Há 97 (!) anos, o Oscar é entregue em Los Angeles — e continua sendo considerado o prêmio de cinema mais importante e prestigioso de todos. No entanto, isso não significa que as decisões tomadas sejam sempre isentas de controvérsia. Pelo contrário: o filme que os quase 11 mil membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas consideram o melhor nem sempre é o melhor — por exemplo, em 2019, a tragicomédia um tanto sóbria Green Book prevaleceu sobre o aclamado drama familiar Roma, de Alfonso Cuarón, causando bastante indignação.
"Oscar Bait" é até mesmo um termo coletivo para filmes que parecem ser produzidos especificamente para ganhar o Oscar — épicos históricos românticos, cinebiografias ou dramas sentimentais com mensagens impactantes tradicionalmente têm uma chance particularmente boa de agradar à Academia.
Segundo Quentin Tarantino, este filme mudou o Oscar para sempre
Quentin Tarantino, ele próprio um convidado frequente do Oscar, divide as obras cinematográficas que dominam a temporada anual de premiações em duas categorias: "filmes legais", que geralmente saem de mãos vazias ou recebem prêmios em categorias menores, e o mainstream de Hollywood, que, apesar de sua mediocridade, acaba levando os principais prêmios. Mas, segundo o criador de Bastardos Inglórios, houve um ano que quebrou essa regra — e, com isso, mudou fundamentalmente o Oscar.
Em 2000, um filme de estreia e queridinho do cinema independente dominou a cerimônia de premiação: estamos falando de Beleza Americana, a estreia na direção de Sam Mendes, que mais tarde criaria 007 - Operação Skyfall e 1917.
A sátira suburbana levou para casa um total de cinco Oscars (incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para Kevin Spacey), superando produções de prestígio como À Espera de um Milagre e Regras da Vida. Isso faz de Beleza Americana um divisor de águas absoluto — ou pelo menos é o que Tarantino acredita.
DreamWorks Distribution
"O grande filme de Hollywood sempre recebia o maior respeito dos críticos medíocres"
“Quando Beleza Americana ganhou o prêmio de Melhor Filme, foi o começo de uma nova era", disse o ator de 62 anos em uma conversa com o roteirista e cineasta Brian Helgeland (que ganhou um Oscar pelo roteiro de Los Angeles - Cidade Proibida).
“O filme azarão, o filme descolado, finalmente havia vencido. Antes disso — e isso é uma generalização, mas acho que é verdade — havia o favorito de Hollywood, o filme mais descolado, o queridinho da crítica. Mas o grande filme de Hollywood sempre recebia o maior respeito dos críticos medíocres.”
Pelo menos em uma categoria o "filme descolado" leva vantagem: "[Ele] sempre ganhava o prêmio de roteiro. Esse era o prêmio de consolação por ser descolado." Dado que Tarantino já ganhou dois Oscars de roteiro (por Pulp Fiction e Django Livre), mas nenhum de seus filmes ainda ganhou o prêmio principal de "Melhor Filme", é provável que ele esteja se referindo ao seu próprio trabalho com essa observação!
Além disso, é questionável até que ponto a teoria de Tarantino realmente se sustenta — afinal, nos anos seguintes, filmes como Uma Mente Brilhante ou Crash - No Limite ganharam o prêmio de Melhor Filme, o que, por um bom motivo, gerou acusações de serem apenas uma estratégia para atrair o Oscar.
Aliás, o Oscar de 2000 também deixou uma marca profunda em Denzel Washington – embora por razões completamente diferentes: é o motivo pelo qual ele não exerce seu direito de voto como membro da Academia há 25 anos.