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    Morre Jean-Paul Belmondo, astro de filmes de Godard; relembre sua carreira
    6 de set. de 2021 às 23:00
    Lucas Leone
    Lucas Leone
    -Redator
    Lucas só continua nesta dimensão porque Hogwarts ainda não aceita alunos brasileiros. Ele até tentou ir para Westeros ou o Condado, mas perdeu a hora do Expresso do Oriente. Hoje, pode ser visto escrevendo no Central Perk mais próximo.

    Mais conhecido por seu papel em Acossado, o ator dedicou meio século de vida ao cinema francês e se tornou um dos principais nomes da Nouvelle Vague.

    Morreu nesta segunda-feira (06/09) o ator Jean-Paul Belmondo, aos 88 anos. Ícone do cinema francês e um dos maiores representantes da Nouvelle Vague, Bébel – como era conhecido entre amigos e fãs – teve seu falecimento confirmado por seu advogado, Michel Godest. "Ele estava cansado há algum tempo. Morreu em paz", disse o profissional à AFP. A causa da morte não foi divulgada.

    Belmondo nasceu em 9 de abril de 1933, em Neuilly-sur-Seine (um subúrbio nobre de Paris). Filho do escultor Paul Belmondo e da pintora Madeleine Rainaud-Richard, cresceu rodeado por artistas e frequentou as melhores escolas da capital. Apesar de sua formação culta, o indisciplinado Bébel encontrou sua primeira paixão nos esportes, praticando ciclismo, futebol e, enfim, boxe. Este último começou como lazer e deu lugar a uma breve carreira de lutador na adolescência.

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    Aos 16 anos, Belmondo foi diagnosticado com uma infecção primária de tuberculose, e seus pais o enviaram para Auvergne. No ar calmo e revigorante, o jovem decidiu virar ator. Em 1952, depois de três tentativas, conseguiu entrar para o renomado Conservatório de Paris. Sua passagem pela instituição se revelou bastante conturbada: em 1956, durante a performance de conclusão do curso, Belmondo foi aclamado pela plateia, mas severamente criticado pelo júri. Um dos membros da banca declarou: "O professor não te aprova, mas o homem te diz bravo." A resposta de Belmondo para isso foi uma banana.

    No meio século seguinte, o francês estrelou mais de 80 filmes – muitos deles sucessos de bilheteria –, passeando por gêneros como comédia, suspense e ação. Carismático e dono de um bronze invejável, Belmondo não se limitou ao chamado "cinema de autor" e, nos anos 60, decidiu se aventurar em projetos mais populares – o que desagradou a crítica especializada.

    Mas o astro da Nouvelle Vague sempre se mostrou orgulhoso de sua carreira, bem como atento ao retorno do público. Em 2011, ele recebeu a Palma de Honra no Festival de Cannes. Já em 2017, foi homenageado por Jean Dujardin na cerimônia do César. Nessa ocasião, o vencedor do Oscar por O Artista afirmou que "Belmondo é o cinema francês em si, a conciliação dos filmes de autor com a cultura popular".

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    Em memória de Bébel, o AdoroCinema revisitou sua trajetória nas telonas e separou alguns de seus principais trabalhos. Confira a seguir.

    ACOSSADO (1960)

    Belmondo tinha 26 anos quando participou do filme que mudaria sua vida: Acossado, dirigido pelo também estreante Jean-Luc Godard. No longa, interpreta Michel Poiccard, um ladrão que, após roubar um carro em Marselha, foge para Paris e acaba matando um policial no caminho. Na capital, ele se relaciona com Patricia Franchini (Jean Seberg), uma jovem americana que passa a escondê-lo em seu apartamento.

    Godard, que na época era crítico da conceituada revista Cahiers du Cinéma, filmou Belmondo sem um roteiro pré-estabelecido, com baixo orçamento e carregando sua câmera pelas ruas de Paris. Com uma atuação improvisada, Bébel construiu um dos anti-heróis mais famosos da história da sétima arte – e foi o grande responsável pelo sucesso da obra, que se tornou uma das pioneiras da Nouvelle Vague.

    Acossado
    Acossado
    Data de lançamento 7 de março de 1961 | 1h 30min
    Criador(es): Jean-Luc Godard
    Com Jean Seberg, Jean-Paul Belmondo, Daniel Boulanger, Henri-Jacques Huet, Roger Hanin
    Imprensa
    4,6
    Usuários
    4,0
    O HOMEM DO RIO (1964)

    O ano era 1963, e Belmondo estava no Brasil para as filmagens de O Homem do Rio, filme dirigido por Philippe de Broca e indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original. A trama acompanha um grupo de ladrões que planeja o roubo de uma relíquia amazônica do Museu do Homem, em Paris. O crime gera uma série de aventuras que envolvem drogas, morte e sequestro. Agnès Villermosa (Françoise Dorléac), a filha de um homem assassinado, é sequestrada, drogada e enviada para o Rio de Janeiro em um avião. Seu namorado, o soldado Adrien Dufourquet (Belmondo), resolve procurar a amada, começando uma jornada que terá como cenários Rio de Janeiro, Brasília e a Amazônia.

    O Homem do Rio
    O Homem do Rio
    Data de lançamento 1964 | 1h 52min
    Criador(es): Philippe de Broca
    Com Jean-Paul Belmondo, Françoise Dorléac, Jean Servais, Adolfo Celi, Simone Renant
    Usuários
    2,7
    O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS (1965)

    Repetindo a parceria com Godard, Belmondo protagoniza O Demônio das Onze Horas, longa que lhe rendeu uma indicação ao BAFTA de Melhor Ator Estrangeiro. Dessa vez, Bébel interpreta Ferdinand Griffon, um homem entediado com a sociedade parisiense. Certa noite, ele deixa a esposa em uma festa e volta sozinho para casa, onde encontra uma antiga amiga, Marianne Renoir (Anna Karina), trabalhando como babá dos seus filhos. No dia seguinte, ele aceita fugir com a bela para o Mediterrâneo, sem imaginar que seriam perseguidos por mafiosos.

    O Demônio das Onze Horas
    O Demônio das Onze Horas
    Data de lançamento 28 de junho de 2002 | 1h 55min
    Criador(es): Jean-Luc Godard
    Com Jean-Paul Belmondo, Anna Karina, Samuel Fuller, Jean-Pierre Léaud, Dominique Zardi
    Usuários
    3,1
    ITINERÁRIO DE UM AVENTUREIRO (1988)

    Um dos papéis mais aclamados de Belmondo – que lhe valeu seu primeiro César de Melhor Ator – veio com Itinerário de um Aventureiro, dirigido por Claude Lelouch. O filme gira em torno de Sam Lion, um homem que foi criado em um circo e que se vê obrigado a repensar sua rotina depois de um acidente no trapézio. Agora na casa dos 50 anos, ele comanda uma empresa, mas parece cansado de suas sensibilidades, de seu segundo casamento e de seus dois filhos. Convencido de que os mais belos anos de sua vida são aqueles ainda não vividos, Sam decide abandonar tudo e viajar para a África. Mas o passado irá encontrá-lo nas longínquas savanas por meio da figura de Albert Duvivier (Richard Anconina), um de seus ex-funcionários.

    UN HOMME ET SON CHIEN (2008)

    Un Homme et Son Chien pode não ser um dos trabalhos mais conhecidos de Belmondo, mas marca sua volta às telonas depois do derrame que sofreu em 2001. Dirigido por Francis Huster, o longa conta a história de Charles, um homem iodoso que tem seu cachorro como grande companheiro. Quando ele anuncia seu casamento com a jovem viúva de um velho amigo, sua vida muda completamente. Ele se vê sem casa e com poucos meios para sobreviver, ao mesmo tempo que tenta garantir sua sobrevivência e a de seu melhor amigo – o cão.

    Un Homme et Son Chien
    Un Homme et Son Chien
    Data de lançamento 2008 | 1h 34min
    Criador(es): Francis Huster
    Com Jean-Paul Belmondo, Julika Jenkins, Francis Huster, Hafsia Herzi, Jean Dujardin

    Jean-Paul Belmondo foi casado com a dançarina Élodie Constantin, e o casal teve três filhos (a já falecida Patricia, Florence e Paul). Em 1989, ele conheceu a coco-girl Natty Tardivel, com quem se casou em dezembro de 2002 e teve uma quarta filha (Stella). Em 2008, após duas décadas juntos, Bébel e Natty se divorciaram. O ator deixa, portanto, um legado imenso para sua família, para o cinema francês e para a sétima arte em geral.

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