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    Emmy 2021: Em edição histórica na diversidade entre indicados, todos os vencedores são brancos (Análise)
    Por Aline Pereira — 20 de set. de 2021 às 12:18

    No Emmy 2021, quase metade das obras e artistas indicados eram não-brancos e, mesmo assim, nenhum deles venceu nas categorias principais. Acontecimento não passou despercebido entre o público.

    Ao longo das últimas temporadas de premiações, as conversas sobre diversidade vêm ganhando espaço - tanto entre os indicados, como acontece com as novas diretrizes do Oscar, quanto entre os votantes, após a polêmica do Globo de Ouro em 2020. Mas o resultado, na prática, ainda tem um longo caminho a percorrer. A prova é a lista de vencedores do Emmy 2021, realizado nesta noite de domingo (19), em Los Angeles: apesar do aumento de quase 20% de indicados não-brancos, os artistas e obras celebrados continuam quase que exclusivamente brancos.

    No início da cerimônia, o apresentador Cedric, the Entertainer (The Neighborhood) ressaltou a diversidade entre os concorrentes - de fato, quase metade da lista era formada por pessoas não-brancas (número levantado originalmente pelo The Hollywood Reporter). Mas isso só reforça a disparidade entre os vencedores: Michaela Coel (I May Destroy You) e RuPaul (RuPaul’s Drag Race) foram os únicos artistas negros premiados individualmente na cerimônia de ontem e nenhum deles nas principais categorias de atuação.

    "Apresentador negro, esquetes negras, apresetadores negros, comerciais negros, musicais negros, discursos sobre inclusivo. Tudo negro, menos os vencedores"

    Esta ausência não se justifica pela qualidade das obras apresentadas: além de I May Destroy YouLovecraft CountryPose são exemplos de obras reconhecidas entre o público e a crítica especializada (com destaque para MJ Rodriguez, primeira mulher trans a ser indicada ao Emmy). As produções não só apresentaram excelência técnica, como também histórias fora da vivência do padrão majoritariamente branco, heteronormativo e construído a partir da perspectivas masculinas. Fazem o oposto das principais séries vencedoras da noite - The CrownO Gambito da Rainha e Ted Lasso.

    Hoje, é um retrocesso que estes fatores étnicos e culturais não sejam levados em consideração, tendo em vista acontecimentos recentes que escancaram preconceitos ainda longe de serem combatidos. Além do alto padrão técnico, precisa ser igualmente relevante o impacto social proposto por uma obra de ficção, sobretudo em um evento com projeção global e que existe justamente para fomentar a indústria.

    Ao buscar o troféu de Melhor Roteiro em Minissérie, Michaela Coel teve o discurso que mais repercutiu entre o público nas redes sociais e que fala justamente sobre identidade e sobre trazer para as telas tramas que dialogam com a realidade de forma tão impactante. 

    Escreva sobre o que te assusta, o que te deixa inseguro e desconfortável. Eu os desafio - em um mundo que nos incentiva a procurar na vida dos outros o que determina como nos sentiremos em relação a nós mesmos, e em que sentimos a necessidade de estar visíveis, e visibilidade nos dias de hoje parece ser igual sucesso - não tenha medo de sumir por um tempo e ver o que vem a você no silêncio. Dedico esta história a todas as sobreviventes de abuso sexual

    A análise dos resultados do Emmy leva a uma discussão importante: quanto vale uma diversidade que nunca leva minorias ao topo? Não há dúvidas de que Jason Sudeikis, Olivia ColmanKate Winslet entre outros artistas premiados diversas vezes conquistaram espaço com grandes performances - o debate não é sobre eles. Mas é difícil não notar que a premiação levou duas horas para que a primeira pessoa negra pudesse subir ao palco e falar - RuPaul, que fez história ao se tornar a pessoa negra mais premiada da história do Emmy. Entre o público, a derrota de Michael K. Williams (Lovecraft Country), homenageado por Kerry Washington no palco, também gerou discussão.

    O assunto repercutiu entre a imprensa internacional com um ponto muito pertinente levantado pelo site especializado Slash Film: “É realmente uma honra só ser indicado quando todos os prêmios principais são dados a artistas brancos?”, questiona a publicação. Ainda é importante pensar sobre o que realmente significa e quais são as motivações para a representatividade entre os concorrentes: a indicação de obras e artistas não-brancos vem como uma resposta à pressão que as premiações sofreram recentemente e vai parar por aí? Há realmente um esforço da Academia para analisar histórias contadas e vividas por minorias com a mesma comoção e conexão?

    Veja mais comentários dos internautas sobre a premiação: 

    "O Emmy vai ser EmmySoWhite ("Emmy Branco") até reconhecer que a representação simbólica (apresentadores, indicados) não suprimem um corpo de jurados que se recusam a reconhecer que pessoas pretas, marrons indígenas e outras merecem ganhar"

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    Data de lançamento 7 de junho de 2020 | min
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    Com Michaela Coel, Weruche Opia, Paapa Essiedu, Ansu Kabia, Ellie James
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