“Isso me assusta": Diante de O Agente Secreto, Wagner Moura fala sem rodeios sobre importância política do filme
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Filme de Kleber Mendonça Filho chega aos cinemas brasileiros em novembro.

Wagner Moura está vivendo um dos maiores momentos de sua carreira internacional. Conhecido por sua versatilidade nas telonas e na TV brasileira, o astro tem seguido por um caminho misto entre trabalhos nacionais e estrangeiros. O que se diferencia neste momento é que a repercussão de O Agente Secreto tem repercutido nos principais festivais de cinema tem levado a arte do Brasil para todo o mundo.

Vencedor do prêmio de Melhor Ator em Cannes, o artista tem seguido uma trajetória bonita por algumas honrarias ao lado do diretor Kleber Mendonça Filho. Em entrevista à Variety durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto, ele confessou que "foi libertador fazer algo em português novamente" com o papel neste thriller que vem fomentando campanha para o Oscar 2026 em um trabalho misto liderado pela Neon e Vitrine Filmes.

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"A última vez que atuei na minha língua foi há mais de uma década. Voltar para casa, para Recife, para trabalhar com o Kleber — foi como retornar às raízes do meu trabalho como ator", refletiu ele.

Kleber tem sua cinematografia conhecida mundo afora. Longas como Bacurau, Aquarius e Retratos Fantasmas repercutiram por toda a indústria cinematográfica de maneira ampla, além de ter preciosidades como O Som Ao Redor no currículo, um dos melhores títulos brasileiros das últimas décadas. Sobre o trabalho com o cineasta, Wagner compartilhou que o realizador é simplesmente sua "alma gêmea cinematográfica".

Vitrine Filmes

Ele explica: “Ele é profundamente político, mas também profundamente brasileiro. Ele consegue pegar influências de filmes americanos dos anos 1970 — as lentes, a estrutura — e fazer disso algo que pertence apenas ao Brasil. Isso é raro.”

Moura também comentou sobre seu próximo filme atrás das câmeras, Last Night at the Lobster, uma adaptação do livro de Stewart O'Nan estrelada por Elisabeth Moss, Brian Tyre Henry e Sofia Carson. Descrito como um "filme de Natal anticapitalista", o projeto acompanha uma franquia do restaurante Red Lobster prestes a fechar durante uma nevasca próxima ao feriado natalino. "É sobre empatia e generosidade. Não existe mágica vinda do Papai Noel. A mágica vem das pessoas", diz Moura.

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De volta a O Agente Secreto, a entrevista com o ator se encerra com uma importante ponderação do artista sobre a temática do longa-metragem, que reverbera um dos momentos mais perturbadores da história nacional:

“Os brasileiros sabem o que é ditadura. Os americanos não. É por isso que fomos eficientes na defesa da democracia quando nossas instituições foram atacadas. Aqui nos EUA, as pessoas às vezes tomam a democracia como garantida. Isso me assusta.”

O Agente Secreto estreia nos cinemas brasileiros em 6 de novembro.

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