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    10 personagens de séries que seriam cancelados pela internet
    Por Lucas Leone/Nathalia Jesus — 28 de fev. de 2021 às 22:00
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    Nem mesmo grandes sucessos da ficção poderiam escapar da cultura do cancelamento, que vem tomando as redes sociais mundo afora.

    Seria o cancelamento o maior medo de qualquer usuário da internet nos dias de hoje? A cultura de linchamento virtual não deixa barato para nenhuma pessoa que fuja minimamente da linha de pensamento da maioria. As redes sociais estão tomadas por fiscais, que acompanham de perto a vida dos outros e julgam seus comportamentos com base no que acreditam. Quantas figuras públicas – entre elas atores de Hollywood – já não foram alvo de ataques e até demonstrações de ódio? Nada passa batido pelo olhar atento do público.

    Ainda que muitos apontem seu papel pouco construtivo, a prática de cancelar segue firme e forte, com sua mira voltada para todos os lados. E a ficção não está de fora. Afinal, o que se vê representado na tela reflete, na maioria das vezes, o que acontece no mundo real. Não faltam, hoje, lições de moral transmitidas na forma de ofensas. O povo se tornou juiz, e as portas do tribunal não fecham nunca.

    De tão grande, a polêmica vem transbordando os limites do online e respingando no primeiro ser humano que falhar – fictício ou não. Antenado ao assunto, o AdoroCinema escolheu 10 personagens de séries que, com certeza, seriam cancelados pela internet. Confira a seguir.

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    BARNEY STINSON (HOW I MET YOUR MOTHER)

    Para começar a lista de modo legen… wait for it… dary, ninguém melhor que Barney Stinson (Neil Patrick Harris), um dos personagens mais controversos de How I Met Your Mother. Barney cumpre todos os requisitos do hétero top: é machista, sexista, misógino e padrãozinho. Não satisfeito em assediar 99% das mulheres que cruzam seu caminho, ele achou uma boa ideia lançar “O Manual da Conquista”, um livro que reúne suas mais vergonhosas cantadas. Ele tinha, ainda, um sistema de som em seu apartamento para dar perdido nos seus dates, já que ele sempre levava seus relacionamentos na zoeira. Mentiroso compulsivo, o mestre dos bros manipulava e objetificava suas parceiras, criando, inclusive, músicas para enaltecer seu comportamento abusivo.

    MICHAEL SCOTT (THE OFFICE)

    Seria um desperdício não adicionar o “melhor chefe do mundo” nesta matéria. Michael Scott (Steve Carell), de The Office, é um personagem inconveniente que causa constrangimento até mesmo a quem está assistindo. Mas, claro, a gravidade de seus atos se projeta para além disso, indo desde a constante xenofobia com Kelly (Mindy Kaling), uma funcionária de origem indiana, até o assédio e machismo escancarado com as mulheres do escritório (incluindo sua própria chefe). Vale mencionar também a homofobia com Oscar (Oscar Nunez) no trágico episódio de “caça aos gays”, durante o qual Scott desconfortavelmente tirou o rapaz do armário e ainda o beijou à força para provar que não o discriminava.

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    ELENA RICHARDSON (LITTLE FIRES EVERYWHERE)

    A personagem Reese Witherspoon em Little Fires Everywhere incorpora o pior de uma sociedade racista e sexista. Daquelas que se justificam com "até tenho amigos negros", a manipuladora Elena Richardson tenta esconder seu racismo por trás de um belo sorriso e de suas boas intenções. Longe disso, ela deixa bem claro seu preconceito ao convidar "gentilmente" sua vizinha afro-americana, a artista Mia (Kerry Washington), para trabalhar como doméstica em sua casa. Ao mesmo tempo, Elena sofre com o papel de mãe que lhe foi tradicionalmente imposto e desconta todo o seu ódio pelo patriarcado na indesejada filha mais nova. Ela joga na cara mesmo, sem medo de culpar a garota por ter abandonado sua carreira e seus sonhos. Não à toa, o parquinho da família Richardson pegou fogo no final da série.

    ROSS GELLER (FRIENDS)

    Não se pode falar em cancelados sem mencionar Friends e, obviamente, um dos personagens mais problemáticos da série. Ross Geller (David Schwimmer) teve tantas atitudes negativas que daria para escrever uma lista completa apenas sobre ele. E entre os principais erros, destacam-se as piadas lesbofóbicas com a ex-esposa Carol (Anita Barone) e os comentários machistas direcionados às suas namoradas, amigas e à própria irmã Mônica (Courteney Cox). Sem contar que o paleontólogo, que era bem-sucedido em sua carreira acadêmica, nunca apoiava Rachel (Jennifer Aniston) em seus trabalhos — tanto como garçonete quanto na área da moda —, por ciúmes e complexo de superioridade.

    CZAR PEDRO III (THE GREAT)

    O que esperar de um poderoso monarca que mantém o cadáver da mãe exposto — e vestido — no corredor de seu palácio? Ou, então, que entra em guerra com um país e deixa seu povo morrer no front apenas para impressionar o pai já morto? Esse é o Czar Pedro III (Nicholas Hoult), marido de Catarina (Elle Fanning) em The Great. Ele tem fortes traços de narcisismo e de uma infância mimada, maltrata seus subalternos e ridiculariza seus próprios aliados com apelidos do tipo "balofo". Como se não bastasse, ele gosta de jogar cachorros do telhado para testar a gravidade e, quando bate a vontade, de fazer sexo com a esposa do melhor amigo. Cancelado sim ou claro?

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    ANNALISE KEATING (HOW TO GET AWAY WITH MURDER)

    A cada um acerto, dez erros! A imbatível Annalise Keating, protagonista de How to Get Away with Murder, é um exemplo de força e imponência nos tribunais, mas também é o retrato da corrupção, assédio moral e abuso de poder. A advogada propõe carga horária e tarefas arbitrárias para seus estagiários, além de usá-los como peças para cometer crimes e livrar seus clientes de acusações graves. Diante de atos como manipulação de provas, ocultação de cadáver e humilhação pública de seus alunos, fica fácil entender a posição da personagem de Viola Davis nesta lista.

    FRANK E CLAIRE UNDERWOOD (HOUSE OF CARDS)

    Frank (Kevin Spacey) e Claire Underwood (Robin Wright) poderiam, sem dúvida alguma, passar na frente dos demais cancelados aqui presentes. O egocêntrico casal de House of Cards escancara o lado mais sujo do poder, organizando esquemas criminosos, usando as pessoas em prol de seus interesses políticos e eliminando-as quando não lhes servem mais. Logo na cena de abertura do primeiro episódio, Frank sacrifica um cachorro ferido por acreditar que o animal não tem mais utilidade. Já Claire, cúmplice nas tramoias do marido, chega ao ponto de forçar um embaixador russo a vê-la urinar – apenas para se afirmar como uma figura digna de respeito. Curiosamente, o ator Kevin Spacey virou alvo de cancelamento em 2017, após repetidas acusações de assédio sexual.

    DAMON SALVATORE (THE VAMPIRE DIARIES)

    O icônico Damon Salvatore (Ian Somerhalder) protagonizou diversos momentos de redenção nos oito anos de The Vampire Diaries, mas canceladores não esquecem erros alheios! Nas primeiras temporadas, o vampiro tratava os humanos como fantoches, e isso resultou na personagem Caroline (Candice King) sendo hipnotizada a ser sua escrava sexual. Além disso, abandonar o amigo Enzo (Michael Malarkey) em um incêndio, roubar as namoradas do irmão e matar inocentes não são atitudes decentes e, muito menos, fáceis de esquecer.

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    SUE SYLVESTER (GLEE)

    Só o ar que Sue Sylvester (Jane Lynch) respira já seria mais tóxico do que uma das usinas nucleares de Chernobyl. A treinadora das líderes de torcida da William McKinley High School exala preconceito cada vez que abre a boca: desde praticar bullying com todo e qualquer aluno até impedir a felicidade alheia, ela tem no seu currículo inúmeros episódios de homofobia, gordofobia, xenofobia e racismo. Sem contar a pressão estética que exercia sobre suas pupilas, exigindo que estivessem sempre dentro do padrão (leia-se: extremamente magra ou, no seu próprio caso, entupida de shake protéico). Sue boicotava até mesmo os outros professores, a ponto de se tornar o pior ser humano que passou por Glee e um ótimo exemplo de cancelador que acabaria cancelado.

    MICHAEL KYLE (EU, A PATROA E AS CRIANÇAS)

    Apesar de todo o seu potencial inofensivo de “tio do pavê”, Michael Kyle merece, sim, um espaço nesta seleção de figuras facilmente canceláveis. Interpretado por Damon Wayans na sitcom Eu, a Patroa e as Crianças, o personagem humilha o filho mais velho constantemente, justificando essa ação como ato educativo, além de apresentar comportamentos machistas com as próprias filhas. Inclusive, Kyle também fazia muitas piadas problemáticas, incluindo as manifestações de gordofobia com a esposa Jay (Tisha Campbell-Martin), o que levou a mulher a iniciar uma dieta com o objetivo de agradá-lo.

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