Crítica do Filme Cruella (2021)
Por Felipe dos Santos Anunciação
Sinopse:
Na Londres dos anos 1970, em meio à efervescência do punk rock e da alta costura, conhecemos Estella (Emma Stone), uma jovem inteligente, criativa e determinada a conquistar seu espaço no mundo da moda com seus designs ousados. Vivendo nas ruas com dois amigos ladrões, ela chama a atenção da lendária Baronesa Von Hellman (Emma Thompson), uma figura temida e reverenciada no universo fashion. Esse encontro, no entanto, dá início a uma série de eventos que revelam segredos do passado e despertam em Estella o lado ousado e vingativo que a transforma na icônica Cruella.
Direção:
Craig Gillespie conduz a narrativa com um ritmo ágil e envolvente, equilibrando bem o drama, o humor ácido e a construção estética que remete à rebeldia do movimento punk. A direção se destaca por imprimir um estilo visual marcante e por dar espaço para que os personagens cresçam ao longo da trama.
Atuações:
Emma Stone está simplesmente brilhante em sua interpretação de Estella/Cruella. Ela domina a tela com uma presença magnética, transitando com impressionante naturalidade entre a inocência criativa de Estella e a audácia destemida de Cruella. Sua entrega é intensa, carismática e cheia de nuances, tornando a transformação da personagem algo cativante de se acompanhar. Stone não apenas interpreta — ela encarna Cruella com estilo, emoção e personalidade marcante.
Emma Thompson também está em altíssimo nível como a Baronesa Von Hellman. Sua performance é deliciosamente cruel, carregada de elegância, frieza e arrogância. Thompson confere à antagonista um ar intimidador e sofisticado, sendo impossível desviar os olhos sempre que ela aparece. Ainda que o roteiro não aprofunde tanto suas motivações, a atriz compensa isso com uma atuação poderosa e imponente, digna de uma vilã clássica.
Fotografia:
Visualmente impactante, a fotografia abraça a atmosfera dos anos 70 com uma paleta de cores vibrante e bem trabalhada. A iluminação reforça o contraste entre os mundos de Estella e da Baronesa, contribuindo para a construção simbólica das personagens.
Edição:
A edição é ágil e eficiente, contribuindo para o dinamismo do enredo. As transições são bem construídas, e o ritmo mantém o espectador interessado do início ao fim. O filme sabe equilibrar momentos de tensão e leveza sem perder o fio da narrativa.
Trilha Sonora:
Com músicas emblemáticas da época, a trilha sonora encaixa perfeitamente nas cenas, ampliando a atmosfera punk e realçando a personalidade dos personagens. Embora não seja memorável no sentido de criar temas originais marcantes, ela cumpre bem seu papel e reforça o estilo do filme.
Roteiro:
O roteiro é direto, bem estruturado e realista dentro de sua proposta. A história se desenvolve de forma fluida e curiosa, com diálogos naturais e uma abordagem moderna. Entretanto, a ausência de um núcleo romântico ou de demonstrações afetivas mais profundas pode deixar o espectador com a sensação de que algo ficou em aberto. Ainda assim, a revolta de Cruella é bem dosada e executada com estilo, sustentando a trama com firmeza. O único deslize significativo está na construção das motivações da Baronesa, que carecem de maior consistência e impacto.
Figurino:
O figurino é um show à parte. A transformação de Estella em Cruella é marcada por roupas ousadas, que representam não apenas uma mudança estética, mas uma afirmação de identidade. A transição de vestidos clássicos para peças mais modernas, como calças e saias justas, reflete bem o espírito de ruptura e afirmação da personagem.
Cenografia:
Os cenários são espetaculares, remetendo com precisão à Londres da década de 70 e ao universo da moda. Cada ambiente reforça a identidade visual do filme, tornando-se parte essencial da narrativa.
Efeitos Especiais:
Seguindo o padrão da Disney, os efeitos são discretos, mas bem executados. Não chamam atenção para si, mas colaboram com a fluidez das cenas e a construção da ambientação.
Conclusão:
Cruella é um filme visualmente deslumbrante, com atuações extraordinárias, direção segura e uma estética que mistura o sombrio e o sofisticado com muito estilo. Apesar de pequenas falhas no aprofundamento de alguns personagens e da ausência de um romance, o filme se sustenta com originalidade e força. É uma história de origem poderosa, contada com ousadia, criatividade e muita personalidade.
Vale a pena pagar o ingresso?
Com certeza!
Nota final: 9,5/10