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    Game of Thrones S06E06: Blood of my Blood
    Por Laysa Zanetti — 30 de mai. de 2016 às 04:19
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    A volta dos que não foram.

    ATENÇÃO: Contém SPOILERS do episódio 06 da sexta temporada de Game of Thrones, Blood of my Blood.

    Deve ser bem difícil ser o episódio que vem na sequência de "Book of the Stranger" e "The Door", os episódios quatro e cinco (e por enquanto os melhores) da sexta temporada de Game of Thrones. Os dois episódios foram recheados de momentos marcantes e que tomaram conta da internet, de Dany queimando os khals ao reencontro de Sansa e Jon e à devastadora revelação de Hodor. O episódio seis, Blood of my Blood, tira um pouco o pé do acelerador para plantar algumas sementes que devem render frutos nesta metade final da temporada. Necessário, mas... visto isolado, pouco animador.

    O episódio se baseia em uma coluna vertebral que, de uma certa forma, transpassa por todos os arcos que são nele abordados. Há alguns inesperados retornos, e começando exatamente de onde encerrou o episódio anterior, voltamos ao norte da Muralha com Bran (Isaac Hempstead-Wright) e Meera (Ellie Kendrick) tentando fugir dos Caminhantes Brancos e sendo salvos por uma misteriosa figura... não tão misteriosa assim. Duas coisas importantes acontecem na história de Bran, sem sombra de dúvidas a mais significativa do episódio: O retorno de Benjen, personagem desaparecido desde o início da história, e os curtos flashes vistos por Bran em seu sonho.

    Tio Benjen assume aqui a posição de Mãos Frias, personagem que nos livros conduz Bran e Meera quando eles estão indo ao encontro do Corvo de Três Olhos (uma espécie de Caminhante Branco do bem, digamos assim). Já houve teorias sobre ele ser Benjen, mas o próprio George R.R. Martin já alegou que não é verdade.

    É claro, é um toque singelo trazer de volta algum Stark, principalmente este cujo paradeiro é especulado há anos, mas a escolha de trazê-lo confirmando uma teoria que o próprio Martin já negou parece ser apenas mais uma decisão feita para agradar ao público (o famoso fanservice), e não para servir à história. Existe uma diferença sutil entre provocar reviravoltas que fazem diferença na história e substituir um personagem simplesmente para dizer que há um Stark a mais no jogo. À primeira vista, parece que a segunda opção é a que mais se encaixa com o que aconteceu com o retorno de Benjen.

    O segundo detalhe importante na história de Bran é consideravelmente mais empolgante e significativo. O garoto vê os momentos das mortes da mãe e do pai, mas vê também o Rei Aerys II ordenando atear fogo (em alguém?), uma mão ensanguentada (possivelmente de Lyanna em seu leito de morte), o momento em que Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) comete o regicídio, além de ver Dany (Emilia Clarke) com os dragões, tomadas da Batalha de Durolar (do episódio "Hardhome", da quinta temporada), e até um dragão sobrevoando uma cidade. O fato de a série ter se esforçado para mostrar tantos pequenos detalhes, inclusive o assassinato do Rei Louco e sua obsessão por fogo (que não são exatamente pequenos detalhes) é algo que provavelmente ainda vai se amarrar e ser justificado até o fim da temporada, assim como a visão pouco reveladora que tivemos (por enquanto) da Torre da Alegria. Por isso, é bom prestar atenção a estes detalhes, e também ao fato de que Bran, agora, sabe de tudo, inclusive dos dragões e Daenerys. Essas informações nunca estão ali sem propósito.

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    Algumas das cenas das visões de Bran.

    Felizmente, Benjen não é o único Stark que volta à cena, e do outro lado do Mar Estreito, Arya Stark (Maisie Williams) ascende novamente. Sem surpresas, a garota acaba se identificando mais do que esperava com Lady Crane (Essie Davis), atriz que interpreta Cersei na peça teatral e seu potencial alvo, e por isso não consegue cumprir a ordem que recebeu. Vê-la resgatar Agulha e guardar a espada entre suas coisas antes de dormir é a última confirmação do fato de “Ninguém” jamais ter deixado de ser Stark. Sutileza nunca foi exatamente o ponto forte de Game of Thrones, e talvez esta seja a cena em que isso fica mais evidente no episódio. A história de Arya com os Homens sem Face tem sido particularmente desequilibrada. Nada acontecia nos primeiros episódios e pouco sabemos sobre a origem deles. De repente, acontece uma mudança brusca nas vontades da garota que é bastante difícil de identificar ao olhar para os episódios anteriores. Ela estava disposta a passar pelo treinamento, já havia superado algumas fases ‘difíceis’ e até ajudado a matar algumas pessoas na Casa do Preto e Branco, e então ‘muda de ideia’. É claro que é possível entender que ela foi motivada pela emoção de reviver os momentos que a lembraram de seu pai e sua irmã, mas em se tratando de uma personagem tão complexa e interessante quanto Arya, é de se esperar um tratamento um pouco mais dedicado às dúvidas que ela teria e às suas motivações. 

    Um pouco distante dos grandes acontecimentos, Sam (John Bradley-West) chega a Monte Chifre com Gilly (Hannah Murray). Neste que é mais um dos reencontros do episódio, o filho mais velho de Randyll Tarly (James Faulkner) acaba enfrentando novamente as críticas do pai, que sempre faz questão de menosprezá-lo e rebaixá-lo. O momento faz com que Samwell sinta a necessidade de tomar uma decisão, e rouba a espada de aço valiriano da família, Heartsbane (Veneno do Coração). A cena parece sem importância à primeira vista, mas é carregada de significado. Aço valiriano é o único material além de vidro de dragão capaz de matar os Caminhantes Brancos, e o desvio no caminho de Sam provavelmente aconteceu somente para que ele tomasse posse da espada. Ainda assim, foi um belo toque fazer com que fizesse isso provando a si mesmo, de certa forma, que não teme mais o pai.

    Tivemos, então, Bran reencontrando tio Benjen; Arya reencontrando ela mesma; e Sam reencontrando os pais, e a coragem. Em Porto Real, quem toma conta da cena é Margaery (Natalie Dormer), e seu reencontro é com o marido, Tommen (Dean-Charles Chapman). Em uma jogada à la Isabel de Castela e Fernando de Aragão, ela parece tê-lo convencido a se alinhar ao Alto Pardal (Jonathan Pryce), e ter concedido à Fé poder político sobre os Sete Reinos. Sabendo da genialidade de Margaery, é bem evidente que ela esteja armando algum plano por trás de tudo isso para conseguir libertar o irmão. Mesmo neste momento mais “empolgante”, a história de Porto Real nessa temporada chega à metade com um desenvolvimento extremante fraco, e a abordagem maniqueísta do embate entre a Fé Militante e o Trono de Ferro apenas reforça o quanto a história ficou cansativa, rasa e sem propósito. E nem vamos falar no quanto Jaime foi apagado e só serviu para ficar atrás da Cersei até agora...

    Tudo indica que Jaime vai ganhar alguma atenção a partir dos próximos episódios, pois ele deve enfim seguir o destino que o personagem toma nos livros, e vai para a região fluvial resolver os conflitos entre os Frey e os Tully. No retorno da infinita prole de (Argus Filch) Walder Frey (David Bradley), reencontramos também Edmure Tully (Tobias Menzies), irmão de Catelyn, sobrevivente do Casamento Vermelho. Lembra dele? O outro Tully que é mencionado é Brynden “Peixe Negro”, ou Black Fish (Clive Russell), tio de Catelyn que está de posse do Castelo de Correrrio enquanto o sobrinho é feito cativo pelo Senhor da Travessia. A última vez que as Terras Fluviais apareceram foi na terceira temporada.

    O último reencontro é o de Dany com seu filho rebelde, Drogon. Enquanto a cena final do episódio 4, em que ela incendeia os khals, mostrou Daenerys como algum tipo de “entidade intocável” pelo fogo e a ser temida, é aqui que é possível vê-la realmente como uma rainha que merece o título, está disposta a lutar por ele e tem os meios necessários para alcançá-lo. Ou quase todos, só faltam uns mil navios. Algo diz que eles podem estar chegando... não é mesmo, Yara Greyjoy (Gemma Whelan)?

    Novamente, a cena final de Dany até traz empolgação, mas não é nada que já não tenha acontecido antes. O episódio soou como uma grande preparação para os próximos grandes momentos, e é compreensível que ele precisasse ser mais calmo, até mesmo para contrabalancear. Não dá para todo episódio ter um grande momento chocante, caso contrário eles deixam de ser grandes momentos chocantes. O que incomoda não é o ritmo, é a previsibilidade de cenas. Os momentos de tensão, como a iminente Caminhada da Penitência de Margaery, ou Arya cumprir ou não a ordem de matar Lady Crane, foram totalmente previsíveis, causando pouca emoção, frente ao que poderiam. Até essa necessidade cansativa de reafirmar quem é Daenerys semana sim, semana não, aponta com uma obviedade maior que a necessária qual será o caminho da série no fim.

    Quando o episódio acaba, parece ter sido uma grande piada sem a parte engraçada.

    Nota: 2,5

     


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