Cruella
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4,3
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95 Críticas do usuário

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Vinicius Monteiro
Vinicius Monteiro

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3,0
Enviada em 4 de junho de 2026
Quando a Disney anunciou um filme de origem para uma de suas vilãs mais icônicas, a dúvida pairou no ar: como humanizar a mulher cuja maior ambição era transformar filhotes de dálmatas em casacos? A resposta veio em forma de uma revolução punk-rock londrina, embalada por figurinos deslumbrantes e uma atitude subversiva. Cruella promete um banquete visual e uma quebra nas fórmulas tradicionais do estúdio, mas será que tanto estilo é o suficiente para sustentar uma história que tenta transformar um monstro em uma anti-heroína incompreendida? Prepare-se para mergulhar nos bastidores fashionistas dessa vilã, onde o brilho inegável da produção tenta, a todo custo, esconder algumas costuras soltas no roteiro.

Na minha leitura da obra, o grande pilar de Cruella atende por dois nomes: Emma Stone e Emma Thompson. A esmagadora maioria dos elogios que o filme recebe é direcionada, de forma justíssima, à dinâmica entre essas duas atrizes. Percebe-se aqui uma influência nítida da energia rebelde e caótica da Arlequina de Margot Robbie (em Esquadrão Suicida) incrustada na Cruella de Stone, somada ao esqueleto narrativo e hierárquico de O Diabo Veste Prada. Emma Stone consegue a façanha de conferir uma identidade própria a esse caldeirão de influências, com uma entrega total que quase nos faz esquecer a sombra da lendária caracterização de Glenn Close nos anos 90. Do outro lado, Emma Thompson entrega uma Baronesa irônica, fria e absolutamente magnética. Quando as duas estão em cena, o filme atinge seu ápice.

Como crítico, sinto que a obra abandona qualquer pretensão de ser excessivamente dramática em prol de uma catarse visual sem precedentes. O design de produção e os figurinos são, de longe, o ponto mais irretocável do longa. O visual punk-rock da Londres dos anos 70 não é apenas um pano de fundo, mas um espetáculo que dita a narrativa. É revigorante e até surpreendente ver a Disney arriscar um tom mais sombrio, maduro e cheio de estilo. Esse "lado avesso" das amarras corporativas do estúdio resulta em figurinos explosivos e numa maquiagem que conta a história da transição psicológica da personagem antes mesmo que ela diga uma palavra.

Em meio ao furacão que é o embate entre as duas Emmas, o elenco de apoio luta para manter seu espaço. A dupla de vigaristas Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser) traz coração e um humor físico dinâmico que remete às animações clássicas, funcionando surpreendentemente como a bússola moral de Estella ao longo da trama. Eles são adições genuinamente divertidas e bem-vindas. No entanto, outros talentos de peso, como Mark Strong (no papel do enigmático mordomo John) e o carismático Artie (John McCrea), acabam ofuscados. Eles orbitam a protagonista de forma essencialmente utilitária, servindo muito mais como engrenagens pontuais para fazer a história avançar do que como figuras desenvolvidas e tridimensionais.

A curadoria musical é recheada de clássicos absolutos do rock e pop das décadas de 60 e 70, como The Rolling Stones, Queen e The Doors. Por um lado, essa trilha injeta um combustível inegável nas cenas de transição e nos momentos de "assalto" e moda. No entanto, observando a montagem e o ritmo, percebo que a inserção constante dessas músicas beira o excesso. O filme, por vezes, confunde linguagem cinematográfica com linguagem de videoclipe. A música deixa de ser um complemento emocional para se tornar uma muleta narrativa, tocando incessantemente e não permitindo que a história respire no silêncio que certas cenas dramáticas exigiriam.

Analisando a linguagem cinematográfica, Craig Gillespie acerta ao importar a câmera irrequieta e os movimentos ágeis que já havia utilizado com sucesso em Eu, Tonya. Há uma energia propositalmente cartunesca na forma como a ação é filmada — com planos-sequência virtuais, zooms rápidos e transições criativas — que combina perfeitamente com a proposta extravagante e um pouco absurda do mundo da alta-costura. Esse dinamismo na direção ajuda a ditar a energia das cenas e mascarar as convenções batidas da história, mantendo o espectador visualmente estimulado mesmo quando a trama decide andar em círculos.

Um ponto que inegavelmente divide águas nesta obra é a própria "higienização" da personagem-título. O roteiro se esforça exaustivamente para criar uma justificativa trágica para as atitudes de Cruella, o que acaba diluindo a essência sádica que a tornou famosa. Em vez da figura perversa e ameaçadora da animação original, temos uma jovem revolucionária e incompreendida, lutando contra um "sistema" corporativo. Se, por um lado, essa roupagem de anti-heroína engaja o espectador moderno e nos faz torcer ativamente por ela, por outro lado, soa como um passo extremamente seguro e cauteloso da Disney. Fica evidente um certo medo do estúdio de abraçar e retratar a verdadeira vilania em sua forma pura.

É aqui que o brilho do vestido começa a mostrar seus fios soltos. Com cerca de 2 horas e 14 minutos, Cruella é indiscutivelmente longo demais. Qualquer espectador atento sentirá o ritmo despencar no segundo ato. A história ganharia muito mais força e urgência se passasse por um corte refinado na ilha de edição, enxugando uns bons 20 a 30 minutos de repetições. Além disso, por baixo de todo o visual arrojado, o roteiro não esconde sua previsibilidade. A tentativa da Disney de "limpar a barra" de sua vilã, criando paralelos inevitáveis com filmes como Coringa, acaba resultando em armadilhas de roteiro e reviravoltas que o público mais treinado consegue antecipar a quilômetros de distância.

No frigir dos ovos, Cruella se consagra como aquele tipo raro de filme do qual não precisávamos necessariamente, mas cujo desbunde estético e atuações carismáticas proporcionam um prazer inegável. É uma experiência cinematográfica mediana e mista: peca pelo inchaço de sua longa duração, pelos excessos de videoclipe e por um roteiro previsível e higienizado, mas triunfa ao entregar um visual deslumbrante, uma atitude subversiva e um duelo de atrizes fantástico. Recomendo fortemente que você prepare a pipoca, embarque nessa revolução punk londrina e assista ao filme. Deixe-se levar pelo espetáculo e tire suas próprias conclusões sobre como a moda e a vingança se misturaram na criação dessa icônica vilã.
adriana_rosant
adriana_rosant

3 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 17 de março de 2026
Achei legal, a Baronesa me lembrou a Miranda de O Diabo Veste Prada será que mais alguém achou isso? rsrs
Maria Fernanda Dias Rocha
Maria Fernanda Dias Rocha

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 10 de fevereiro de 2026
Ótimo, maravilhoso! Um dos melhores filmes de vilão que eu já vi! Muito bem feito, superou todas as minhas expectativas!
Eduardo Martins Tavares da Silva Tavares
Eduardo Martins Tavares da Silva Tavares

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 8 de maio de 2025
Excelente filme, enredo, figurino, história, adaptação, músicas, fotografia, elenco, parabéns, filme te prende do início ao fim, muito satisfeito com o filme, acredito que não seja fácil, retratar uma história antiga, com tanta magnitude, estou ansioso para o cruella 2
Pedro Nascimento
Pedro Nascimento

6 seguidores 270 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 7 de maio de 2025
Acho que como uma sessão da tarde é bom, para esse tipo de filme até que não desaponta, para quem gosta de músicas mais antiga a trilha é muito boa, as protagonistas até que seguram o filme com boas interpretações.
Josiele f. lima
Josiele f. lima

3 críticas Seguir usuário

3,5
Enviada em 21 de abril de 2025
O filme apresenta uma proposta inovadora, executada com grande competência. A construção do vilão é bem desenvolvida, com criatividade marcante nos cenários e figurinos, que enriquecem ainda mais a narrativa. A trama é envolvente e repleta de emoção, prendendo a atenção do início ao fim. O elenco entrega performances impecáveis, elevando a qualidade do longa. Sem dúvida, um excelente filme.
Coisas Incríveis
Coisas Incríveis

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 11 de março de 2025
Achei impecável, o roteiro, figurinos, a trama em si, tudo casando muito bem, incluindo as atuações perfeitas!
Gabriela Santos
Gabriela Santos

23 seguidores 452 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 16 de janeiro de 2025
esse filme é impecável! fotografia, figurinos, trilha sonora, atuações... tudo perfeito! Emma Stone está simplesmente esplêndida. O filme é uma delícia de assistir, amei demais. Cruella já é a minha vilã favorita hahah
Nathalie Magalhães Santos
Nathalie Magalhães Santos

1 seguidor 10 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 23 de dezembro de 2024
Filme bem dirigido, ótimas cenas com efeito dramático, gostei muito da atuação da protagonista, filmes da Disney não tem erro.
Isabela
Isabela

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 22 de outubro de 2024
Cruella é o meu filme favorito, pois adoro a visão que esse filme traz sobre a moda, o filme fala sobre como podemos nos espressar e nos vingar com a moda, Cruella sempre gostou de moda, mas ao decorer do filme ela mostro como pode utilizar a moda de jeitos diferentes. Eu sei que muitas pessoas podem pensar que nesse filme romaniza a vilã, mas não, na verdade mostra como estella foi criada ao longo dos anos, como ela sofria o bullyin na escola, como ela perdeu a sua mãe muito nova, mas o real objetivo do filme é mostrar como estella se recuperou dessa situação. Ela se recuperou não, mas como estella mas sim como Cruella
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