A saga que conseguiu transformar o BDSM em uma franquia para mamães entediadas e adolescentes curiosos, tudo embalado em um romance corporativo digno de uma sessão da tarde picante. É uma história de amor? É um thriller erótico? Ou apenas um manual de como assinar contratos abusivos sem ler as letras miúdas?
A trama nos apresenta Anastasia Steele, uma universitária que parece ter sido esculpida a partir de um bloco de ingenuidade pura, e Christian Grey, um bilionário que nunca ouviu falar em terapia, mas tem um catálogo de brinquedos de couro que faria qualquer sadomasoquista profissional levantar a sobrancelha e dizer: "É sério isso?" Ele é lindo, rico, misterioso e... essencialmente um stalker com tendências controladoras que seriam problemáticas até para um aplicativo de GPS.
O filme nos vende a ideia de um romance profundo, mas na prática, Christian Grey parece um gerente de RH tentando convencer uma funcionária a assinar um contrato de confidencialidade. Anastasia, por sua vez, é uma heroína que tropeça na própria sombra e passa mais tempo mordendo os lábios do que expressando qualquer traço de personalidade.
E o erotismo? Ah, sim, as cenas "picantes"! Uma mistura de soft porn com iluminação de comercial de perfume francês, onde o maior perigo não está nas chicotadas, mas no risco de pegar um tédio crônico. O filme promete explorar os limites do desejo, mas entrega um "Sadomasoquismo para Iniciantes" patrocinado por almofadas fofinhas e regras bem delimitadas—um verdadeiro conto de fadas para quem acha que Dominação e Submissão é um conceito revolucionário inventado em 2011.
No fim, Cinquenta Tons de Cinza é uma jornada fascinante para quem acha que o auge do romance é um bilionário problemático comprando um carro para a mocinha sem que ela peça. Para quem gosta de uma boa história de amor, recomendo qualquer outro filme. Para quem gosta de sadomasoquismo realista, talvez um documentário. E para quem só quer rir, bem... acredite, esse filme entrega.