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    Game of Thrones - S06E03: E o Quebrador de Promessas é...
    Por Laysa Zanetti — 9 de mai. de 2016 às 03:42
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    Leia a nossa crítica do episódio 3 da 6ª temporada de Game of Thrones

    Atenção: contém spoiler do episódio 3 da 6ª temporada de Game of Thrones, Oathbreaker. 

    A vontade do povo foi feita, Jon Snow ressuscitou. E agora a história começa. O terceiro episódio da sexta temporada de Game of Thrones, Oathbreaker — ou quebrador(a) de promessas, em tradução livre — estava carregado de expectativas antes mesmo de ser exibido, com a promessa de finalmente revelar o que acontece na histórica passagem da Torre da Alegria e, possivelmente, acabar com o mistério sobre quem é a mãe de Jon Snow ao confirmar a teoria R+L=J (da qual já falamos aqui). Mas a maior preocupação do episódio não foi atar os nós do passado, mas continuar unindo, a passos curtos e lentos, as tramas do presente.

    Oathbreaker começa exatamente de onde Home terminou, com Snow acordando. Extremamente desorientado, Jon não entende exatamente o porquê de estar vivo, já que a última lembrança que tem é a de ter sido esfaqueado pelos irmãos da Patrulha. Este início de episódio faz um bom trabalho ao estabelecer que Jon Snow não é mais a mesma pessoa, e com a simples revelação de que não havia nada do outro lado, ele já deixa claro que, agora, a sua motivação para estar vivo vai se modificar. A impressão que fica é de um Jon Snow efetivamente endurecido pela morte, e com uma repentina (e plausível) pressa de viver. A ressurreição teve suas implicações para o bastardo, e isso pode enfim colocá-lo mais ao centro da batalha pelo poder nos Sete Reinos.

    Uma surpresa foi a cena do flashback ter aparecido tão no início do episódio. Mas o que pareceu ser uma coisa boa logo se provou um tanto frustrante para muitos fãs. O flashback da Torre da Alegria poderia ser a primeira grande revelação da história de George R.R. Martin a ser adiantada pela série (isso partindo do pressuposto que ela acontecerá da mesma forma na série e nos livros), mas a cena não mostrou nada que já não fosse conhecido. Quando Ned e Howland Reed derrotam Sor Artur Dayne, Ned ouve sua irmã Lyanna gritando no alto da Torre e parte ao seu encontro, mas o Corvo decide que ainda não é a hora para Bran (ou para o público) descobrir o que de fato aconteceu ali. A tática parece um tanto barata, por assim dizer. O flashback foi mencionado até mesmo no trailer do episódio, e o que era para ser grande expectativa, transformou-se em mais uma frustração. É bastante provável que, eventualmente, Bran retorne àquele momento e a segunda parte do flashback finalmente seja mostrada. A decisão de mostrar apenas a primeira parte da passagem pareceu uma espécie de introdução para os que não conhecem a história dos livros, para simbolizar que ela será importante no futuro e, talvez, deixar todos com a mesma curiosidade. Algo não necessariamente ruim e até compreensível. Ruins, de verdade, são os diálogos em que Bran e o Corvo de Três Olhos precisam a todo momento explicar o parentesco de todos os personagens, como se eles fossem uma espécie de guia. “Olha, aquele é Howland Reed, pai de Meera Reed, (pessoal que não leu os livros)!”

    Por outro lado, o que não é surpresa nenhuma é ver o arco de Meeren e de Dany tornando-se, infelizmente, cada vez menos interessante. Ausente do episódio dois sem ter feito nenhuma falta, a Rainha Dragão agora chegou no templo das dosh khaleen, em Vaes Dothrak, onde a sua história continua... vazia de propósito. O povo dothraki é bem interessante e as dosh khaleen guardam muitos segredos, mas por enquanto o retorno deste povo à trama tem sido mal aproveitado. Seria bem interessante vê-los sendo mais explorados nos próximos episódios, mas resta aguardar. Tyrion e Varys, enquanto isso, descobrem que vão precisar lidar com uma iminente guerra em Meeren contra as cidades vizinhas Yunkai e Astapor, o que certamente vai colocar as habilidades políticas dos dois de volta no centro da trama. Tudo isso até que promete bons momentos mas, convenhamos... a este ponto, será que os dragões não podem aparecer logo para salvar o dia?

    Em Porto Real, a trama finalmente ganha mais complexidade. Já não sem tempo, outros personagens, os membros do Pequeno Conselho, de fato aparecem! A revelação da identidade dos passarinhos de Varys, que agora respondem a Qyburn, foi bem interessante, assim como o retorno de Lady Olenna Tyrell, personagem muito inteligente que sempre rende boas cenas e diálogos. Do outro lado da cidade, o Alto Pardal começa a tecer influências sobre o Rei Tommen, mas Jaime e Cersei já armaram o plano de derrotar a Fé através de um julgamento por combate, utilizando Gregor Clegane como o Campeão. Tudo vai se construindo para que um grande embate aconteça na libertação de Margaery e Loras. Politicamente, é de uma atualidade impressionante observar o quanto o equilíbrio de poder entre Estado e Religião é o que conduz este cabo-de-guerra. Agora que os dois grandes pilares atuam em lados opostos, fica apenas mais evidente o quanto esta aliança era importante para o Trono de Ferro.

    Outra parte da história que enfim ganhou algum ritmo foi o treinamento de Arya. Enquanto nos primeiros dois episódios, “uma garota” parecia não ter arco, agora de volta ao templo a história parece ter ganhado um pouco mais de força. O que incomoda, porém, é o ritmo descompassado — nos dois primeiros episódios, nada acontece, e em uma única cena do episódio seguinte, a personagem já está completamente transformada. O lado bom é que, nesse ritmo, pode ser que Arya (ou Ninguém?) volte ao jogo e à trama central em breve. Tomara.

    Por falar em Starks de volta à trama central, o arco de Winterfell trouxe um deles de volta, e de uma forma que não é exatamente a favorita dos fãs. Aparentes aliados da Casa Stark, os Umber apareceram para jurar lealdade a Ramsay Bolton. Pequeno-Jon Umber afirma que o seu motivo é estar contra Jon Snow ter trazido os Selvagens para o lado sul da Muralha e, como prova de sua lealdade, ele entrega de presente ao psicótico Senhor de Winterfell duas novas vítimas: Osha e Rickon. O choque fica por conta do retorno já sofrido do filho mais novo de Ned e Catelyn, entregue a Ramsay e com sua vida potencialmente em risco. Principalmente sem o seu lobo gigante, Cão Felpudo, para protege-lo. Há uma pequena parte do público da série que ainda acredita que a jogada de Umber pode fazer parte de um plano maior para retomar o norte, e que aquele não era Cão Felpudo. Mas, a este ponto, é bem difícil especular sobre este arco. De uma forma ou de outra, apenas Ramsay se divertindo enquanto tortura algum Stark. Nada de novo sobre a neve.

    E o Quebrador de Promessas?

    Mais uma vez, o episódio começa e termina na Muralha. Jon cumpre sua última tarefa como Lorde Comandante da Patrulha da Noite através da punição dos traidores – Olly incluso, rendendo o maior choque do episódio. E agora, ele abandona a Patrulha e volta os olhos para outro lugar: Winterfell.

    No geral, o episódio não teve grandes momentos ou grandes surpresas, com boa parte das revelações já esperadas e outras, nem tanto significativas. Nem mesmo o retorno de Sam trouxe alguma novidade. Por enquanto, a temporada parece estar apenas construindo tensão e reunindo histórias para dois iminentes combates: Jon contra Ramsay em Winterfell, e Coroa contra Fé em Porto Real.

    Obs: #CãoFelpudoVive #VoltaNymeria

    Cão Felpudo/Shaggydog.

    Nota: 3

    O AdoroCinema publicará uma crítica de cada episódio da sexta temporada de Game of Thrones. Aguarde a próxima, no dia 16 de maio.

     

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