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    WandaVision: Crítica completa da primeira série da Marvel no Disney+
    Por Katiúscia Vianna — 5 de mar. de 2021 às 20:13

    Elizabeth Olsen e Paul Bettany estrelam uma louca viagem para o mundo da TV, mas a obra do Disney+ te conquista com uma jornada emocional.

    Nota: 4,5/5,0

    WandaVision é a primeira dentre diversas séries que Marvel Studios está planejando para o Disney+, sendo que todas essas obras vão se conectar, de alguma forma, com os filmes lançados pelo estúdio. É uma jogada ousada por si só, mas a empresa de Kevin Feige decidiu pensar bem “fora da caixinha” com esse projeto. E, uma coisa é certa: ninguém pode dizer que é um show que segue a criticada "fórmula Marvel".

    A premissa já é algo surreal de contar: Wanda (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) vão para o subúrbio norte-americano, onde levam uma vida comum de casados, passando por estilos de diferentes décadas de sticoms. Porém, obviamente, nem tudo é o que parece e o público é levado a investigar essa realidade. Como surgiu? Como funciona? Como Visão está vivo? Essas crianças são de verdade?

    WandaVision: Paul Bettany ficou nervoso em gravação ao vivo de série do Disney+ (Entrevista Exclusiva)

    WandaVision brinca com o mundo das sitcoms

    Ficou claro desde o início que a aventura solo da Feiticeira Escarlate não poderia ser no formato longa-metragem. A brincadeira com o mundo das séries está em sua essência e vai muito além de apenas usar filtro preto e branco. Para começar, na forma que estabelecem essa história: nos apresentam tal universo insano, mas pequenas coisas parecem fora de lugar, só o suficiente para questionar nossa curiosidade. É usar a experiência semanal para criar tensão, dar tempo para as teorias loucas de fãs se espalharem pela internet.

    Mas aí, surge a reviravolta. A showrunner Jac Schaeffer sabia que parte do público ia se sentir meio perdido e gostaria de respostas rápidas — principalmente num mundo onde estamos acostumados a receber tudo de uma vez só (obrigada por nos mimar, Netflix!). Então, o episódio quatro muda de perspectiva, acompanhando Monica Rambeau (Teyonah Parris) se envolvendo nessa história de Wanda. Aí também são (re)apresentados Jimmy Woo (Randall Park) e Darcy (Kat Dennings), uma pura explosão de catarse, pois ambos representam exatamente as dúvidas da audiência. 

    WandaVision: Randall Park e Kat Dennings querem fazer série de Jimmy e Darcy no Disney+ (Exclusivo)

    A partir daí, temos o melhor dos dois mundos, já diria Hannah Montana. Eu poderia passar horas elogiando a ambientação de tais universos e a atenção nos detalhes na hora de percorrer entre essas duas realidades, num trabalho eficiente do diretor Matt Shakman. Porém, tempo é dinheiro, então fica aqui os elogios para os responsáveis pela impecável (e provavelmente) complicada produção de design, figurino e maquiagem. Pois não basta recriar seis décadas de televisão diferentes, ainda precisa botar easter-eggs em cada uma delas — que ficam rendendo aqueles diversos vídeos de análise de cada frame no Youtube.

    Wanda finalmente se torna a Feiticeira Escarlate

    Afinal, o grande trunfo de WandaVision não é somente sua embalagem bonita e divertida, mas a jornada emocional que vem dentro. Sejamos sinceros, Wanda está merecendo espaço nas telas faz tempo. Mesmo sendo possivelmente a Vingadora mais poderosa, ela sempre ficou de escanteio perto de figuras como Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Steve Rogers (Chris Evans). E, mesmo assim, ela foi uma das personagens que mais sofreu nesses últimos anos.

    Surge então a pergunta que não quer calar: o que acontece quando uma pessoa super poderosa passa por uma série de traumas? Perde o controle numa jornada emocional muito tocante, onde Wanda usa um mundo perfeito de sitcoms como uma alegoria de negação. Ao longo dos episódios, a redoma se desfaz e a personagem tem que embarcar numa jornada de aceitação, ao mesmo tempo que descobre mais sobre si mesma, para que finalmente possa seguir em frente. Essa analogia, com questões pesadas como perda e luto, é feita de maneira cativante por Schaeffer — que sabe dosar fanservice com conteúdo. 

    WandaVision: O que os comerciais na série do Disney+ têm a nos dizer!

    O universo de WandaVision se torna um parque de diversões para seus atores. Elizabeth Olsen e Paul Bettany brilhavam nas cenas de comédia, encarnando os estilos de cada época, mas o destaque mesmo fica com a intérprete da Feiticeira Escarlate, que sabe equilibrar o lado poderoso e assustador de Wanda, com a fragilidade da personagem. Sinceramente, todo o elenco está bem: Kathryn Hahn é sempre um acerto (e estou bem feliz que o público de massa finalmente a reconhece); Teyonah Parris te faz torcer por Monica; Randall Park e Kat Dennings estão perfeitos como alívio cômico... Sem falar em Evan Peters, naquela que pode ser a "escalação mais genial para nos fazer de trouxa" dos últimos tempos.

    WandaVision é um belo começo pro MCU na TV

    Por vezes estranha, mas sempre surpreendente, foi divertido acompanhar WandaVision toda semana. Seja para captar as referências de séries que amamos, acompanhar personagens que finalmente ganham o espaço que mereciam, ou simplesmente trazer um ar fresco para o Universo Cinematográfico Marvel. Como uma segunda temporada não está nos planos do estúdio, só nos resta uma coisa: rever a série e apreciar cada um de seus infinitos detalhes enquanto esperamos para ver a Feiticeira Escarlate sendo diva em Doutor Estranho 2

    PS: Se WandaVision fosse exibida no cinema, o público ia surtar na cena de Wanda se transformando na Feiticeira Escarlate da mesma forma que gritou quando Capitão América pegou o Mjölnir. Falo mesmo.

    PS 2: "Agatha All Along" já pode ser considerada uma das melhores músicas de vilões da Disney?

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