“Eu calculei errado algumas coisas”.
E se você pudesse acessar 100% do potencial do seu cérebro, não mais apenas os alegados 20%? E se você fosse outra pessoa, uma que pudesse aproveitar seu subconsciente usando todas as informações lidas, registradas e organizadas nele? Imagine o que poderia ser feito. Imagine aonde você poderia chegar.
“Pela primeira vez ele…”, esse poderia ser o início do seu grande texto que mudaria sua vida e lhe renderia uma imensa grana, isso se você pudesse continuá-lo, incrementá-lo e concluí-lo, sem interrupções ou bloqueios criativos. Mas quando o seu livro não engrena, não vai além da sua primeira frase, quando ele empaca, você percebe que algo tem que ser feito.
Claro, a solução é sempre inimaginável. Ela surge quando você está à toa na rua e encontra o Vern, uma mistura de traficante com consultor farmacêutico e provavelmente um contato com o mundo do crime. Tudo em sua vida pode mudar. E não é graças ao novo viagra falsificado que vendem por aí. A droga revolucionária que te oferecem vai ampliar seu leque de possibilidades e impulsionar sua carreira.
À princípio, pode parecer uma droga para quem quer ser certinho. Mas ela esconde segredos que ninguém pode imaginar, sua capacidade de alavancar nossa atividade cerebral é imprevisível, incompreensível, indizível.
Às vezes, é como se esforçar para entender o que está acontecendo, as circunstâncias à sua volta te desafiando, a apatia se instalando no seu cérebro, você lutando para ter uma ideia, um vislumbre genial, uma percepção extraordinária, algo que mostre o caminho, algo que revele as respostas. Mas as limitações bioquímicas do nosso cérebro simplesmente bloqueiam a passagem.
Lentidão, a velha vagareza, funcionando devagar, bem devagar, com um imenso potencial deixado de lado. Mas também há os riscos. Com uma droga tão extrema, consequências virão. Efeitos colaterais fatais que podem comprometer a saúde de qualquer um. E sem voltas.
Sem limites é um filme diferente, escrito e produzido no momento necessário, baseado em um romance prévio, curto e impactante, um clássico da ficção científica, um drama intenso e enérgico, bem atuado e interativo em todos os níveis. Uma pérola do cinema recente, feito para entreter, mas também para despertar reflexões críticas sobre quem somos, quem poderíamos ser, nossas limitações e nossas potencialidades incomparáveis. Tudo isso regado à conflitos incessantes e reveses desconcertantes que se entrelaçam para dar sustentação à trama. Um filme que vai longe como seu pretenso NZT-48, nome de batismo dado pelo pessoal da cozinha a uma droga experimental que promete mudar tudo. Sem Limites é, de fato, um filme engenhoso.
“Mas, para um cara com um QI de 4 dígitos, eu devo ter perdido alguma coisa”.