Devoradores de Estrelas
Média
4,3
426 notas

169 Críticas do usuário

5
88 críticas
4
22 críticas
3
15 críticas
2
19 críticas
1
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Igor Aguiar
Igor Aguiar

2 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 11 de junho de 2026
Devoradores de Estrelas é digno de ser considerado uma obra-prima da ficção científica. Assim como Interestelar, equilibra emoção e ciência, mas acredito que supera Interestelar no desenvolvimento dos personagens e no envolvimento emocional que cria com o espectador. Pode parecer lento para quem busca gratificação imediata, porém sua construção é extremamente cuidadosa. O que realmente importa aqui não é apenas o destino final, mas a jornada e a conexão que se forma com seus personagens ao longo do caminho.
Vinicius Monteiro
Vinicius Monteiro

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3,5
Enviada em 8 de junho de 2026
Despertar no vazio absoluto, sem qualquer memória, e carregar nas costas a responsabilidade de impedir a extinção da humanidade. Esse cenário tinha tudo para ser o começo de mais um sci-fi genérico que esquecemos na semana seguinte, não é? Mas "Devoradores de Estrelas" tenta puxar o tapete debaixo dos nossos pés ao misturar a frieza do espaço com uma improvável história de amizade. O resultado é uma viagem que derrapa nalguns buracos negros narrativos, mas que definitivamente não vai deixar ninguém indiferente. Vamos dissecar o que realmente funciona e o que se perdeu na órbita desta superprodução.

Fazer um filme onde o protagonista passa boa parte do tempo sozinho a falar para o nada é um teste de fogo para qualquer ator. E Ryan Gosling passa com distinção. Ele entrega uma mistura quase perfeita de vulnerabilidade constante, inteligência afiada e aquele humor sarcástico muito próprio dele. Acompanhar a transição deste homem, de um simples professor assustado para o relutante salvador da humanidade, prende a nossa atenção. Gosling usa o olhar perdido e os pequenos tiques de nervosismo para nos mostrar o pânico que ele tenta disfarçar com piadas. A gente importa-se com a psique de Grace porque o medo dele é palpável. Ele não é um herói de ação treinado; é um sujeito comum a tentar não enlouquecer no meio do vazio cósmico.

Esse isolamento brutal da nave ganha contornos muito mais pesados quando o filme corta para as memórias de Grace. É aqui que entra o "Contraste Frio da Terra". Enquanto o ambiente espacial é sufocante e confinado, o nosso planeta, nas lembranças, é um cenário de desespero em câmara lenta. A Terra está a congelar. E para ilustrar isso, o guião acerta em cheio ao dar espaço a Sandra Hüller no papel de Eva Stratt, a líder da força-tarefa global. Hüller está arrepiante. Ela toma decisões políticas impiedosas, quase cruéis, atropelando leis e direitos humanos para tentar salvar a espécie. Essa frieza governamental justifica perfeitamente o desespero do protagonista. Nós percebemos que não há volta a dar: ou ele consegue, ou aquele planeta gelado e militarizado vai simplesmente deixar de existir.

Se a Terra traz a tensão humana, é a amizade interespécies que injeta vida real na narrativa. Quando o personagem Rocky entra em cena, o filme ganha outra dimensão. Ele não é o típico alienígena humanóide. É uma criatura eridiana, assemelhando-se a uma aranha gigante feita de minerais que respira amónia e vive no escuro. E, por incrível que pareça, ele rouba a cena por completo. A construção desta relação é um dos pontos altos do guião. Eles quebram barreiras gigantescas de linguagem e forma física. Começam com desconfiança, passam para o método científico e chegam a uma empatia profunda. É muito raro ver o cinema comercial tratar o "primeiro contacto" com tanta paciência. Não há tiros, não há invasão. Há dois seres assustados, de galáxias diferentes, a tentarem perceber como se podem ajudar mutuamente.

E por falar em tentar perceber, um dos tópicos mais discutidos pelos fãs do livro de Andy Weir é a quantidade absurda de ciência dura ("hard sci-fi") presente na obra. O filme não foge a isso. Grande parte da comunicação e da resolução de problemas entre Grace e Rocky dá-se através da matemática e da física. Eles desenham gráficos improvisados, constroem maquetes e testam teorias na prática. Para quem gosta de um bom enigma científico, ver estes dois a fazerem contas para não morrerem queimados ou sufocados é um deleite. A ciência aqui não é apenas um adereço de cenário; é o verdadeiro idioma que liga as duas espécies.

Mas é exatamente nesta tentativa de equilibrar a ciência séria e a tragédia iminente que surge o meu lado mais cético. O filme quer abraçar tudo ao mesmo tempo. Lord e Miller trazem aquele humor que lhes é tão característico, só que, num contexto de apocalipse global, a mistura por vezes azeda. Há momentos em que o perigo é imenso, a nave está a colapsar, e de repente Grace solta uma piada que parece tirada de uma sitcom de domingo à tarde. Isso quebra a imersão na hora.

E depois temos o extremo oposto. O filme carrega num otimismo e num melodrama tão fortes que esbarram na artificialidade. Algumas cenas finais são montadas de forma tão óbvia para nos fazer chorar, com a música lá no alto e olhares demorados, que o efeito acaba por ser inverso. Para os espectadores menos propensos a manipulações emocionais, esta doçura toda soa a sacarina. Tira a gravidade e o peso de uma missão que, na sua essência, deveria ser suja, traumatizante e suicida.

Se o tom derrapa, a componente estética agarra o volante com firmeza. Não há como apontar defeitos na direção visual. A cinematografia faz um trabalho brilhante ao contrapor a escuridão absoluta do universo com a paleta amarelada e funcional do interior da Hail Mary. Há uma sensação constante de claustrofobia térmica. Nós sentimos o calor dos motores e o frio do vidro.

E, felizmente, a equipa de design optou por um equilíbrio fantástico entre efeitos práticos e digitais. As texturas da engenharia de Rocky, a forma como a nave eridiana parece um relógio mineral gigante... tudo isto foge daquele CGI plástico, genérico e sem peso que costumamos ver nos blockbusters de verão. As coisas parecem ter massa, parecem pesadas.

E já que tocamos na fisicalidade da nave, é impossível ignorar o desenho de som. Como os eridianos comunicam através de tons musicais, a banda sonora não podia ser só aquele instrumental grandioso de fundo. A música é, literalmente, parte do diálogo. O filme utiliza sequências de acordes e vibrações que dialogam constantemente com os ruídos metálicos da nave. É um trabalho sonoro inteligente e imersivo. Muitas vezes, nós percebemos o que Rocky está a sentir — raiva, alegria, medo — apenas pela textura e pela frequência dos acordes que ele emite, sem precisarmos que o Gosling mastigue e traduza o sentimento a cada cinco minutos.

Voltando à comparação com o material original, a adaptação quis ser tão fiel ao detalhe científico de Weir que acabou por se esquecer do relógio. Este é o calcanhar de Aquiles do filme: o ritmo. Com mais de duas horas e meia, o segundo ato torna-se visivelmente arrastado. O guião passa tanto tempo em pequenos testes de laboratório a bordo da nave que a narrativa perde fôlego. Faltam sobressaltos e nuances reais no arco emocional a meio da jornada; aquele frio na barriga clássico de que algo irreparável pode acontecer acaba por anestesiar.

Pior ainda, a estrutura geral apoia-se num esqueleto bastante derivativo. Pondo de lado o brilhantismo da relação central, a espinha dorsal do enredo é um amontoado de tropos que já consumimos dezenas de vezes noutros filmes espaciais. Os sacrifícios de última hora, as falhas de motor, a corrida contra o tempo. O filme inova pouco nesses aspetos, preferindo apoiar-se em fórmulas testadas e aprovadas pelo género.

No fim de contas, "Devoradores de Estrelas" é uma experiência cinematográfica de altos e baixos muito evidentes. Acerta em cheio no apuro visual, no som brilhante e ao construir, com muita paciência, uma dupla carismática que nos faz torcer genuinamente por eles. O problema é quando tropeça feio num ritmo excessivamente longo e num melodrama que esvazia a crueza do fim do mundo. É uma obra que tem o coração no lugar certo — talvez até otimista demais para o seu próprio bem. Vale o seu tempo? Sem dúvida. Escolha o maior ecrã e o melhor sistema de som que conseguir, encare a viagem e tire as suas próprias conclusões. Vá apenas ciente de que não vai encontrar uma revolução narrativa do sci-fi, mas sim uma aventura reconfortante, humana e alienígena, que procura encontrar calor na parte mais fria do universo.
Guilherme Souza
Guilherme Souza

4 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de junho de 2026
com toda certeza, um dos melhores filmes da minha vida. Me emocionei, ri e chorei tudo em 2h30 de filme que passa voando.
Kalinka M
Kalinka M

1 crítica Seguir usuário

1,5
Enviada em 5 de junho de 2026
A premissa científica não existe. Até aí tudo bem. Mas ele tem o ritmo de uma aventura infantil. O filme é basicamente sobre o afeto e compaixão entre o homem e o extraterrestre que mesmo sendo uma forma primitiva é tão compatível intelectual, emocional com o humano que só penso que é uma animação infantil. Tipo Stitch da Disney. Se tirar a relação de afeto dos dois o filme mesmo com seus efeitos não envolve. Não funcionou. Gostaria de ter lido livro antes para saber se a experiência é melhor.
Amanda Dias Cavalcante
Amanda Dias Cavalcante

1 crítica Seguir usuário

2,5
Enviada em 5 de junho de 2026
É um filme bonitinho, mas muito infantl (talvez esse seja o público alvo). Estilo sessão da tarde.
Thalisson Vitor
Thalisson Vitor

1 crítica Seguir usuário

4,5
Enviada em 4 de junho de 2026
Filme muito bom e interessante os personagens são bem apresentados na história, já os efeitos especiais são muito bem feito ele ter uma narrativa ótima nota
Jackson Maldonado
Jackson Maldonado

34 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 4 de junho de 2026
Hshsjsjdjdjjsjskskfjvoogoirjsbeidijddidjfjrrjjffjjrjddjdjjdjdisididjfdiidiririffifiififfifigigigigigi
SabeOqDkQuerDizer
SabeOqDkQuerDizer

1 seguidor 7 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 2 de junho de 2026
Que filme incrível , a última vez que me empolguei assim em um filme espacial foi com "Interestelar".
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 897 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 2 de junho de 2026
Devoradores de estrelas é um filme de ficção científica/aventura que contou com a direção de Phil Lord e Christopher Miller e roteiro de Drew Goddard. Na trama, Grace (Ryan Gosling) é um professor de ciência que acorda em uma nave sem lembrança de quem ou como chegou ali. A medida que o tempo avança, Grace vai recordando o objetivo principal da missão que é coletar informações para salvar a Terra, evitando que o sol se apague. Baseado no livro de Andy Weir ( o mesmo autor de Perdido em Marte), temos aqui uma super produção de ficção. Com elementos batidos, mas que funcionam ainda para esse gênero, o filme se fez valer. Mas nao apenas por isso, mas como soube dosar e colocar nos momentos certos cada um desses elementos ( isso é mérito do roteiro). A princípio, podemos falar da parte mais eficiente do filme que foi o seu início ao misturar um suspense de sobrevivência espacial com o seu protagonista sem noção de absolutamente nada. Ao poucos, com uma volta ao passado, vamos descobrindo o que aconteceu com a Terra e o motivo de Grace está na nave: um microrganismo que drena a energia solar, provocando o resfriamento da Terra, e consequentemente a morte dos seres vivos em alguns anos. Porém, o único problema do filme é o excesso de didatismo no teor científico. Nada demais em explicar, mas isso vai se misturando com as memórias de Grace e com isso suas lembranças mais efetivas vao perdendo força e foco (embora entendemos que isso funciona como um bom gancho para o protagonista lembrar dos detalhes da missão). Porém, precisamos falar da boa construção do segundo ato: a aparição de Rocky (James Ortiz), que é o coração do filme. Roteiro acerta em colocar a relação de ambos nao como uma hostilidade e nem como algo infantil, mas uma relação de proximidade paulatinamente que vai acontecendo na descoberta da linguagem. Rocky é o eixo emocional mais efetivo da obra e é o que mais funciona. Vale lembrar que Grace era apenas um professor de ciência na Terra, sem relação com ninguém. Sozinho no espaço, Rocky foi uma ótima companhia, uma forma dele sair um pouco da sua amarga solidão. Lógico que conseguiram equilibrar bem as coisas, tem emoção, divertimento e humor na relação de ambos. Precisamos falar da atuação excepcional de Ryan Gosling, que mais uma vez soube interpretar um personagem fechado, que dessa vez acertaram em nao transforma-lo em herói (vide a forma em que ele foi para essa missão). Talvez pudessem rende melhor a personagem Eva (Sandra Hüller) sobre ética, esperança etc. Parecia ser uma personagem mais centrada e foi um bom contraponto do lado humorístico de Grace. A parte técnica foi muito boa, com um visual mais controlado, mas sem deixar de mao o prazer lúdico da encenação (parte da nave de Rocky e a atmosfera do planeta visitado sao sublimes). Existe uma elegância na geometria da nave e dos elementos que conduziram Rocky. No fim, o filme busca mostrar essa saída do Eu, esse apelo que o outro me convoca. Nao existe dilema entre o Eu e o Outro ( Grace e Rocky mostraram bem isso). Final satisfatório. Grande filme que deve sim ser lembrando no Oscar de 2027.
Jessica Oliveira
Jessica Oliveira

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 31 de maio de 2026
É muito difícil um filme prender tanto a minha atenção e causar tantas emoções assim. Por natureza sou muito leal e é algo raro e incompreensível por muitas pessoas. Este filme nos transporta para cada cena, seja pelo humor, pela profundidade ou mesmo pela dor. Trilha sonora perfeita, atuações e cenários incríveis. Que show de filme. Tornou-se um dos meus favoritos com a pena d+ assistir.
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