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    Godzilla vs Kong
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    Godzilla vs Kong

    Confronto empolgante de monstros

    por Bruno Botelho
    Kong apareceu pela primeira vez nos cinemas na década de 30 em King Kong (1933) e Godzilla ganhou seu primeiro filme nos anos 50, chamado Godzilla (1954). Os dois viraram duas das maiores e mais importantes figuras da cultura pop e criaram uma rivalidade clássica ao longo das décadas no cinema. Por isso, Godzilla vs Kong tinha a missão nada fácil de mostrar o conforto entre eles pela primeira vez no MonsterVerse: universo compartilhado de monstros da Warner e Legendary. 

    A franquia do MonsterVerse começou com Godzilla de 2014 e foi seguido por Kong: A Ilha da Caveira (2017), Godzilla II: Rei dos Monstros (2019) e, claro, Godzilla vs Kong, que é o grande evento do universo dos monstros onde, felizmente, conseguimos ver um blockbuster com resultado empolgante.

    Nesse primeiro crossover, Kong e seus protetores embarcam em uma jornada perigosa para encontrar seu verdadeiro lar. Entretanto, tudo sai do controle quando um Godzilla enfurecido, começa a deixar um rastro de destruição pelo planeta. Esse combate épico entre os dois titãs, instigado por forças ocultas, é apenas o começo do mistério que jaz no núcleo da Terra. Será que o mundo sobreviverá ao duelo de monstros? 

    Os humanos são o maior problema de Godzilla vs Kong – como em todo o MonsterVerse



    Nos filmes anteriores do MonsterVerse era notável o mesmo problema entre todas as três produções: os personagens humanos. A franquia estabeleceu diversos personagens para que o público pudesse se relacionar intimamente e criar uma conexão emocional que algumas vezes não é possível acontecer com criaturas gigantes e ameaçadoras – uma escolha normal. O grande problema é que os humanos foram usados excessivamente diversas vezes, roubando o espaço para o estabelecimento da principal atração em um filme de monstros, que são os monstros (obviamente). 

    Os personagens humanos continuam sendo o maior problema de Godzilla vs Kong, mas eles contribuem melhor para o desenvolvimento da trama e ganham um caráter mais secundário, e necessário, quando o confronto principal ganhar forma. Os filmes anteriores apresentaram características importantes para Godzilla e Kong, então os roteiristas Eric Pearson e Max Borenstein, inteligentemente, fazem os humanos desempenharem um elo de condução da narrativa que vai culminar nas batalhas entre os montros gigantes, não se importando tanto aqui para a perspectiva humana.

    Nenhum deles acaba se destacando. Dr. Nathan Lind (Alexander Skarsgård), Madison Russell (Millie Bobby Brown), Dra. Ilene Andrews (Rebecca Hall), Bernie Hayes (Brian Tyree Henry), Maya Simmons (Eiza Gonzalez) estão todos envolvidos de alguma forma na trama, ao lado do Godzilla ou do Kong. Kong é amarrado e levado em um navio para a Antártica em busca da morada original dos titãs, onde pretendem descobrir se a teoria da Terra Oca é verdadeira. Enquanto isso, um podcaster e dois adolescentes descobrem uma conspiração que explicar o motivo de Godzilla ter enlouquecido.

    Godzilla vs Kong é visualmente impressionante e conta com batalhas empolgantes



    Muitos filmes de monstros apresentam problemas por causa da sua escala grandiosa quando os diretores não sabem dosar os elementos com a história, o que muitas vezes acabam fazendo com que as produções soem artificiais e banais. Guillermo del Toro, ganhador do Oscar por A Forma da Água (2017), teve um grande exemplo de sucesso no gênero que foi Círculo de Fogo (2013), filme que conseguiu entregar um entretenimento de primeiro, com batalhas bem executadas entre criaturas imponentes.

    Pensando nisso, o diretor Adam Wingard, Você é o Próximo (2012) e Death Note (2017), é digno de todos os méritos pela execução de Godzilla vs Kong, conseguindo impor seus conceitos visuais adequadamente na narrativa – coisa que apenas Jordan Vogt-Roberts havia conseguido em Kong: A Ilha da Caveira. Esteticamente o filme é muito bem resolvido, com efeitos visuais impressionantes, e recria a magia dos clássico filmes de monstros, com Godzilla e Kong lutando mais de uma vez como dois deuses batalhando pela supremacia do mundo. Tudo elaborado de forma detalhada, estilizada e realista.

    Por isso, as cenas de ação durante as batalhas são o ponto alto – principalmente o duelo final que apresenta o grande vencedor. Criativas, grandiosas e bem executadas, elas apresentam o peso real que esse combate merece. No final das contas, o grande acerto da produção é ser honesta e cumprir com a proposta de seu título, não tentando, sem necessidade, ser profunda ou introspectiva. Godzilla vs Kong é sobre o enfrentamente entre duas das criaturas mais populares da cultura pop e, dentro disso, é tudo o que um fã do universo de monstros pode esperar: entretenimento puro!  

    Godzilla vs Kong é um blockbuster empolgante e cumpre seu propósito ao abraçar sem medo esse universo de monstros de maneira única, divertida e respeitosa. O filme faz jus ao seu título e honra o legado dos personagens na história do cinema e da cultura pop, onde Godzilla e Kong se enfrentam de maneira grandiosa em cenas de ação bem executadas, com uma identidade visual bem definida e menor interferência dos personagens humanos. Precisamos de mais filmes que não se levem tão a sério e saibam se divertir assim...

     

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