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    Tudo o que sabemos (até agora) sobre Duna
    Por Renato Furtado — 04/03/2019 às 08:47
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    Um elenco desses, bicho!

    Desde o surgimento da tendência moderna dos universos cinematográficos e, é claro, das grandes franquias de Hollywood, os executivos de Los Angeles pareciam evitar justamente uma das sagas literárias que mais pede uma gigantesca adaptação para as telonas: a imensa, acalmada e influente série de ficção-científica “Duna” (1965), de Frank Herbert, originalmente composta por seis livros, que anteciparam, de certo modo, inúmeras das ansiedades contemporâneas com sua visão sobre o futuro da humanidade. E, talvez, a indústria também estivesse esperando pelo surgimento de um diretor que pudesse dar conta de um projeto tão complicado — ninguém mais, ninguém menos que o canadense Denis Villeneuve, indicado ao Oscar de Melhor Direção por A Chegada, um dos mais elogiados sci-fis dos tempo recentes.

    Mas antes de colocarmos no papel — ou melhor, na tela do computador — tudo o que já sabemos sobre a adaptação do diretor de Blade Runner 2049 para os livros de Herbert, prevista para estrear em novembro de 2020 nos Estados Unidos, é preciso viajar ao passado: seja para entender por que Duna — baseada em uma verdadeira batalha universal pelo controle dos planetas da galáxia e pela dominação dos feudos galáticos — é uma propriedade tão icônica, seja para compreender por quais motivos a mesma demorou a retornar aos cinemas. A primeira tentativa de encarar a literatura do autor vencedor do prêmio Hugo de 1966, aliás, aconteceu apenas alguns anos após o lançamento do livro original, conhecido por ser o mais vendido de seu gênero. E essa empreitada corajosa viria de um lugar inesperado.

    Detalhe da capa de Duna, lançado no Brasil pela editora Aleph.


    Subversivo, surrealista e visto por muitos simplesmente como um artista ofensivo à época, o diretor e roteirista Alejandro Jodorowsky (A Montanha Sagrada), cineasta de filmes nada convencionais, para dizer o mínimo, decidiu encarar o desafio, patrocinado por produtores franceses, em 1974. Para narrar a história de Paul Atreides, herdeiro de seu clã, uma das muitas castas nobres que governam os planetas espalhados pela galáxia — por sua vez comandada pelos membros da Casa Corrino, a mais poderosa das castas —, o realizador chileno parecia determinado a mostrar que faria o máximo para igualar a originalidade de Herbert. Por isso, resolveu escalar seu próprio filho, Brontis Jodorowsky, de apenas 12 anos à época, no papel, embarcando o menino em uma verdadeira “jornada do herói” da vida real.

    Durante dois anos, Brontis treinou sete dias por semana e seis horas por dia até aprender a andar de cavalo, lutar com facas e espadas — a especialidade do clã Atreides, os governantes do árido planeta Arrakis — e a combater nos mais diversos estilos de artes marciais, do caratê ao aikido. Enquanto isso, Alejandro Jodorowsky preparava uma verdadeira Bíblia visual para seu longa, um storyboard minucioso e extremamente completo, prevendo cada imagem e conceito visual da experiência cinematográfica de 14 horas (!!!) que planejava rodar. E para interpretar as criações de Herbert, o diretor chileno escalou um timaço de atores e celebridades composto por nomes como o lendário diretor e ator Orson Welles (Cidadão Kane), a atriz Gloria Swanson (Crepúsculo dos Deuses), o pintor Salvador Dalí e o astro Mick Jagger.
    Alejandro Jodorowsky, durante a pré-produção do inacabado Duna.

    No âmbito técnico, os efeitos especiais ficariam a cargo de Dan O’Bannon — que, posteriormente, criaria a franquia Alien ao lado do cineasta Ridley Scott — e a trilha sonora seria assinada por uma das maiores bandas de todos os tempos: Pink Floyd. A reunião de tantos talentos, no entanto, não conseguiu aplacar a apreensão com que os estúdios encararam o arriscado projeto. Sem uma casa e financiamento para a realização da gigantesca obra — cujo roteiro assemelhava-se às listas telefônicas em tamanho —, Jodorowsky acabou abandonando sua tão sonhada adaptação. O fiasco, entretanto, não impediu que os storyboards do chileno rodassem Hollywood afora, influenciando principalmente o visual de Guerra nas Estrelas, e que o projeto se tornasse ainda mais mitológico por causa do documentário Jodorowsky's Dune.

    Nos anos 1980, menos de uma década após o desligamento de Jodorowsky, Duna retornaria à baila em Hollywood com o renomado David Lynch (Twin Peaks), que acabara de ser nomeado como diretor e roteirista ao Oscar por O Homem Elefante, à frente da adaptação. A história do realizador surrealista com o sistema de estúdios dos Estados Unidos duraria muito pouco, encerrando-se com a bomba atômica, de crítica de bilheteria, que o Duna de 1984 provaria ser. Com a montagem retalhada pelos executivos da Universal, que queriam limitar o filme a duas horas de duração, pelo menos uma a menos do que a intenção original do roteiro de Lynch, a aventura acabou naufragando e o diretor demandou que seu nome fosse retirado dos créditos por causa da forte intervenção do estúdio.

    David Lynch e o autor Frank Herbert no set de Duna, em 1984.

    Os livros de Herbert só voltariam ao universo audiovisual nos anos 2000, em uma minissérie produzida pelo Sci-Fi Channel; nas telonas, por sua vez, Duna quase seria resgatado pela Paramount, pouco tempo após a produção da série limitada, por volta de 2008. Diretores como Peter Berg (22 Milhas) e Pierre Morel (Busca Implacável) foram ligados ao projeto da produtora da saga Missão Impossível, que buscaria focar principalmente nas questões ecológicas debatidas pelo autor em sua premiada ficção científica literária. O peso do insucesso das versões anteriores, o orçamento exorbitante planejado e a partida de Berg e de Morel do cargo de direção fizeram com que a Paramount engavetasse a empreitada da refilmagem em março de 2011.

    Cinco anos depois, a Legendary, estúdio conhecido por filmes como Interestelar e Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, adquiriu os direitos de adaptação dos livros de Herbert para o cinema e para a televisão. Logo foi anunciada a produção de um filme em duas partes, dirigido e roteirizado por Villeneuve, que declarou ter como objetivo principal o de fazer uma espécie de "Star Wars para adultos", uma vez que a saga de George Lucas, como vimos anteriormente, pegou muitas das ideias visuais de Jodorowsky emprestadas. O canadense, que também confirmou que não iria utilizar os storyboards do chileno como base, iniciou seu processo de escalação em meados do ano passado, seguindo os passos de seus predecessores no quesito elenco estrelado, a começar por Timothée Chalamet.

    Pascal Le Segretain / Getty Images
    O astro Timothée Chalamet.

    Mais jovem indicado ao Oscar de Melhor Ator, por seu trabalho em Me Chame Pelo Seu Nome, o "querido menino" de Hollywood assumirá o papel que seria de Brontis Jodorowsky e que foi de Kyle MacLachlan (Veludo Azul) na interpretação lynchiana de Duna: Paul Atreides. Herdeiro de seu clã, liderado pelo Duque Leto (Oscar Isaac) e por Lady Jessica (Rebecca Ferguson), seus pais, o jovem encontrará-se em meio a um conflito universal. Tudo começa quando o Imperador da galáxia, interessado em destruir a Casa Atreides, manda a família para o desértico e hostil planeta Arrakis, cuja importância justifica-se por um detalhe muito importante: a erva melange, que expande a consciência e o tempo de vida humanos, só pode ser produzida lá, já que a mesma é ligada ao ciclo de vida dos vermes gigantes que habitam o planeta.

    Assim, Arrakis é uma localidade paradoxal: ao mesmo tempo em que é estéril e que ninguém deseja ir até lá, quanto mais comandar o planeta, também é crucialmente estratégico por conta da substância especial. É isto que faz com que a Casa Harkonnen, inimiga histórica da Casa Atreides, entre em guerra com Leto. Ao ver sua família ser traída pelo Barão Harkonnen (Stellan Skarsgård), Paul é obrigado a buscar exílio com o povo Freman, tribo liderada por Stilgar (Javier Bardem). Com o grupo nômade do deserto, Paul será iniciado nas artes de combate e aprenderá a ser um mestre-espadachim, habilidades que serão essenciais para o jovem guerreiro tornar-se o líder de uma revolução interplenatária, um levante político que poderá engolir o próprio protagonista de Duna.

    O diretor Denis Villeneuve.

    Mas os cinco astros de Hollywood supracitados não são os únicos craques a compor o milionário elenco da próxima produção de Villeneuve. Além destes protagonistas, Duna também contará com Zendaya vivendo Chani, par romântico do personagem de Chalamet; Jason Momoa como Duncan Idaho, expert com espadas e grande escudeiro do Duque Leto; Josh Brolin como Gurney Halleck, leal guerreiro do clã Atreides; Dave Bautista como Glossu "A Besta" Rabban, sobrinho mais velho do Barão Harkonnen;  David Dastmalchian, que repete a parceria com Villeneuve depois de Os Suspeitos e Blade Runner 2049, na pele de Piter de Vries, membro do clã Harkonnen; e, por fim, dentre os astros já confirmados, vem Charlotte Rampling, que será a Reverenda Mãe Mohiam, mentora espiritual de Lady Jessica.

    A julgar pelo tamanho da narrativa, que trata do cruzamento de temáticas políticas, religiosas, ecológicas, tecnológicas e humans, outros nomes renomados ainda devem ser anunciados para preencher os papéis principais restantes, uma vez que as filmagens começam já no próximo semestre, com locações em Budapeste, capital da Hungria, e na Jordânia. Com distribuição mundial da Warner Bros., fotografia do indicado ao Oscar Greig Fraser (Lion - Uma Jornada para Casa, Rogue One) e montagem do também nomeado à premiação da Academia Joe Walker (A Chegada), a primeira parte da épica adaptação de Denis Villeneuve para a trama feudal-galática tem data de estreia marcada para o dia 20 de novembro de 2020. A segunda metade de Duna, por sua vez, ainda não tem previsão de lançamento.

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