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    Cine Ceará 2019: Alienígenas nos convidam para outro planeta em A Viagem Extraordinária de Celeste Garcia
    Por Bruno Carmelo — 4 de set. de 2019 às 15:30
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    Uma comédia de ficção científica cubana.

    A vida de Celeste (Maria Isabel Díaz) é bastante entediante. A professora aposentada vive com o filho, que não lhe muita atenção, enquanto trabalha num planetário. Um dia, descobre pelo noticiário da televisão que a Terra está repleta de alienígenas estudando o comportamento humano. Os visitantes têm um plano: convidar alguns terráqueos para se mudar ao planeta deles. Celeste deveria embarcar na aventura?

    Esta é a premissa incomum de A Viagem Extraordinária de Celeste García, representante cubano na mostra competitiva do 29º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema. Com direção de Arturo Infante, a comédia singela se concentra na preparação dos selecionados para embarcar na nave espacial. Enquanto isso, descobrimos os motivos que levaram a protagonista a se tornar uma pessoa reservada.

    O filme despertou boas risadas no palco do Cine São Luiz, embora provoque certo incômodo por brincar não apenas com referências da ficção científica, mas também com momentos graves de abuso doméstico. De qualquer modo, Maria Isabel Díaz está ótima no papel principal, e surge como uma das favoritas ao troféu Mucuripe de melhor atriz.

    Leia a nossa crítica.


    A noite de 3 de setembro também marcou a abertura da mostra competitiva de curtas-metragens. As Constituintes de 88, de Gregory Baltz, resgata a história das vinte e seis deputadas que lutaram por igualdade neste período histórico.

    Embora a pesquisa seja relevante, e a atenção dada às palavras destas mulheres preencha uma grave lacuna documental, o resultado nem sempre é bem resolvido na articulação da montagem com o material de arquivo, que oscila muito entre empregar imagens de baixa qualidade ou colocar apenas o som sobreposto a telas escuras ou às ilustrações de cada deputada, rumo ao final. Um trabalho pouco ousado em termos estéticos, porém louvável enquanto discurso político.

    A animação Livro e Meio, dirigida por Giu Nishiyama e Pedro Nishi, impressionou não apenas pelo refinamento técnico quanto pelo roteiro livre, não linear, que mistura literatura e cinema para literalmente mergulhar seus personagens dentro de livros.

    Talvez a narrativa soe um tanto hermética para um público amplo, mas representa uma bem-vinda tentativa de estabelecer uma jornada sensorial possibilitada apenas pela linguagem fluida da animação. É ótimo que o Cine Ceará valorize este tipo de projetos dentro da mostra competitiva.

    Primeiro Ato, dirigido por Matheus Parizi, foi o melhor curta-metragem da noite. O drama se passa dentro de um grupo de alunos de artes cênicas, divididos entre encenar textos de origem política em aula ou abandonar as salas e partir a luta concreta, nas ruas e na Câmara, contra os cortes de verbas para a cultura.

    O roteiro traz ótimos embates entre a arte política e a política da arte, encabeçados por personagens bastante complexos para um curta-metragem. O espaço urbano de São Paulo também é muito bem explorado pelo cineasta.

    O representante cearense da noite, Além da Jornada, emprega um formato labiríntico para descrever de dois homens se confrontando numa relação de trabalho ambígua entre o erotismo e o perigo. Os diretores Gabriel Silveira e Victor Furtado devem ter buscado referências de David Lynch em sua estrutura fragmentada, incluindo um espaço herdeiro do Clube Silêncio.

    O resultado se destaca enquanto provocação sensorial, embora dedique tanto tempo a desconstruir linearidades e significados que termine por não erguer uma proposta sólida sobre os escombros. As leituras se tornam tão amplas que impedem uma reflexão concreta sobre os temas relacionados às pulsões de vida e morte ou mesmo sobre relações capitalistas.


    A noite de 4 de setembro traz a exibição especial de Soldados da Borracha, documentário de Wolney Oliveira a respeito dos trabalhadores braçais que, durante a Segunda Guerra Mundial, foram explorados pelo governo, atuando em condições precárias.

    Quatro curtas-metragens serão apresentados na mostra competitiva: Oração ao Cadáver Desconhecido, de Sávio Fernandes, Marco, de Sara Benevenuto, O Tempo do Olhar e o Olhar no Tempo, de Samuel Brasileiro e Marie, de Léo Tabosa.

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