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    5 filmes de sucesso que irritaram as famílias dos retratados
    Por Caio Garritano — 11 de fev. de 2021 às 21:00
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    Era uma vez em...Hollywood e Titanic são só algumas dessas produções que tiveram um desentendimento com a família das personalidades representadas.

    Quem não adora uma boa história baseada em fatos reais? Pode ser de terror ou suspense, sobre assassinos em série, cinebiografias, alguns parecem até mentira, mas fato é que esses filmes fazem muito sucesso com o público justamente por se aproximarem com a vida de quem assiste e por trazerem um peso extra à história como um todo.

    Quão realistas são os filmes baseados em fatos reais?

    Acontece que às vezes, determinados personagens que realmente existiram são retratados de uma maneira que não agrada às famílias envolvidas, chegando a causar um certo mal-estar com a produção, ou até mesmo uma grande rejeição. Pensando nisso, o AdoroCinema listou 5 filmes que não agradaram nenhum pouco os familiares das personalidades que foram retratados. Confere só:

    Titanic

    O filme dirigido por James Cameron não agradou os familiares de William Murdoch, interpretado no filme por Ewan Stewart. Ele era o Primeiro Oficial a Bordo do Titanic e estava no comando quando o navio bateu no iceberg que causou o acidente.. 

    De acordo com os relatos da época do acontecimento, testemunhas viram o oficial ordenar a evacuação do navio e ajudar as pessoas a entrarem nos botes salva-vidas, ele não conseguiu sobreviver. No filme, provavelmente para aumentar a tensão, Cameron colocou William Murdoch aceitando um suborno de Cal Hockley (Billy Zane), em troca de um assento garantido em um dos botes. Em uma outra cena, ele chegou a usar sua arma duas vezes contra passageiros que estavam em pânico, antes de acabar com a própria vida. 

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    Algumas testemunhas afirmaram ter ouvido tiros após deixar o navio, enquanto outras dizem  ter visto um oficial atirando em passageiros na tentativa de controlar a multidão. No entanto, nenhum depoimento identificou o responsável e muito menos apontaram para o primeiro oficial. William Murdoch. O relato do suposto suicídio do oficial também jamais foi confirmado.

    Essas cenas causaram revolta na cidade natal de Murdoch, Dalbeattie, e levaram a uma reclamação liderada pelo sobrinho de Murdoch, que na época estava com 80 anos. Os produtores chegaram até a pedir desculpas publicamente, argumentando que o oficial também foi retratado como um herói que lutou para carregar as canoas da melhor maneira que pôde. Até o vice-presidente da 20th Century Fox, Scott Neeson, se envolveu na confusão e  visitou a cidade de Dalbeattie pessoalmente para se desculpar com o sobrinho de Murdoch.

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    Green Book - O Guia

    Vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2019, Green Book - O Guia foi escrito por Nick Vallelonga, filho mais velho de Tony Lip, que é interpretado no filme pelo ator Viggo Mortensen. Na história, ele é um segurança contratado para proteger o mundialmente famoso pianista negro Donald Shirley, interpretado por Mahershala Ali - conheça melhor as figuras que inspiraram o filme. Por trás dessa história, acompanhamos a segregação racial presente no Estados Unidos de 1962 e o início do Movimento pelos Direitos Civis. 

    A família do Dr. Shirley considerou o filme "na melhor das hipóteses, um insulto", e ressaltou que a amizade entre Tony Lip e Donald Shirley foi completamente inventada. Para eles, a relação entre os dois personagens do filme nunca pareceu amizade. "Ele demitiu Tony!", contou um dos irmãos do pianista durante uma entrevista. Para a sobrinha de Donald Shirley, Carol, o filme foi "a visão de um homem branco da vida de um homem negro [...]". Já o seu sobrinho Edwin acrescentou que seu tio nunca quis um filme feito sobre ele e que ele também havia recusado várias propostas antes. Até o ator Mahershala Ali veio a público pedir desculpas: "se eu te ofendi, lamento profundamente. Fiz o melhor que pude com o significado que me foi dado".

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    Era Uma Vez em...Hollywood

    Quentin Tarantino chegou a concorrer ao Oscar por Era Uma Vez em...Hollywood e foi aclamado pela crítica. Em meio a história, vemos um Bruce Lee muito seguro de si mesmo, para não dizer arrogante. Provavelmente, você deve se lembrar da cena em que  o ator, diretor e mestre das artes marciais se vangloria em um set de filmagem por ter vencido o boxeador Mohammed Ali antes de provocar uma briga com um dublê. 

    Em entrevista ao The Wrap, a filha de Bruce Lee, Shannon Lee, revelou que não havia sido consultada pelo diretor sobre seu pai, e não escondeu seu aborrecimento com a maneira que foi feito: “Eu entendo que eles queriam fazer do personagem do Brad Pitt uma pessoa super durona que pudesse derrotar Bruce Lee, mas não precisavam tratá-lo como a Hollywood branca da época.Ele é mostrado como um babaca arrogante, e não como alguém que teve de lutar três vezes mais para realizar o que naturalmente foi dado aos outros”. 

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    Tarantino foi questionado sobre o assunto, e afirmou em entrevista à Variety, "Bruce Lee era um cara um tanto arrogante. A maneira como ele se expressou, eu não inventei. Eu o ouvi dizer coisas assim. As pessoas afirmam que ele nunca disse que poderia vencer Muhammad Ali, e bem, ele disse. Até mesmo a sua esposa, Linda Lee, relatou isso na sua primeira biografia". 

    Em resposta ao diretor, Shannon Lee desabafou à Variety: "Ele poderia simplesmente calar a boca. Isso seria muito bom. Ou ele poderia se desculpar e dizer ‘Eu realmente não sei quem foi Bruce Lee'. Eu o descrevi dessa forma no meu filme, mas não deve ser interpretado como um reflexo do que ele realmente era”.

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    Tolkien

    Em 2019, Dom Karukoski resolveu produzir um filme biográfico sobre J. R. R. Tolkien, o criador do universo de O Senhor dos Anéis, considerado por muitos como o pai da fantasia moderna. Em vez de abordar todas as fases da vida deste grande escritor, eles optaram por explorar somente sua juventude, as experiências que o moldaram e o marcaram, como a Primeira Guerra Mundial, até todas as influências que inspiraram sua atividade criativa.

    A Fundação Tolkien e a família do escritor não aprovaram desde o início a produção deste filme. Eles são conhecidos por serem muito cuidadosos com a gestão da herança e patrimônio dele. Em 2012, se envolveram em um impasse legal com a Warner Bros por violação de direitos autorais e quebra de contrato, e exigiu 80 milhões em danos. A batalha durou cinco anos, terminando em 2017 com um acordo amigável.

    Na época, a fundação chegou a emitir o seguinte comunicado: "A família de J.R.R. Tolkien e a Tolkien Foundation descobrem que um filme chamado 'Tolkien', produzido pela Fox Searchlight, deve ser lançado em maio de 2019. A família e a fundação desejam esclarecer que não endossaram, autorizaram ou participaram da realização do filme de forma alguma”. 

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    A Luta Pela Esperança

    Protagonizado por Russell CroweA Luta Pela Esperança conta a história de Jim Braddock, um ex-boxeador que foi obrigado a se aposentar prematuramente devido a uma série de derrotas no ringue. Com os Estados Unidos em meio à Grande Depressão, Jim aceita viver de bicos para poder sustentar sua família. De uma hora para outra, ele consegue voltar aos ringues e vence 3 lutas seguidas, ganhando o apelido de “Cinderella Man”, por sua ascensão e sucessos parecerem com um conto de fadas. Até que chega o momento em que ele precisa enfrentar seu pior oponente: Max Baer (Craig Bierko), o atual campeão mundial dos pesos pesados, que já matou dois lutadores no ringue.

    O filho de Max Baer não ficou muito contente com a visão que o diretor Ron Howard passou do seu pai nas telonas. Ele não gostou que seu pai foi colocado como um bruto sanguinários que chegou a dizer para a esposa de Braddock que ficaria com ela depois de acabar com seu marido no ringue. Jeremy Schaap, autor do livro que inspirou o filme, apoiou o filho de Max Baer e afirmou: "Seu pai era uma pessoa muito respeitável e respeitada fora do ringue, e foi até mesmo profundamente afetado psicologicamente durante anos pela morte de seu oponente, Frankie Campbell”.

    Em uma entrevista, o filho de Max Baer afirmou: “Tenho grande respeito por Ron Howard, mas ele nunca me ligou para pedir informações factuais sobre meu pai. Eles distorceram completamente seu caráter. Eles não precisavam fazer dele um ogro para fazer de Jim Braddock um herói. Meu pai chorou sobre o que aconteceu com Frankie Campbell; ele tinha pesadelos com isso. Ele até ajudou a levar os filhos de Frankie ao ensino médio ", explicou Baer.

     
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