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    Steven Spielberg diz que Idris Elba deveria ter sido indicado ao Oscar, mas nega "racismo inerente" da Academia
    Por Joao Vitor Figueira — 16 de fev. de 2016 às 17:54
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    Cineasta disse que não "concorda 100%" com as medidas adotadas pela Academia para diversificar seus membros.

    Steven Spielberg é um dos maiores cineastas americanos vivos e um dos grandes defensores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A organização se tornou alvo de controvérsia ao, pelo segundo ano consecutivo, indicar apenas atores brancos nas 20 categorias de atuação, mesmo com grandes performances de atores negros e latinos no ano de 2015.

    Em entrevista ao site The Hollywood Reporter, o cineasta responsável pelo thriller histórico com seis indicações ao Oscar Ponte dos Espiões, manifestou sua opinião sobre o controverso tema. "Eu sou um grande apoiador do Oscar. Eu fiquei surpreso por algumas pessoas não terem sido indicadas. Eu fiquei surpreso com a exclusão de Idris [Elba]", disse o diretor, que ainda sugeriu que a performance do ator negro britânico em Beasts Of No Nation foi melhor do que a de alguns dos indicados nas categorias de melhor ator principal e coadjuvante.

    Spielberg também considera que a cinebiografia musical sobre o pioneiro grupo de gangsta rap N.W.A. também foi subestimada pela Academia neste ano em que todas produções indicadas ao Oscar de melhor filme contam histórias de protagonistas brancos. "Eu vi Straight Outta Compton: A História do N.W.A.. Minha esposa e eu vimos quando estreou, no primeiro final de semana, e isso balançou o nosso mundo. Foi incrível. Eu fiquei muito surpreso com essa omissão [no Oscar]". Straight Outta Compton recebeu apenas uma indicação, na categoria melhor roteiro original.

    Entretanto, o diretor vê com ressalvas algumas das posturas que serão tomadas pela Academia para garantir que os próximos anos tenham indicados mais diversos. "Eu não acredito que haja um racismo inerente ou dormente dos integrantes brancos da Academia", afirmou o cineasta, que lembrou de quando Lupita Nyong’o venceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu trabalho em 12 Anos de Escravidão, que venceu o Oscar de melhor filme em 2014 (o primeiro filme dirigido por um cineasta negro, Steve McQueen, a conseguir tal feito).

    "Eu não estou 100% certo de que tirar votos de membros da Academia que cumpriram seus deveres e talvez estejam aposentados agora será certo. Talvez eles não ganhem uma indicação, que os daria imunidade às novas regras, mas eles serviram de forma honrosa e esta é a indústria deles também. Tirar os votos deles? Não sou 100% a favor disso", avaliou. Spielberg estava se referindo às novas diretrizes da Academia para decidir quem pode votar para definir os indicados.

    No mês passado, os diretores da Academia decidiram que os membros novos poderão votar no Oscar por dez anos e, ao fim desse período, o indivíduo terá de passar por uma avaliação. Caso permaneça em atividade, terá mais dez anos de direito a voto e, depois de outra avaliação, mais dez. Só após isso, o membro terá direito de se tornar um membro perpétuo. Os indicados e vencedores não terão de passar por esse processo.

    "Não é só a Academia, e acho que precisamos parar de apontar dedos e culpar a Academia. Não são apenas as pessoas que contratam, são as pessoas nos comandos dos estúdios", disse o diretor, ao tentar chegar a origem da falta de representatividade de minorias em Hollywood.

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