“À cada homem sobre essa terra / Vem a morte cedo ou tarde / E como pode um homem morrer melhor / Do que enfrentando o terror iminente / Pelas cinzas de seus pais / E pelos templos de seus deuses”. O trecho desse poema é atribuído ao personagem Horácio e encontra-se no livro Odes da Roma Antiga, uma referência à tradição romana que mesmo hoje sustenta a cultura ocidental. Não podemos negar a influência determinante que a história e tradições romanas exercem no Ocidente. Mas também não podemos esquecer tudo que o Ocidente já fez de errado. Todas as mazelas, violência, opressão, guerras, invasões, operações de sabotagem… No decorrer da história, o povo ocidental deixou uma marca de destruição indelével, canalizada pelas suas elites dominantes sedentas de poder e riquezas. Claro, isso não apaga todas as contribuições maravilhosas que o Ocidente foi capaz de nos legar. Mais do que uma ode ou celebração à história que amparou e fez do Ocidente o que é, Oblivion é uma obra de arte criativa, que vai além de mesmices diminutas, que supera seus limites criativos e filosóficos, transformando uma simples citação literária em uma premissa-base para uma história extraordinária. Oblivion brilha adaptando um simples conceito antigo, estendendo-o e torcendo-o para caber em uma história que ultrapassa expectativas, uma distopia impactante repleta de qualidades, gerando reflexões, seja sobre conexão interpessoal ou sobre a força, a coragem e o valor de uma resistência sufocada por ameaças externas distantes e desconhecidas. Uma ode ao espírito de sobrevivência e ao impulso em direção a luta. Oblivion prova, mais uma vez e agora mais do que nunca, que a arte transcende conceitos padrões do presente e a influência voraz do passado para mostrar o que podemos ser, nossa capacidade de imaginar, criar e vislumbrar o novo e o incomensurável. Um guia para a descoberta de nossa identidade. Uma inspiração para superar os limites que nos amarram e nos impedem. Talvez tenha sido por isso que a leitura do referido poema de Horácio por Jack Harper (protagonista) tenha representado o ponto de não retorno da história. Criatividade incomum. Não podia ser diferente.