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    Cine Ceará 2019: Canção Sem Nome abre a mostra competitiva com drama sobre crise social e sequestro de bebês
    Por Bruno Carmelo — 1 de set. de 2019 às 17:40
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    Enquanto isso, Lília Cabral apresentou a comédia Maria do Caritó.

    Na segunda noite do 29º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, mais uma grande atriz brasileira foi homenageada nos palcos do Cine São Luiz. Lília Cabral recebeu das mãos do colega José Loreto um troféu por quase quatro décadas de carreira, dedicadas à televisão, ao teatro e ao cinema. 

    Conhecida pelos papéis em telenovelas, a atriz confirmou que gostaria de ter trabalhado mais no cinema, antes de apresentar Maria do Caritó, comédia popular adaptada da peça de teatro homônima. Cabral também se mostrou contente por atuar em papéis para mulheres de sua idade, dizendo se inspirar em grandes nomes do cinema nacional como Nathália Timberg e Fernanda Montenegro.

    Maria do Caritó apresenta a vida de uma mulher de cinquenta anos de idade, virgem e considerada santa pelos moradores de seu povoado. Apesar de estar prometida a um santo, ela sonha em encontrar um amor e experimentar o sexo. Quando uma trupe circense chega ao local, Maria se convence de que o galã do circo é o homem por quem sempre esperou.

    Divulgação / Arlindo Barreto

    O filme busca clara inspiração nas comédias de Mazzaropi ou mesmo no humor ingênuo dos Trapalhões, porém com um ritmo mais lento e tom singelo. Lília Cabral levou o público às gargalhadas em mais de uma cena, porém a direção não consegue imprimir ritmo veloz nem buscar composições que fujam ao caráter teatral do material de origem. Mesmo assim, em vista da reação do público no Cine São Luiz, o projeto demonstra bom potencial de público.

    Após Maria do Caritó, foi apresentado o primeiro filme da mostra competitiva latino-americana: Canção Sem Nome, drama peruano de Melina León selecionado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Saindo da comédia burlesca, o tom da noite mudou completamente com a chegada do filme silencioso, em preto e branco e com formato de tela quase quadrado para falar sobre a crise econômica e social que afetou o Peru nos anos 1980.

    A história acompanha o calvário de Georgina (Pamela Mendoza), uma pobre vendedora ambulante grávida, que recorre ao serviço de uma pequena clínica na hora do parto. No entanto, o local serve como disfarce para um esquema de tráfico de bebês. Logo após o nascimento, a filha de Georgina é sequestrada, e a mulher conta apenas com a ajuda de um jornalista (Tommy Párraga) para desvendar o caso.

    O projeto é certamente muito ambicioso ao embarcar no suspense policial apenas para desprezar as regras do gênero rumo ao final, encaminhando a trama para rumos sombrios. Pamela Mendoza, atriz não profissional, se sai muito bem no papel, mas o drama não apresenta uma construção psicológica profunda dos personagens principais, nem se aventura pelas causas do cenário desolador do filme. 

    A terceira noite do Cine Ceará traz os longas-metragens brasileiros Ressaca, de Patrizia Landi e Vincent Rimbaux, e Notícias do Fim do Mundo, de Rosemberg Cariry.

     

     

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