Moana
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
Moana

Apesar do carisma de The Rock e Catherine Lagaʻaia, live-action de Moana até chega a ser sólido, mas não justifica a própria existência

por Diego Souza Carlos

Todos ficaram surpresos quando a Disney oficializou a produção de um remake live-action de Moana. Com uma mina de ouro estúdio representada pelos altos números no Disney+ e todo o material de merchandising ativo anos após a estreia do filme, o estúdio decidiu lançar uma sequência (que originalmente seria uma série) e um novo longa-metragem em um período curto de tempo.

Pode ser que a ganância até compense com o tempo, mas o resultado criativo e artístico dessa história que tocou milhões de pessoas ao longo dos últimos dez anos foi minada de coração em 2026. Pode-se dizer que, embora tenha vida, essa nova velha versão da trama nunca atinge a grande onda causada pela obra dirigida por Ron Clements, Don Hall e John Musker.

Dez anos de diferença, a mesma história

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Na adaptação em live-action da Disney, Moana é interpretada por Catherine Lagaʻaia em seu segundo papel - o primeiro foi em As Flores Perdidas de Alice Hart. Na trama, assim como na animação de 2016, a protagonista responde ao chamado do oceano e, pela primeira vez, vai além do recife que cerca sua ilha natal, Motunui.

Quem está ao seu lado é o infame semideus Maui, interpretado por Dwayne Johnson assim como na versão original, em uma jornada inesquecível para devolver a prosperidade ao seu povo. Na direção está Thomas Kail, vencedor do Emmy e do Tony Awards conhecido por seu trabalho em Hamilton.

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A primeira impressão, poucos minutos depois de ver a costumeira abertura da Disney dar início a Moana, é que veremos algo muito semelhante ao que nos foi apresentado há dez anos. Essa sensação vai se tornando cada vez mais forte quando, em determinado ponto da trama, percebemos que o remake live-action teve seu direcionamento bem claro: replicar praticamente tudo, dos ângulos da direção às falas do roteiro, da icônica animação de 2016. De fato, cerca de dois nos atrás, o produtor da franquia, Jared Bush, havia dado esse alerta/aviso em entrevista ao AdoroCinema.

Esse ponto já nos leva aos maiores questionamentos sobre o novo projeto do estúdio: por que? Os fãs precisavam de uma nova versão da heroína, desta vez em carne e osso, tão cedo? Deixando as inevitáveis comparações de lado, o live-action de Moana tem duas características que o coloca acima das últimas releituras da Casa do Mickey: uma certa solidez no roteiro que já existia e a cor finalmente está presente.

Moana live-action tenta atingir cores da animação, mas há uma estranheza no ar

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Não apenas Lilo & Stitch perde a oportunidade de se beneficiar das belas paisagens do Havaí, com o potencial de apresentar imagens reais e bem tratadas das belezas naturais da região, mas diversos outros remakes da Disney não sabem traduzir o mundo mágico das animações. É comum ver texturas acinzentadas da constante mistura entre computação gráfica e muitas cenas de estúdio, que sofrem com esse mix entre a pós-produção que aplica cenários ao fundo e também tenta emular estes espaços através dos objetos e pessoas à frente da câmera.

Em Moana, a coloração consegue nos lembrar da vibração contida na história original, mesmo que isso não seja o suficiente para estabelecer a magia e a emoção que impactaram tanta gente. Em contrapartida aos contrastes eventualmente bem explorados, e isso vai das cenas na natureza à batalha final com o monstro de lava Te Kā, a direção e a fotografia não souberam trabalhar com a iluminação certa para cada ambiente.

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Com a luz vindo de lugares isolados em cenas ao ar livre, por exemplo, o filme perde em imersão e ganha em estranheza - o mesmo sentimento ao olhar muito tempo para a peruca de The Rock. Uma plasticidade que se dá não apenas no visual, mas também nesse "Crtl C + Ctrl V" visto na telona em quase 2 horas.

Há, no entanto, um mérito neste aspecto estético: como se trata de uma história passada praticamente inteira sob o céu aberto, existem tentativas de aplicar veracidade a determinados pontos da história. O resultado não é tão fluido, pois se em um momento vemos Moana nadando de verdade em outro ela e Maui se tornam bonecos computadorizados quando estão enfrentando grandes ondas durante uma tempestade.

Moana traz uma resposta a O Rei Leão no realismo fantástico

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O começo do filme é marcado pela avó de Moana (Rena Owen), que segue tão interessante quanto na animação, contando a lenda de Maui às crianças da ilha. Quando o público vê os poderes do metamorfo em ação, muitos vão se lembrar do remake de O Rei Leão. Isso porque o semideus se transforma em javali em poucos minutos - uma versão muito parecida com a vista no “live-action” de 2019. Essa relação com um dos maiores clássicos do estúdio também se conecta em momentos específicos do novo filme que são extremamente difíceis de se adaptar: os musicais.

Depois de tantas adaptações com dificuldade em inserir as canções e danças vistas em desenhos animados, Moana acerta um gol ao tentar replicar a aura desses trechos no live-action. Fica o destaque para as cantorias da ilha no início do filme, com “Seu Lugar”, e, curiosamente, “De Nada”, faixa cantada pelo semideus de The Rock. Essa última, que esbanja cores, coreografias e elementos animados para cima e para baixo nos leva a um paradoxo engraçado.

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Ao longo do filme o uso de computação gráfica, ou seja, de animação, é extremo. Mais da metade do longa funciona apenas com o uso de CGI - a introdução dos kakamora, o frango Hei Hei, o porco Pua, as interações com o oceano vivo, a maioria das navegações no mar, os poderes de Maui, Tê Ka e Te Fiti, o animado caranguejo Tamatoa, entre outros. Todos ótimos efeitos especiais, inclusive. É engraçado pensar que, ao fim, um live-action depende tanto da linguagem de origem da história, não é?

De volta às questões trazidas no começo, é difícil justificar a existência do remake live-action de um filme sem que haja nenhuma novidade, especialmente quando faz tão pouco tempo do lançamento anterior. Moana de 2026 perde a oportunidade de criar novas abordagens com a geração que viu o filme no passado por pura preguiça e um conformismo: é mais seguro apresentar a história que deu tão certo anteriormente e garantir o potencial financeiro do projeto.

Por sorte, a experiência é também tomada por bons atores, a química entre os protagonistas e parte do legado de uma das melhores animações da Disney, que segue tão boa quanto no dia em que chegou ao mundo. Todos aqueles que criaram laços com a guerreira que rejeita o título de princesa vão chegar ao final da sessão com a sensação incômoda de que não há nada de novo sob o fronte. E de fato não há.

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