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    Como Brooklyn Nine-Nine e Modern Family revolucionaram a forma de fazer humor?
    Por Raphael Fernandes — 11 de mar. de 2021 às 20:15

    As duas séries se tornaram referência para o humor politicamente correto e abriram portas para produções de sucesso, como por exemplo One Day at a Time e Chewing Gum.

    As séries de humor não têm data de validade. Um exemplo é Friends. Lançada em 1994, a produção continua arrebatando milhares de fãs ao redor do mundo. Porém, ao assistir a série nos dias de hoje, é preciso filtrar inúmeros aspectos. Apesar das piadas não envelhecerem, o preconceito tornou-se algo datado.

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    Isso não é exclusivo de Friends. Muitas séries dos anos 80 e 90 também apresentavam aspectos homofóbicos, machistas e gordofóbicos em seus textos. Além disso, existia uma segregação de conteúdo. Já reparou que só tinham negros no elenco de Um Maluco no PedaçoThe Cosby Show? Enquanto que SeinfeldTrês é Demais só possuíam brancos na trama principal? Isso só reforça a ideia de que não havia miscigenação nas produções. Naquela época, cada grupo étnico tinha a sua própria série de humor para achar graça.

    Com o tempo, foi visto que era necessário mudar. Sendo assim, tivemos o surgimento de séries de humor que pudessem discutir temas recorrentes da sociedade e ainda apresentar uma diversidade étnica na tela, como é o caso de Brooklyn Nine-Nine e Modern Family. Agora, não existe um humor específico para uma etnia. Todos podem se divertir juntos e aprender mais sobre como respeitar o próximo.

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    Brooklyn Nine-Nine mostra a vida de Jake Peralta (Andy Samberg), um detetive brilhante e ao mesmo tempo imaturo, que nunca precisou se preocupar em respeitar as regras. Tudo muda quando um capitão exigente assume o comando de seu esquadrão e Jake deve aprender a trabalhar em equipe. Um dos aspectos mais surpreendentes de B99 é o Capitão Holt (Andre Braugher), um negro abertamente gay. Sua sexualidade é vista como algo natural na série, pois o fato dele ser casado é tão casualmente mencionado como seria com qualquer personagem heterossexual que esteja em um relacionamento. Além disso, a produção da NBC ainda apresenta três personagens femininas fortes: as policiais latinas Rosa Diaz (Stephanie Beatriz) e Amy Santiago (Melissa Fumero), e Gina Linetti (Chelsea Peretti), secretária da 99. Mostrando que a polícia não é lugar apenas para homens.

    Outro personagem muito importante de Brooklyn Nine-Nine é o tenente Jeffords, interpretado por Terry Crews. Inclusive, um dos momentos mais pesados da sitcom acontece com o nosso inesquecível Julius de Todo Mundo Odeia o Chris.

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    No oitavo episódio da sexta temporada, o tenente Terry Jeffords é repreendido por um policial enquanto simplesmente andava pela rua onde morava. Jeffords é tratado de maneira agressiva e desrespeitosa por nenhuma razão, e não consegue sequer dizer ao homem que também é um policial. A cena completa do episódio ainda mostra que Jake Peralta nunca viveu situação parecida, mesmo ao realizar ações que realmente eram suspeitas, explicitando o tratamento segregacionista e não-ético realizado pela polícia norte-americana – e presente na estrutura e mentalidade da sociedade como um todo.

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    Modern Family mostra o dia a dia de três famílias ligadas entre si. Jay Pritchett (Ed O’Neill) é um homem mais velho que se casa com a latina Gloria (Sofia Vergara), muitos anos mais nova que ele. Os dois vivem com o filho dela, Manny (Rico Rodriguez), e convivem diariamente com os filhos do primeiro casamento de Jay: Claire (Julie Bowen) e Mitchell (Jesse Tyler Ferguson). Claire é casada com Phil Dunphy (Ty Burrell), com quem tem três filhos: Haley (Sarah Hyland), Alex (Ariel Winter) e Luke (Nolan Gould). Já Mitchell vive um relacionamento homoafetivo com Cameron Tucker (Eric Stonestreet), que tem como fruto a filha adotiva Lily (Aubrey Anderson-Emmons).

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    Criada em 2009 por Steven Levitan e Christopher Lloyd, a sitcom foi um sucesso em todos os aspectos. Ao todo, foram 11 temporadas, 250 episódios e mais de 100 prêmios conquistados. Apesar da ausência de negros no elenco principal, a série consegue dar o destaque merecido para a comunidade LGBTQIA+ e para os latinos, que sempre foram retratados de forma pejorativa na televisão e nos cinemas.

    Além destas duas séries, que são vistas como expoentes para a mudança, também podemos destacar: One Day at Time, Sense8Chewing Gum e Orange is the New Black.

    Estamos vivendo na era do politicamente correto. Isso não pode ser visto como algo prejudicial ao humor. Não é preciso ofender uma pessoa para poder fazer a outra rir. Apesar de entender o contexto do momento em que as séries antigas foram criadas e continuar assistindo, isso não quer dizer que as novas produções devam persistir nos mesmos erros. É preciso evoluir e criar um conteúdo que possa ser respeitoso com todos.

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