM

    Cringe: "Depois de brilhar em A Escolha de Sofia, Meryl Streep abraçou o conceito cringe em A Morte lhe Cai Bem. Com pescoços torcidos, cabeças viradas ao lado contrário, olhos saindo do lugar e corpos decapitados, o filme de Robert Zemeckis é divertido, porém vergonhoso de assistir. Após uma hora e os demais sofríveis 40 minutos de duração, tudo o que vem na mente é: Meryl estava com o nome sujo na praça? Se não, por que ela aceitou participar dessa bizarrice?"

    – Nathalia Jesus, geração Z

    Defesa: "Primeiramente, que elenco. Quase qualquer produção com Meryl Streep é um crime se considerada cringe. O filme de 1992 faz uma crítica a vaidade exagerada e o abuso de cirurgias plásticas em um momento onde começaríamos ver a explosão desse mercado, porém o faz sem se levar a sério, com um senso de humor que, propositalmente, descamba pro pastelão em algumas cenas. Até porque é difícil você querer levar totalmente a sério um filme onde pessoas se desmontam e ganham buracos na barriga. O que nos leva aos efeitos visuais ganhadores de um Oscar, lembrando que era 1992! Enfim, um clássico da comédia que, ao invés de cringe, é camp: esteticamente exagerado, teatral, artificial."

    – Paola Piola, geração Y ou millennial

    AS BRANQUELAS

    Cringe: "As Branquelas, de 2004, é a personificação do cringe. A caracterização dos irmãos Marlon Wayans e Shawn Wayans chega a ser ridícula de tão estereotipada, sem representar absolutamente nada. Todos os trejeitos da dupla são vergonhosos. Além disso, as piadas das quais as pessoas riem até hoje não fazem mais sentido nenhum – e ainda tem gente que diz ser o melhor filme de comédia já feito. Se é para rir com produções antigas, tente algo como Uma Babá Quase Perfeita, em que Robin Williams pelo menos não ofende ninguém com o seu visual e com a construção de sua personagem."

    – Amanda Brandão, geração Y ou millennial

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    Defesa: "As Branquelas já nasceu um fenômeno – e quem concorda respira. Em primeiro lugar, o filme se mostra muito perspicaz ao inverter o racismo padrão e trazer dois protagonistas negros que usam do whiteface para salvar seu emprego. É a primeira vez que vemos a cor de pele branca ser apropriada por atores afro-americanos, historicamente marginalizados e por vezes vítimas de blackface. Em segundo lugar, As Branquelas nos presenteou com uma das cenas mais icônicas do cinema: Terry Crews performando 'A Thousand Miles' em um carro conversível. Como não amar essa comédia escrachada que, inclusive, faz mais sucesso no Brasil do que nos EUA?"

    – Lucas Leone, geração Z

    CREPÚSCULO

    Cringe: "Não importa o quanto as pessoas apreciem Crepúsculo e guardem a franquia em suas memórias afetivas: merece críticas e não podemos negar! Ter como protagonista um vampiro que brilha no sol já justifica o motivo para que o filme seja considerado cringe. Eu poderia parar o texto aqui mesmo e muitos entenderiam. Mas vou continuar porque a lista de vergonha alheia ainda é maior que isso!

    "Crepúsculo já é bizarro o suficiente por nos fazer shippar um casal formado por um cara com mais de cem anos e uma adolescente de 17. Como se a diferença de idade não bastasse, Edward ainda persegue Bella o tempo todo e frequentemente verbaliza sua vontade de beber todo o sangue da humana. Talvez esse desejo esquisito seja o motivo de ele olhar para a personagem com cara de constipado... Assim, concluo que cringe parece pouco para definir Crepúsculo. Inventem uma palavra melhor e mais impactante para usarmos!"

    – Nathalia Jesus, geração Z

    Defesa: "Podem até criticar o relacionamento entre Bella e Edward em Crepúsculo, mas não podemos negar que ele ajudou muitas pessoas a enfrentarem a adolescência — com hormônios, espinhas e os cruéis padrões sociais. Eu era #TeamJacob, não me julguem! Por mais que a saga de vampiros tenha muitas coisas cringe, temos que apreciar a "farofa" que são os filmes, com tanta diversidade de personagens com poderes que é quase um grupo X-Men! Além de cenas memoráveis, como o jogo de baseball ao som de 'Supermassive Black Hole', do Muse; e a sequência final de Amanhecer - Parte 2, que matou mais personagens principais que as batalhas de O Senhor dos Anéis!

    "Justamente quando tudo ficou empolgante e real, descobrimos que era uma visão do futuro de Alice, ousado, né?! E você aí chocado com o plot de Tenet... E ainda tem o premiado Michael Sheen, simplesmente perfeito como o vilão Aro! Sem contar que a franquia elevou a carreira de Robert Pattinson: ele é o próximo Batman – e não venha me dizer que DC é cringe, hein!"

    – Vitória Pratini, geração Y ou millennial

    CATS

    Cringe: "Cats é tão cringe que nem merece uma defesa. Até os gatos fogem de medo quando o filme está passando na televisão. Dói na alma ter que lembrar da história, das atuações e da caracterização dos personagens, onde os humanos são transformados em felinos humanoides que miam, se engasgam com bolas de pelo e emitem sons esquisitos. Ao invés de ser uma animação ou um live-action, o que temos é um festival de coisas cringe, que causa estranhamento e irritação tanto no público quanto na crítica. Ian McKellen, o nosso querido Gandalf de O Senhor dos Anéis, deve ter gasto toda a aposentadoria no bingo para ter aceitado participar dessa obra prima de tortura. Assim como Jennifer Hudson, Taylor Swift e Idris Elba, o experiente ator não deveria estar em sã consciência quando lhe ofereceram o papel."

    – Raphael Fernandes, geração Z

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