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Exclusivo - Marco Dutra e Marat Descartes falam sobre Quando Eu Era Vivo
Por AdoroCinema — 31/01/2014 às 15:01
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O terror Quando Eu Era Vivo chega aos cinemas de todo Brasil uma semana após abrir a Mostra de Cinema de Tiradentes. O AdoroCinema bateu um papo exclusivo com o diretor e com o protagonista do filme. Confira!

por Lucas Salgado


Após realizarem o curta Um Ramo e o drama Trabalhar Cansa, o diretor Marco Dutra e o ator Marat Descartes voltam a trabalhar lado a lado no terror Quando Eu Era Vivo, que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, 31 de janeiro. O AdoroCinema conversou com exclusividade com a dupla, que falou sobre o início do projeto, o interesse no mundo do horror e o trabalho com os outros nomes do elenco.

Baseado no livro "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", de Lourenço Mutarelli, o filme chegou até Marco através do produtor Rodrigo Teixeira. "Eu trabalhei para a RT (produtora) como roteirista em 2008, para um projeto chamado Desgraçados, baseado em um quadrinho do Lourenço e eu mergulhei na obra dele. Aí eu esbarrei nesse livro que tinha acabado de sair e que me impactou muito por causa do tom e do olhar que ele tinha dessa coisa meio alegórica que é a relação entre pai e filho adulto. Eu falei com Rodrigo, mas ele me mandou esperar porque estava com outros projetos. Aí no final de 2011 ele me ligou e chamou para fazer", explicou o diretor.

Dutra reforçou ainda que teve total liberdade no projeto: "No início do processo, eu perguntei pro Rodrigo e pro Lourenço se eles me davam liberdade de adaptação e os dois falaram que sim. Isso foi muito bom, porque não ter eles apegados a nada específico permitiu que eu e a Gabriela Amaral Almeida (roteirista) nos colocássemos também no filme como criadores. Isso dá vida para o trabalho, não é algo estrangeiro."

Quando questionado sobre seu interesse pelo cinema de horror, o jovem cineasta afirmou: "Acho que tem a ver com o olhar. O olhar pro mundo. Não tem um fato específico que me faz gostar do sombrio, mas desde criança que eu gostava de ler Stephen King. A narrativa fantástica sempre me interessou e a de suspense e horror me interessou num nível maior. Se eu for beber lá atrás, acho que tem a ver com Disney. Porque até hoje quando eu vou rever Branca de Neve e os Sete Anões, Pinóquio e A Bela Adormecida, filmes essenciais para minha formação. Acho que são filmes que beiram o horror. Das cenas mais perigosas e assustadoras que já vi foi a da Branca de Neve em que o caçador fala que não vai matar ela. E ela foge para floresta e é praticamente engolida pelas árvores, que começam a abrir bocas. É um delírio do medo profundo daquela menina. Uma das cenas mais lindas sobre abandono que vi. Acho que meu destino estava selado quando vi Branca de Neve. Acho que só não fui fazer animação porque não sabia desenhar."


Grande homenageado da Mostra de Tiradentes em 2014, Marat também falou sobre o trabalho no gênero. "No fundo, no fundo é divertido trabalhar com o horror. Acho que foi muito legal porque no Trabalhar Cansa isso existia muito como uma metáfora de como o capitalismo selvagem é terrível. No Quando Eu Era Vivo, o terror é muito mais psicológico, não tem nenhuma simbologia ou metáfora", disse. 

É difícil assistir ao longa e não lembrar de O Iluminado, mas Dutra apontou para outras referências mais importantes para ele. "O Iluminado foi uma coisa que o Marat trouxe muito pra ele, porque ele ama o Jack Nicholson neste filme, o que foi legal. Não foi uma referência tão direta para mim. O que eu tentava contaminar a equipe era com o espírito do Brian De Palma de Vestida para Matar e Síndrome de Caim, do John Carpenter climático de A Bruma Assassina e algumas coisas do Alfred Hitchcock. Mas eu tomava cuidado, porque pedir pra alguém ver Psicose ou Os Pássaros é demais. Corria o risco do Marat virar o Norman Bates", falou o diretor.

Por sua vez, Marat confirmou a inspiração em Nicholson, mas reforçou que não foi a única: "Quando o Marco me contou a sinopse, de cara me veio O Iluminado, mas eu também tive outras referências. Foi muito importante para mim abordar alguns estudos psicanalíticos, que tornaram real este processo de loucura do Júnior. Ele me passou um tratado do Freud chamado Luto e Melancolia, que é um texto muito lindo, como literatura mesmo. O Freud fala um pouco sobre o processo de elaboração de luto quando a pessoa tem uma perda muito significativa na vida. Ele diz que se a pessoa não consegue elaborar o luto, ela acaba se transformando no objeto do luto. Isso foi uma luz, porque é o que acontece com o Júnior. Ele tenta lidar com a falta da mãe trazendo tudo quanto era memória dela e acaba começando a se transformar um pouco nela."

Diretor e ator também falaram como foi o trabalho ao lado de nomes famosos como Antonio FagundesSandy. "O Fagundes já estava ligado ao projeto desde que o livro saiu. Foi lindo, ele se entregou e entendeu completamente o tema do livro e a nossa proposta de adaptação. Ele fez um Sênior que eu considero perfeito. Foi uma experiência muito boa", disse Marco, que foi seguido por Marat: "Foi lindo demais. Eu comecei a fazer teatro com 13 anos e o Fagundes sempre foi uma referência. Ele foi a única pessoa que eu paguei o mico de pedir autógrafo. Eu queria ser ele quando crescesse. Foi uma alegria muito grande quando eu soube que ele era o meu pai no filme. Ele é um ator genial. Você olha dentro do olho e vê que está amparado."

Descartes afirmou ter ficado muito surpreendido com a atuação da jovem cantora. Segundo ele, foi impressionante a "a maturidade dela como atriz e a consciência que ela tinha a cada cena do que significava a Bruna dentro da narrativa". Dutra falou ainda sobre o processo de escolha da atriz para sua personagem: "Eu tinha adaptado a personagem da história como uma estudante de música e não de artes plásticas, como no livro. Daí começou a vir a ideia de uma atriz que cantasse ou de uma cantora que atuasse. A gente começou a pensar em várias possibilidades e numa conversa com o meu namorado pintou o nome da Sandy. Nisso bateu um sino muito forte na minha cabeça e eu fui falar com o Rodrigo e as pessoas envolvidas no projeto. No início todo mundo estranhou, mas depois amou. A gente mandou o roteiro pra ela pensando que a resposta seria um 'obrigado, mas não' e na verdade foi 'não entendi por que vocês me chamaram, mas venham conversar que eu gostei deste roteiro'. Ela tava com saudade de voltar a atuar e o roteiro caiu na mão dela. Quando fui conversar com ela, vi que estava completamente envolvida, parecia que conhecia a Bruna desde que nasceu. Ela já estava envolvida bem antes de falarmos em cronograma, dinheiro. Ela realmente quis fazer e foi uma atriz entregue no set." 

Confira a crítica de Quando Eu Era Vivo no AdoroCinema e leia ainda a opinião da imprensa.

Fotos: © Leo Lara/Universo Produção

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