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Filme de Michael Jackson é cinebiografia clichê, mas entrega nostalgia e atuação impressionante de Jaafar Jackson

por Bruno Botelho dos Santos

Cinebiografias musicais não são nenhuma novidade na história do cinema, mas essa tendência voltou com força em Hollywood nos últimos anos graças aos sucessos de Bohemian Rhapsody (2018) e Rocketman (2019), sobre as vidas de Freddie Mercury (e a banda Queen) e Elton John, respectivamente. Como é de costume na indústria cinematográfica, isso gerou uma onda de novos filmes sobre artistas icônicos, em especial Elvis (2022), Back to Black (2024), Bob Marley: One Love (2024) e Um Completo Desconhecido (2024). E vimos isso acontecer também no Brasil em produções como Nosso Sonho (2022), Mamonas Assassinas - O Filme (2023) e Homem com H (2025).

É nesse contexto que Michael (2026) surge com a responsabilidade de retratar a vida e a carreira de um dos maiores artistas de todos os tempos, Michael Jackson, considerado o “Rei do Pop”. Envolto em expectativas e polêmicas, o filme não foge muito da fórmula de cinebiografias que já estamos acostumados (e cansados), mas entrega fortes atuações e momentos nostálgicos que vão conquistar o coração dos fãs.

Qual é a história de Michael?

Universal Pictures

O filme conta a história de Michael Jackson (Juliano Valdi e Jaafar Jackson) e sua jornada desde a descoberta de seu talento extraordinário, ainda muito jovem, como líder do The Jackson 5 até o artista visionário cuja ambição criativa impulsionou uma busca incessante para se tornar o maior artista do mundo. Assim, mergulhamos em sua vida fora dos palcos e algumas das performances mais icônicas no começo de sua carreira solo.

Filme de Michael Jackson não reinventa a roda, mas mergulha na intimidade do cantor além dos palcos

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Se você está indo assistir Michael com a expectativa de que seja uma cinebiografia diferente, até mesmo pela grandiosidade do Rei do Pop, provavelmente vai se frustrar. O filme segue a mesma fórmula que estamos cansados de ver no cinema, com uma estrutura simples e cronológica que vai da infância do Michael Jackson, começando sua carreira ao lado da família no The Jackson 5, passando pelos primeiros passos na carreira solo e sucesso com sucessos com os álbuns Off the Wall (1979) e Thriller (1982) até o auge da sua carreira na turnê do disco Bad (1987).

O grande acerto do roteiro de John Logan (O Aviador e 007 - Operação Skyfall) é tornar parte central na narrativa os conflitos entre Michael e seu pai Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo, colocado como grande vilão da história. Existe um destaque necessário para a intimidade do cantor fora dos palcos, com esses ciclos de abusos físicos e psicológicos causados pela sua figura paterna, enquanto Michael cresce cheio de traumas – ou melhor, nunca realmente consegue crescer e aqui o filme explora sua identificação com Peter Pan – e fica em busca de liberdade para fazer suas próprias escolhas.

É uma construção de um mito eficiente, mas também problemática. Basicamente, toda controvérsia da história é deixada na conta de Joe Jackson, enquanto existe uma romantização e endeusamento Michael Jackson, apresentado quase como uma figura intocável, com a transformação desses traumas em superação para se tornar o Rei do Pop. Isso fica ainda mais evidente considerando que as acusações de abuso infantil contra o cantor estariam no filme, mas ficaram de fora por problemas legais e, consequentemente, todo final foi alterado, com a produção passando por refilmagens.

Sobrinho do cantor, Jaafar Jackson brilha como Michael Jackson em performances cheias de energia

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Mas, sem dúvidas, o maior destaque do filme são as atuações e caracterizações de Jaafar Jackson e Colman Domingo como protagonistas, conduzindo a narrativa do começo ao fim. Jaafar, sobrinho de Michael Jackson e filho de Jermaine Jackson na vida real, encarna o Rei do Pop em sua fase adulta com perfeição e muita naturalidade, nunca parecendo que se trata de uma imitação. Ele passou por uma preparação extrema nos bastidores, nos fazendo realmente acreditar que se trata de Michael ao reproduzir de maneira impressionante seus trejeitos, coreografias e voz.

Colman Domingo, indicado ao Oscar por Rustin e Sing Sing, é uma presença assustadora como o pai do Michael Jackson, conseguindo passar toda essa ameaça – com suas atitudes controladores e violências físicas e psicológicas – apenas pelo olhar. Enquanto isso, os outros personagens coadjuvantes servem mais como suporte para Michael, como sua mãe Katherine Jackson (Nia Long), seu empresário John Branca (Miles Teller), seu segurança Bill Bray (KeiLyn Durrel Jones) e o produtor Quincy Jones (Kendrick Sampson).

Se tratando das cenas musicais, o experiente Antoine Fuqua, diretor de Dia de Treinamento e O Protetor, filma com intensidade as apresentações de Michael Jackson, se aproveitando da energia e entrega dos atores – Juliano Valdi com os Jackson 5 e Jaafar Jackson na carreira solo. Ele mergulha nos palcos e faz parecer que realmente estamos assistindo um show do Rei do Pop. Outro ponto interessante que o filme mostra é o nascimento de músicas e clipes icônicos. Infelizmente, a produção simplifica bastante os processos criativos, mas as sequências que recriam as clássicas Beat It e Thriller estão entre os momentos mais empolgantes e nostálgicos da cinebiografia.

Vale a pena assistir Michael?

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O filme do Michael Jackson é, em certos aspectos, decepcionante pela sua estrutura simples e batida de cinebiografias, mas vai empolgar e emocionar os fãs do Rei do Pop mergulhando em apresentações cheias de energia e recriação de momentos icônicos da sua carreira. Tudo isso sem deixar de lado sua intimidade e relação familiar longe dos palcos.

Sobrinho do cantor, Jaafar Jackson prova que foi a escolha perfeita para interpretar Michael Jackson no cinema, se entregando de corpo e alma na atuação e performances, fazendo parecer que realmente estamos presenciando imagens e apresentações do artista na telona e não uma imitação caricata.

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