Sinopse:
Após a morte da reclusa avó, a família Graham começa a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse uma sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.
Crítica:
"Hereditário", dirigido por Ari Aster, é um filme que se destaca dentro do gênero de terror ao mesclar habilmente os elementos de drama familiar com uma narrativa angustiante. A trama segue a família Graham, que, após a morte de sua reclusa matriarca, se vê mergulhada em um mundo de mistérios e eventos sobrenaturais. Aster utiliza a dor e o luto como motores narrativos, explorando como a morte de um ente querido pode revelar segredos sombrios e afetar profundamente as dinâmicas familiares.
A atuação de Toni Collette como Annie Graham é um dos pontos altos da produção. Seu desempenho é frequentemente destacado como uma das melhores performances do cinema contemporâneo, refletindo de maneira visceral a complexidade do luto, do desespero e da loucura. A intensidade com que Collette representa a quebra emocional de sua personagem fornece um núcleo realista à história, permitindo que o público se conecte com os horrores que estão se desdobrando ao seu redor.
A estrutura do filme apresenta uma transição significativa no terceiro ato. Enquanto os dois primeiros terços se concentram em uma abordagem mais psicológica e emocional, revelando uma atmosfera de crescente tensão e depressão, o desfecho leva a um mergulho em temas sobrenaturais e ocultistas. Para alguns críticos, essa mudança pode parecer abrupta, interrompendo a construção de uma narrativa que já era de fato aterrorizante em sua ambiguidade. Esse desvio pode causar uma sensação de desconexão, onde a profundidade e o impacto emocional que permeavam a história são substituídos por uma clareza que, paradoxalmente, pode diminuir a intensidade do terror.
Apesar dessas críticas, "Hereditário" se estabelece como uma obra rica em simbolismo e emoções complexas, desafiando as normas do gênero. A cinematografia meticulosa e a produção cuidadosa contribuem para a criação de uma atmosfera opressiva que se prolonga muito além dos créditos finais. O espectador é convidado a refletir sobre os legados ocultos que herdamos de nossos familiares e sobre como os traumas podem se manifestar de formas inesperadas.
A obra é uma exploração intrigante e perturbadora das relações familiares, e, mesmo que sua narrativa não ressoe com todos, ele definitivamente deixa uma impressão duradoura. "Hereditário" é, portanto, uma experiência cinematográfica que provoca sentimentos, questionamentos e, acima de tudo, um entendimento mais profundo sobre os medos que, muitas vezes, vêm de dentro de casa.