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    Cine Ceará 2019: O surpreendente Currais expõe a realidade dos campos de concentração no Brasil
    Por Bruno Carmelo — 2 de set. de 2019 às 11:11
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    Uma limpeza étnica durante os anos 1930.

    Além das mostras competitivas e sessões especiais no 29º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema, o evento apresenta até o dia 4 de setembro um recorte muito interessante da produção local na Mostra Olhar do Ceará.

    O longa-metragem Currais, dirigido por Sabina Colares e David Aguiar, resgata um episódio assustador e pouco conhecido na história brasileira: os campos de concentração existentes no Ceará, durante o governo Vargas, para segregar os flagelados da seca e impedir o contato com a burguesia de Fortaleza.

    Apesar da tentativa das autoridades de destruir os documentos referentes ao período, os diretores efetuam uma extensa pesquisa com o auxílio da dissertação "Isolamento e poder: Fortaleza e os campos de concentração na seca de 1932", de Kênia Sousa Rios. É chocante a ideia de que crianças famintas fossem aprisionadas em diversos campos, comendo restos e deixadas à morte, para depois serem enterradas em valas comuns.

    Currais ainda chama a atenção pelo dispositivo adotado, que combina ficção e documentário. Rômulo Braga, um dos melhores atores brasileiros da atualidade, interpreta um pesquisador buscando os traços de seu avô no interior do Ceará, deparando-se com a questão da limpeza étnica perpetuada pela elite da época. Quando encontra pessoas cujos antepassados atravessaram realmente o período, a conversa se aproxima da linguagem documental.

    O resultado é um controle estético invejável, com belíssimas imagens, enquadramentos potentes e um trabalho de som limpo e bem editado. Depois de passar pela Mostra de Tiradentes e pelo Cine Ceará, resta torcer para que o projeto chegue logo ao circuito comercial brasileiro.

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