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    Thor: Amor e Trovão
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Thor: Amor e Trovão

    Qual é o plural de Thor?

    por Katiúscia Vianna
    Após 14 anos, boa parte do sexteto original dos Vingadores se aposentou ou teve despedidas épicas ao se sacrificar pelo bem da humanidade. Enquanto novos rostinhos animados surgem prontos para salvar a galáxia de novos perigos, tem um veterano que parece não querer descansar tão cedo: Thor, personagem de Chris Hemsworth, embarca em sua quarta aventura solo. Mas, pela primeira vez, terá que dividir o posto de Deus do Trovão, pois a Poderosa Thor de Natalie Portman chegou em Amor e Trovão.

    Qual é a história de Thor: Amor e Trovão?



    Thor: Love and Thunder (no original) acompanha Thor numa jornada diferente de tudo que já enfrentou – uma busca pela paz interior, numa espécie de "crise da meia idade". Ao mesmo tempo que participa de batalhas ao lado dos Guardiões da Galáxia, após se unir ao grupo em Vingadores: Ultimato. Mas sua aposentadoria é interrompida por um assassino galáctico conhecido como Gorr (Christian Bale), conhecido como o Carniceiro dos Deuses nos quadrinhos.

    Para combater essa ameaça, Thor terá que convocar um time de seres poderosos. Para começar, temos Rei Valquíria (Tessa Thompson), que está no comando da Nova Asgard. Além disso, chama seu melhor amigo, Korg (Taika Waititi), e a ex-namorada Jane Foster (Natalie Portman), que também está passando pelos seus próprios dramas. Mas a cientista surpreende a todos quando consegue, inexplicavelmente, empunhar o martelo mágico Mjolnir, revelando-se a Poderosa Thor.

    A trama ainda tem espaço para algumas participações bem especiais, o retorno (breve) de Lady Sif (Jaimie Alexander) e a apresentação de Zeus, sendo vivido por Russell Crowe. Além de duas cabras mágicas hilárias que embarcam numa aventura da qual não queriam fazer parte.

    Comédia e emoção dominam Thor 4



    A direção de Thor: Amor e Trovão fica sob a responsabilidade de Taika Waititi, que revitalizou a franquia do Vingador a partir do divertido Thor: Ragnarok. Para seu novo projeto, ele parece ter repetido a fórmula de sucesso, investindo em alguns acertos já definidos, porém também apostando em um novo aspecto importante, a emoção. Afinal, se você vai colocar uma palavra como “amor” em seu título, não pode deixar de abordar o que se passa no coração de seus personagens.

    Como é esperado, o longa traz muita comédia do estilo de Taika — que também assina o roteiro ao lado de Jennifer Kaytin Robinson (Sweet/Vicious, Alguém Especial). As risadas estão garantidas, principalmente contando com um Chris Hemsworth no auge de sua simpatia (e condicionamento físico, diga-se de passagem), sabendo expressar seu timing cômico através de um simples olhar. Ao mesmo tempo, uma piada recorrente envolvendo ciúmes de Rompe-Tormentas com Mjolnir é uma das melhores sacadas do filme e combina com o tema principal da trama.

    Porém, o que surpreende mesmo é o clima emocionante que surge no roteiro. Não me entenda errado, ainda é uma aventura Marvel bem colorida ao som de rock and roll e com brincadeirinhas. Mas sentimentos estão por todo o lado… Principalmente no clima de romance retomado por Thor e Jane, cuja química se torna ainda mais legal quando ambos estão de capa lutando com seus longos cabelos loiros. Nesse quesito amoroso, a decepção fica pela falta da prometida busca pela rainha de Rei Valquíria — mas é necessário celebrar como a presença LGBTQIA+ é tratada com total naturalidade na obra.

    Natalie Portman brilha e Christian Bale assusta



    Já falei como Chris Hemsworth está incrível em Thor: Amor e Trovão. Mas, sinceramente, o povo queria mesmo era ver Jane Foster assumindo o manto da Poderosa Thor. Sejamos sinceros, a personagem não foi tratada com carinho pelo Universo Cinematográfico Marvel, ficando limitada a par romântico do Thor, sem muita graça. Mas quando se tem uma atriz do calibre de Natalie Portman, isso é praticamente um pecado.

    Aqui, Foster assume um lado mais leve, realmente se divertindo com a transformação em heroína. Esqueça a Natalie Porman certinha de Cisne Negro, a moça sabe fazer piada. Sua intérprete não decepciona perto do timing cômico dos colegas de elenco, ao mesmo tempo que ainda consegue carregar um drama importante que assombra Jane. Inclusive, já queria mais tempo da dupla dinâmica Jane e Valquíria. Eu veria um spin-off apenas delas zoando o Thor por duas horas.

    Paralelamente, outra grande novidade de Love and Thunder é a escalação de Christian Bale como o antagonista Gorr. Se as portas para o retorno do ator como Batman sempre ficam abertas nos corações dos fãs, o ator (que adora se transformar pelo seus empregos) prova sua versatilidade novamente. Ao longo da narrativa, ele é bem assustador — um aspecto que ganha mais força nas cenas em preto e branco, grande surpresa do longa. Apesar disso, não deseja ser um vilão muito carismático como Loki (Tom Hiddleston) ou até mesmo Hela (Cate Blanchett). 

    De um ponto de vista geral, as narrativas de Jane e Gorr são exploradas de maneira rápida demais. Porém, quando o clímax do filme chega (e não iremos dar spoilers aqui, é claro), tanto Portman quanto Bale podem fazer o espectador se emocionar nas salas de cinema — ou, eventualmente, no sofá de casa, quando chegar ao catálogo do Disney+.

    Vale a pena ver Thor: Amor e Trovão?



    O primeiro Thor foi ok. O Mundo Sombrio, a gente guarda na fanbase. Ragnarok foi uma alegria que só, que reinventou a franquia. Logo, a pressão era grande para a duplinha do pop Hemsworth e Waititi acertar novamente. Por sorte (ou pura competência), Amor e Trovão chega despertando grandes sentimentos no espectador, pois sai agradando todos os públicos.

    Tem romance para os apaixonados, ação para quem ama pancadaria, comédia para quem só quer se divertir, e emoção inesperada que vai pegar o povo de surpresa. E, claro, tem trovão para todo lado. Porém, é tudo muito rápido, barulhento e grandioso — tanto que parece ter sido feito para uma geração que tem déficit de atenção e vontade de mexer no celular o tempo todo. Mas até funciona, na maior parte do tempo, só não tem o mesmo frescor que seu antecessor.

    Tudo isso combinado com a grande capacidade da Marvel em escolher atores carismáticos para seu Universo Cinematográfico, Amor e Trovão traz uma bela adição a esse mundo tão adorado. É uma bela duologia com Ragnarok, mas também não espere um encerramento épico da jornada de um grande Vingador. Na verdade, Thor só quer provar que ainda tem muita história para contar…
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