Ridley Scott dirigiu Alien, Blade Runner e Perdido em Marte — se alguém entende do gênero de ficção científica, é ele. Confira aqui uma dica muito especial deste renomado cineasta!
Ridley Scott dirigiu thrillers de ação (Chuva Negra), um road movie icônico dos anos 1990 (Thelma & Louise), comédias (Os Vigaristas) e épicos policiais (O Gângster). Mas o que mais se associa ao criador de Gladiador são certamente dois tipos de filmes: o cinema histórico monumental — e, claro, a ficção científica.
Com o primeiro capítulo da saga Alien (1979) e o noir futurístico Blade Runner (1982), o diretor de 88 anos criou dois dos melhores e mais influentes filmes de ficção científica de todos os tempos — e Scott voltou ao gênero repetidas vezes ao longo da carreira, como no prequel de Alien, Prometheus, ou no sucesso de bilheteria Perdido em Marte. Em agosto, mais um filme de ficção científica de Ridley Scott estreia nos cinemas brasileiros: a adaptação do romance Ponto Sem Retorno.
Não é de surpreender que entre os filmes favoritos de Ridley Scott haja também diversas obras de ficção científica. Segundo o próprio diretor, o primeiro blockbuster de Star Wars e o enigmático marco de Stanley Kubrick 2001: Uma Odisseia no Espaço estão entre os filmes que mais admira.
A Hora Final: Uma obra esquecida que ficou gravada na memória
Mas alguns títulos menos canônicos também figuram entre os favoritos do cineasta britânico. Em uma entrevista à Entertainment Weekly, Scott admitiu de início não ter sido um grande fã de ficção científica em sua juventude (via Far Out Magazine). "Havia um ou dois que eu achava legal e que descreveria como interessantes", disse Scott. Apenas o 2001: Uma Odisseia no Espaço de Kubrick ficou gravado fundo em sua memória — e um drama pós-apocalíptico de 1959 que acabou caindo parcialmente no esquecimento: A Hora Final, baseado no romance homônimo de Nevil Shute.
"Nevil Shute escreveu um livro maravilhoso, que deu origem a um filme muito, muito bom", conta Scott. "Mesmo hoje ele ainda funciona, com Gregory Peck e Ava Gardner. No fundo, trata-se realmente de onde poderíamos estar em um ano se não formos cuidadosos — basicamente, do período após uma guerra nuclear, em que a Austrália é o único lugar que escapou da nuvem radioativa. Tudo se passa na Austrália. [...] Se você não viu, assista. É ótimo!".
Gregory Peck, Ava Gardner e o fim do mundo
O diretor com múltiplas indicações ao Oscar Stanley Kramer (Acorrentados) reuniu para A Hora Final um elenco estrelado impressionante: além de Gregory Peck (vencedor do Oscar por O Sol é Para Todos) e Ava Gardner (A Condessa Descalça), mencionados por Scott, também participam o ícone dos filmes musicais Fred Astaire (A Roda da Fortuna) e Anthony Perkins (Psicose).
Em A Hora Final, a humanidade foi praticamente dizimada em decorrência de uma devastadora guerra nuclear. Enquanto uma nuvem radioativa mortal se espalha incessantemente pelo planeta inteiro, os últimos sobreviventes se retiraram para a Austrália, o último lugar seguro da Terra.
Apesar dos grandes nomes envolvidos, A Hora Final ficou muito abaixo das expectativas de bilheteria e gerou um prejuízo de 700.000 dólares para o seu estúdio. Com a crítica, no entanto, foi amplamente bem recebido: o Los Angeles Times, por exemplo, escreveu que certamente caberia debate sobre a adaptação do livro, mas que se tratava, sem dúvida, de um "filme importante". Os medos retratados continuam sendo, infelizmente, atuais quase 70 anos após o lançamento do filme — vale muito a pena, portanto, seguir o conselho de Ridley Scott e assistir a A Hora Final!