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A História dos Blockbusters - Parte 6: Os universos cinematográficos e um império intergalático
Por Renato Furtado — 08/04/2018 às 07:53
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A casa de Mickey Mouse domina as bilheterias e dita o futuro da indústria cinematográfica.

Este é o sexto e último capítulo de A História dos Blockbusters, minissérie em seis partes do AdoroCinema. Confira a Parte 1: Sobre épicos, cineastas autorais e tubarões, a Parte 2: Em uma galáxia muito, muito distante..., a Parte 3: Os reis do mundo, a Parte 4: A jornada dos heróis e a Parte 5: Sobre vampiros, avatares e distopias.

US$ 4 bilhões. Este era o valor de uma Marvel que ainda estava longe de ser o que é hoje. Em 2009, logo após os lançamentos de Homem de Ferro (US$ 585 milhões) e O Incrível Hulk (US$ 263 milhões) - ambos mencionados na Parte 4 desta minissérie -, a companhia entraria na mira da Disney e seria comercializada pela astronômica cifra supracitada - que segundo Avi Arad foi uma bagatela -, marcando o ponto zero do império que conhecemos hoje e que dita toda as normas que devem ser seguidas por suas concorrentes. A casa de Mickey Mouse comprou inclusive os direitos de distribuição de todos os longas da Marvel, que seriam propriedade da Paramount até 2012. Iniciava-se assim a etapa que viria a ser conhecida como a Fase 1 do Universo Cinematográfico Marvel - ou a fase da reunião dos Vingadores.

O UNIVERSO COMPARTILHADO

O planejamento de construir uma constelação de filmes compartilhados já era um sonho de Kevin Feige, promovido à presidência da divisão cinematográfica da Marvel em 2007, desde a época em que a entrada da Disney na jogada não passava de um rumor distante. De acordo com o produtor e chefe estrategista do UCM, todos os envolvidos sabiam que aquele era um conceito inédito e todos entraram no projeto com a ciência de que o mesmo teria que funcionar, custe o que custar. "Os outros diretores não estão acostumados a trabalhar com atores de outros filmes que foram escalados por outros diretores, alguns elementos da trama e algumas locações estão conectadas, mas creio que todos estão dispostos a fazer isso e pensam que será divertido. Primeiramente porque sempre mantivemos nossa posição de que cada filme vem em primeiro lugar. Todo o tecido de conexão, todas essas coisas são divertidas e serão muito importantes se assim você quiser. Se os fãs quiserem procurar e encontrar conexões, elas estão lá. Existem algumas grandes, obviamente, que esperamos que o público em geral possa acompanhar. Mas a razão pela qual todos os diretores estão dispostos a fazer isso é porque os filmes deles precisam ser autônomos. Precisam ter uma visão fresca, um tom singular; o fato de que eles podem se conectar se você quiser seguir as migalhas é apenas um bônus", finalizou o produtor.

Não poderíamos explicar melhor o conceito de um universo compartilhado do que seu próprio arquiteto. Mas a constelação de obras da Marvel, todas situadas dentro de sua própria realidade específica e todas produzidas em prol de um mesmo objetivo comum - como degraus de uma mesma escada, a grosso modo -, não foi a primeira da história da sétima arte. De fato, o primeiro universo compartilhado do cinema é o dos Monstros da Universal. Ativo entre os anos de 1931 e 1951, o Universo dos Monstros não foi pensado da mesma forma como o UCM foi gestado, mas compartilha algumas características interessantes com seu “irmão” mais novo, principalmente no que se refere ao fato do retorno de atores a papéis já conhecidos do público (Bela Lugosi como DráculaBoris Karloff como Frankenstein, por exemplo) em uma só linha narrativa cujas obras singulares se conectavam ocasionalmente. O que a Marvel fez, portanto, foi basicamente replicar o conceito originado pela Universal nos primórdios do cinema falado, atualizar a ideia para a contemporaneidade - adicionando sua brilhante utilização das cenas pós-créditos, que funcionam como apêndices do filme em questão para preparar a audiência para o próximo sem necessariamente usar o tempo de tela “oficial” para tanto - e planejar.

O sucesso do Universo Cinematografico Marvel, principalmente quando comparado a outros universos cinematográficos recentes, pode ser explicado simplesmente pelo fato de que Feige e sua equipe desenharam cada passo do caminho com uma minuciosidade assombrosa e com a naturalidade de quem entrelaçava linhas narrativas há muitas décadas - afinal de contas, o conceito de Universo compartilhado é bem próximo ao dos eventos conectados dos quadrinhos. O desenvolvimento do UCM não foi ocasional como o do que pode ser chamado Universo Freddy vs Jason ou mero caça-níqueis como o suposto Universo Alien vs Predador; no caso da Marvel, todas as escolhas e decisões criativas caminham em prol de um mesmo fim delimitado, uma tonalidade estética única e uma fórmula de imenso êxito que hoje vale mais de US$ 15 bilhões, quando somadas as bilheterias de todas as 18 obras lançadas até agora. É por isso que o estúdio logo deu prosseguimento ao seu herói de maior sucesso ao invés de apresentar mais uma história de origem ao público.

Em abril de 2010, Homem de Ferro 2 chegaria às telonas. É certo que o longa novamente dirigido por Jon Favreau, quando visto com o distanciamento que o tempo hoje nos permite, já carrega alguns dos elementos que seriam levantados no futuro para criticar negativamente as produções do Universo Cinematográfico Marvel, particularmente no âmbito do vilão da aventura (Mickey Rourke, em uma espécie de renascimento de sua carreira após o aclamado O Lutador), raso e um tanto quanto esquecível; por outro lado, Homem de Ferro 2 também ajudou a cimentar a estética do UCM, com seu foco na ação e no humor ainda mais realçado depois do enorme sucesso da performance de Robert Downey Jr. no primeiro longa. Com US$ 623 milhões arrecadados - mas com a partida de Favreau do cargo de diretor, que seria o responsável pelo vindouro Os Vingadores, mas preferiu se afastar por causa das imposições criativas do Universo compartilhado -, Homem de Ferro 2 abriu espaço para o estabelecimento do UCM, apresentando a S.H.I.E.L.D., o Nick Fury de Samuel L. Jackson e a Viúva Negra de Scarlett Johansson, dois dos personagens mais queridos pelos fãs.

É difícil imaginar um momento onde o Capitão América e o Thor tenham corrido o risco de ser levados para longe do controle da Marvel como a Fox e a Sony fizeram com os X-Men e o Homem-Aranha, respectivamente, mas este era definitivamente o caso em 2005. Os direitos de adaptação cinematográfica dos heróis que viriam a ser interpretados por Chris Evans e por Chris Hemsworth foram entregues como garantia colateral aos bancos e investidores que emprestaram dinheiro para a Marvel no caso de um eventual fiasco de Homem de Ferro. Como foi o cenário contrário que acabou se concretizando, o estúdio pôde dar um passo à frente com o patriótico super-herói e o Deus do Trovão e iniciou a pré-produção de ambas as suas histórias de origem em 2010, com dois cineastas consagrados no comando.

Se mais recentemente o estúdio viria a apostar em diretores independentes e/ou iniciantes nos moldes de Favreau - leia-se: menos propensos a questionar as decisões criativas de Feige e de sua equipe, os verdadeiros arquitetos narrativos de toda a constelação de aventuras da Marvel -, a situação era completamente diferente em 2011: a companhia escalou o veterano do cinema de aventura e aprendiz de Steven SpielbergJoe Johnston (Jumanji) e o extremamente técnico e shakesperiano Kenneth Branagh (Assassinato no Expresso do Oriente) para realizar Capitão América: O Primeiro Vingador (US$ 370 milhões) e Thor (US$ 449 milhões), respectivamente. Ainda que não tenham retornado a trabalhar com a Marvel, Johnston e Brannagh corrigiram o curso das embarcações - ambos os projetos atravessaram problemas de produção durante anos - e introduziram mais dois Vingadores ao UCM, mostrando outros caminhos narrativos, dramáticos e estéticos para além das comédias de ação pelas quais a Marvel seria celebrada atualmente.

Sem Favreau, que retornaria ao cinema indie após sua incursão no terreno dos blockbusters, a Marvel foi obrigada a encontrar outro cineasta para escrever e dirigir aquele que era seu projeto mais ambicioso até então: Os Vingadores. O individuo escolhido para assumir a hercúlea tarefa foi Joss Whedon, favorito do mundo nerd. Em afinidade extrema ao projeto de Feige para o UCM, o realizador aumentou o volume de tudo que havia sido feito até então. É em Os Vingadores que Loki (Tom Hiddleston) assume seu posto como um dos vilões mais potentes da história recente da cultura popular; que as Joias do Infinito entram na mira de Thanos; e que o próprio Titã Louco (Josh Brolin) sai das sombras, em uma das mais icônicas cenas pôs-créditos do UCM. Com Mark Ruffalo substituindo Edward Norton como o Hulk/Bruce Banner definitivo e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) ganhando maior relevância, Os Vingadores tornou-se o Guerra nas Estrelas da Marvel: globalmente aclamado, responsável por gerar uma linha de produtos derivados e um tremendo blockbuster, um dos maiores da história com US$ 1,5 bilhão arrecadado.

A CONCORRÊNCIA

Assim que a Marvel assumiu o topo do cinema de super-heróis, a Fox e a Sony decidiram tentar reproduzir os êxitos conquistados uma década antes com as trilogias X-Men e Homem-Aranha. Para tanto, as companhias se fizeram valer de dois reboots bastante precoces, principalmente motivados pela pífia recepção tanto de X-Men: O Confronto Final quanto pela duvidosa conclusão de Sam Raimi para sua trilogia do Cabeça de Teia. Enquanto a Warner seguia focada em finalizar o trio de filmes do Homem-Morcego de Christopher Nolan, os dois estúdios supracitados lançaram X-Men: Primeira Classe (US$ 353 milhões) e O Espetacular Homem-Aranha (US$ 757 milhões) - ambos foram duramente criticados pelos fãs mais antigos, mas o primeiro dos dois acabou dando início a mais uma bem-sucedida trilogia; o segundo não teve a mesma sorte, contratempo que a Marvel, aliás, apreciaria bastante.

Os Vingadores - The Avengers Trailer Legendado
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