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    Um Clássico Filme de Terror
    Críticas AdoroCinema
    1,5
    Ruim
    Um Clássico Filme de Terror

    Metalinguagem preguiçosa

    por Kalel Adolfo
    Após o lançamento do fraco — porém bem executado — Rua do Medo, a Netflix aposta em mais uma história horripilante que referencia grandes obras do gênero: Um Clássico Filme de Terror. Com inspirações que vão desde O Homem de Palha (1973) a O Massacre da Serra Elétrica (1974) de Tobe Hooper, a produção italiana mergulha em imagens e simbolismos macabros para tentar chocar o público.

    A proposta é bem simples: um grupo de pessoas está viajando pelo sul da Itália e acaba sofrendo um acidente na estrada. Porém, ao acordar do incidente, percebem que estão no meio de uma floresta aparentemente sem saída. Conforme vão investigando o local, descobrem a existência de uma seita ocultista que realiza homicídios ritualísticos.

    A partir daí, a paranóia toma conta de todos os personagens, que se veem presos em uma espécie de “limbo terrestre”. Se não escaparem a tempo, serão as próximas vítimas dos sádicos mascarados. Além dos títulos já citados acima, a trama também acaba lembrando o conceito de longas como A Bruxa de Blair (1999) — que revitalizou o found-footage — e Pânico na Floresta (2003) — que se transformou em uma franquia trash bem-sucedida. Mas apesar de soar semelhante, a obra não consegue replicar o triunfo destes filmes. 

    Proposta metalinguística é preguiçosa



    Não se engane: a dupla de diretores Robert de Feo (The Nest) e Paolo Strippoli (Piove) evidencia inúmeras vezes que o “liquidificador” de inspirações é algo proposital no projeto. Contudo, isso não o torna menos desprovido de substância. Por noventa minutos, o que experienciamos é uma espécie de colcha de retalhos cinematográficos, incapaz de oferecer propósito ou diversão.

    É possível referenciar filmes icônicos do horror sem soar como um disco riscado. Terror nos Bastidores (2015) consegue realizar essa tarefa com maestria. Mas em Um Clássico Filme de Terror, a execução é precária.

    Personagens clichês aumentam a previsibilidade da obra



    Ao tentar se apropriar de determinados protótipos clássicos do gênero, a produção acaba criando personagens unidimensionais, que agem de maneira previsível e pouco racional. Esse problema poderia ser corrigido com boas doses de humor. Porém, a obra está sempre tentando se levar a sério, trazendo uma áurea de pretensão frívola ao roteiro.

    Por mais que a intenção seja criar uma narrativa metalinguística — que brinca com os padrões do terror — a falta de profundidade e emoção faz com que o público crie uma grande barreira em relação aos acontecimentos sinistros da história.

    Cabeças, olhos e orelhas são decepadas a cada minuto, e mesmo assim, sentimos apenas a aflição da violência gráfica apresentada. Não há uma real preocupação com aqueles indivíduos, já que eles não são desenvolvidos o suficiente para gerar engajamento na trama. Tudo soa muito gratuito, com o vazio objetivo de chocar.

    Aliás, até mesmo o gore deixa a desejar: existem algumas sequências que embrulham o estômago, mas o longa não chega nem perto de atingir níveis de violência impressionantes. Muito pelo contrário: durante os momentos mais angustiantes, a direção opta pela sugestão, deixando o “trabalho sujo” para a imaginação dos espectadores.

    Edição é confusa e prejudica o ritmo da trama



    A premissa inicial é interessante: queremos saber o que irá acontecer com aquele grupo de viajantes, o que é aquela floresta e quem são os membros da assustadora seita satânica. Porém, as respostas são concedidas a ritmo de conta-gotas. Neste meio tempo, acompanhamos os personagens entrando em conflitos incoerentes e realizando confissões emocionais em uma falha tentativa de humanizar a história.

    Por ser uma obra de curta duração, a objetividade é essencial para entregar um trabalho redondo. Portanto, o desvio de foco para questões secundárias — quando você possui a trama de um culto macabro acontecendo — é um grande desperdício. Inclusive, um dos poucos pontos positivos de Um Clássico Filme de Terror é a mitologia por trás das três criaturas que lideram a seita. Infelizmente, essas questões foram mal aproveitadas e — durante o desfecho — completamente descartadas.

    Desfecho é uma afronta a inteligência do público



    Após o vagaroso clima de mistério se estender por dois atos, os cineastas apostam em um plot-twist espalhafatoso para concluir a trama. Além de incoerente, a concepção consegue elevar ainda mais a áurea de produção B do título.

    Com atuações over-the-top e uma ruptura abrupta da atmosfera construída ao longo da história, Um Clássico Filme de Terror termina da mesma forma que começou: desajeitado. Infelizmente, o que foi prometido como um dos filmes mais perturbadores do catálogo é, na verdade, uma das piores estreias de 2021 (até agora).

     

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