Minha conta
    Novelas de streaming levarão "discussões além do que a TV aberta permite", diz autor da HBO Max (Entrevista Exclusiva)
    4 de mai. de 2022 às 17:19
    Nathalia Jesus
    Nathalia Jesus
    -Redatora e crítica
    Apaixonada por filmes e séries (principalmente sul-coreanos), a redatora é uma contadora de histórias no mundo do entretenimento. No AdoroCinema, ela acompanha os principais lançamentos, premiações, festivais e solta o verbo em discussões relacionadas à diversidade e inclusão na sétima arte.

    Raphael Montes, autor de Bom Dia, Verônica, é o nome por trás da primeira novela da HBO Max. Confira o que esperar das novas produções do streaming!

    A era do streaming chegou para ficar e, agora, o que era exclusividade da televisão aberta, está se tornando um produto de serviços como a HBO Max. A plataforma está expandindo a atuação no audiovisual e desenvolvendo “novelas” de streaming. O termo está entre aspas porque tais produções também recebem o nome “telessérie” nas publicações da imprensa.

    Ao saber da novidade da HBO Max, o público pode ter ficado confuso com o uso simultâneo dos dois termos para descrever o novo projeto de streaming — a própria jornalista que vos escreve não soube, a princípio, como nomear as novas produções televisivas da plataforma.

    Para dissolver todas as principais dúvidas sobre o assunto, o AdoroCinema conversou com Raphael Montes, autor de Bom Dia, Verônica e da primeira novela da HBO, e Mônica Albuquerque, head de talentos e líder do núcleo de telesséries da plataforma. Eles explicaram que o termo utilizado comercialmente é para que o público consumidor de novelas tenha uma primeira informação do que esperar sobre as novas produções do streaming.

    "O termo técnico que a gente está usando internamente é 'telesséries', o núcleo que cuida desses projetos é de telesséries”, comenta Mônica. “Uma das discussões é: 'Como a gente comunica isso ao público? A gente chama isso de quê? Será que não vale a pena dizermos que é uma novela?'; [Assim], o público entende o que esperar e vai encontrar uma novela diferente. Do ponto de vista da comunicação, talvez faça mais sentido chamarmos este projeto de novela e, depois, vão entender que é específica para o streaming, com características da HBO Max."

    Estamos buscando um formato novo, híbrido, entre a narrativa do melodrama, da novela, do folhetim, e o ritmo das séries. Tem um desafio dessa construção de um formato específico para o streaming.
    Quanto às questões técnicas, Raphael Montes explicou que a cadeia de produção é diferente de uma novela tradicional: "Antes de ser o autor da novela, eu sou um apaixonado por novelas, cresci vendo novelas e estou tendo a alegria de fazer essa primeira novela que estamos desbravando os desafios criativos e de produção. Tem diferenças claras de uma novela de TV aberta: o número de capítulos, que são 40, o fato de ser uma obra já fechada — não vou assistir, sentir a reação do público e escrever a partir daí.”

    A primeira novela — ou, agora, já podemos chamar de telessérie? — da HBO Max é Segundas Intenções, escrita por Raphael Montes, com supervisão de Silvio de Abreu (dono de sucessos como Sassaricando e A Próxima Vítima). A trama traz discussões contemporâneas sobre a indústria da beleza, harmonização facial e a busca pela perfeição estética.

    No centro da trama está Sofia, uma jovem que busca justiça pela mãe, que foi presa injustamente por Lola, sua tia. Interpretada por Camila Pitanga e descrita como uma personagem “adorável em sua vilania”, pelo próprio autor Raphael Montes, Lola inicia um império da beleza chamado “Lolaland” e une forças com Benjamin Argento, um cirurgião plástico que destruiu a vida de Rebeca, aspirante a modelo que faz parte da família que acolheu Sofia.

    "Como autor, o que mais me interessa é entender que eu estou numa plataforma, que é a HBO Max, que conhecemos bem pela ousadia dos produtos, pelo tipo de histórias, pelos limites até onde podemos levar” diz Montes. “Então, posso dizer que Segundas Intenções é uma novela para quem gosta de novela. Tem romance, tem melodrama, tem drama, tem muito suspense, mas o tamanho reduzido me permite fazer uma história com muitas viradas. Tenho a impressão de que o espectador vai se sentir em uma montanha-russa, acompanhando capítulo a capítulo."

    Vou conseguir levar alguns assuntos e discussões além do que a TV aberta permite.
    O autor continua: "Posso assegurar que Segundas Intenções é uma novela para o público jovem. É uma história ágil, com questões dos jovens, dialoga com o público de 20, 30 e 40 anos. E ter a supervisão do Silvio de Abreu me dá a tranquilidade de que também é uma história voltada a um público acostumado com novelas tradicionais. Esse encontro de públicos acontece no processo de escrita."

    Novos hábitos de consumo de novelas

    Quem nunca assistiu a novelas enquanto varria a casa ou olhava a comida sendo preparada na cozinha? A produção televisiva tem caráter reiterativo, que consegue manter a audiência ciente da história mesmo quando não estão sentados, prestando total atenção. Além disso, o espectador médio também se fideliza pela exibição diária das telenovelas — algo difícil de imaginar no streaming.

    No caso da HBO Max, sabemos que o serviço tem o costume de lançar episódios semanais ou temporadas completas no dia de exibição. Com a nova proposta do streaming, um novo planejamento está sendo desenvolvido para se encaixar no hábito dos consumidores de novela — afinal, às vezes, o hábito prende mais do que uma boa história (pelo menos uma vez na vida, já assistimos a novelas que considerávamos ruins, mas estavam passando na TV, então, por que não continuar?)

    Pensando nessas questões, Mônica Albuquerque quer trazer um meio-termo confortável para o espectador e, também, condizente com o que é esperado de um streaming. “Provavelmente, também vamos fazer um híbrido de exibição. Não vamos lançar uma vez por semana e nem todo dia. É uma das discussões que está em andamento. Provavelmente vamos fazer blocos de uma quantidade de capítulos — que a gente ainda não definiu — para permitir a maratona.”

    A líder do departamento de novelas também aponta que, apesar de todas as definições técnicas e de plataforma que fazem as telesséries serem o que são, o público fiel de novelas também se sentirá contemplado. "Essa é a estratégia: buscar um produto audiovisual que consiga dialogar com essa faixa mais larga de público, desde as idades mais jovens até as mais velhas, com várias classes sociais. Em uma história tão cheia de nuances, camadas e personagens, conseguimos gerar pontos de identificação e representação com vários segmentos específicos da sociedade e da audiência.”

    "O maior desafio foi entender o que queremos fazer. Vamos fazer uma novela, com melodrama, mas trazendo a qualidade e a ousadia que estamos acostumados a ver na HBO Max.”, completa Raphael Montes.

    facebook Tweet
    Links relacionados
    Pela web
    Comentários
    Mostrar comentários
    Back to Top