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    Enola Holmes 2
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Enola Holmes 2

    Eu cresci e agora sou mulher

    por Katiúscia Vianna
    Stranger Things se tornou um fenômeno para a Netflix, que não perdeu tempo para conseguir mais projetos com uma de seus protagonistas, Millie Bobby Brown. Afinal, sua Eleven segue como uma personagem marcante na cultura pop (sempre tem alguém usando a peruca loira e o vestido rosa de On em uma festa a fantasia, não importa quanto tempo passe). Mas também é normal que a jovem estrela também queira mostrar mais versatilidade. Chegou então Enola Holmes que, definitivamente, está caminhando para criar sua própria franquia. Após o sucesso de 2020, a irmã de Sherlock Holmes retorna para uma nova aventura, mais madura e mais ambiciosa — para o bem e para o mal.

    Qual é a história de Enola Holmes 2?



    Com retorno de boa parte do elenco original, Enola Holmes 2 acompanha a jovem animada após ter resolvido seu primeiro caso no filme anterior e decidida a se tornar uma detetive, longe da sombra de seu irmão mais famoso, Sherlock (Henry Cavill). Porém, conseguir clientes é algo difícil numa sociedade sexista que não sabe valorizar a voz de jovens mulheres (quem me dera isso fosse uma coisa do passado, não é mesmo?).

    Tudo muda com um pedido da pequena Bessie (Serrana Su-Ling Bliss), desesperada em encontrar sua irmã desaparecida, Sarah. O que começa como uma simples investigação numa fábrica de fósforos, logo culmina num caso que envolve a corrupção entre a elite política de Londres. E, obviamente, acaba se conectando com o destino de Sherlock — que, assim como a irmã, não sabe pedir ajuda para lidar com seu mais recente mistério.

    Logo, ambos terão que aprender a trabalhar juntos e confiar em diversos aliados, como a mãe, Eudoria Holmes (Helena Bonham Carter), e o interesse amoroso de Enola, o jovem lorde Tewkesbury (Louis Partridge). Se o irmão Mycroft Holmes (Sam Claflin) ficou fora da trama, o longa traz novidades no elenco, como os atores David Thewlis (franquia Harry Potter) e Sharon Duncan-Brewster (Duna).

    Enola Holmes aprendiz de Fleabag



    Felizmente, muitas características boas do primeiro Enola Holmes retornam para sua sequência. A quebra da quarta parede, que propõe uma visão mais aprofundada de sua protagonista, ainda é uma ferramenta bem explorada pelo diretor Harry Bradbeer. E associada com uma edição afiada, deve manter as comparações com a tão aclamada Fleabag — o que não deve ser considerado como algo ruim; pelo contrário, é um elogio. Fica aqui a campanha para escalarem Phoebe Waller Bridge num terceiro filme da franquia.

    Pois, sejamos sinceros, a possibilidade de não rolar Enola Holmes 3 é mínima. Apesar do segundo filme ter sua própria história (falaremos disso daqui a pouco), diversas portas são abertas para seguir a franquia da jovem detetive no futuro. E, sinceramente, não ficaria triste em ver mais investigações da família Holmes, já que se trata de um ângulo interessante sobre uma história tão conhecida.



    Porém, uma das fraquezas de Enola Holmes 2 é justamente a conexão com a clássica obra do Sir Arthur Conan Doyle. Não me entenda errado, o destaque para o relacionamento entre a protagonista e seu irmão Sherlock é bem divertido, graças à conexão de Millie Bobby Brown e Henry Cavill. Mas, por vezes, parece que a história fica tão obcecada em adicionar elementos dos livros clássicos de Sherlock (221b Baker Street! O cachimbo! O violino!), que esquece como Enola deveria ser o foco. Inclusive, os ganchos para novos filmes são pessoas importantes que surgem ao longo da aventura, mas não daremos spoilers por aqui.

    Ou seja, imagina o trabalho do roteirista Jack Thorne para: 1 - criar uma história para Enola, 2 - adicionar elementos de Sherlock, 3 - ter um motivo para trazer o Tewkesbury de volta, 4 - usar uma história real para inspirar a trama (no caso, a revolução trabalhista de Sarah Chapman), e 5 - adicionar diversas reviravoltas e enigmas ao longo do caminho. As diversas curvas do script prejudicam a narrativa, que acaba sendo longa demais, mas não gasta todo o charme de seu elenco, felizmente.

    MIllie Bobby Brown e Henry Cavill estrelam Enola Holmes 2



    Novamente, Millie Bobby Brown apresenta muito carisma em Enola Holmes, sabendo dosar entre drama, ação e comédia de maneira bem natural. Não é à toa que ela parece tão confortável na sequência, já que também assume o posto de produtora e quebrou recorde de maior salário recebido por alguém com menos de 20 anos. Talento ela tem de sobra e é bom ver que ela investe numa franquia de qualidade.

    Henry Cavill é a versão mais interessante de Sherlock Holmes que já vimos na tela? Não, ainda sou fã do sociopata funcional de Benedict Cumberbatch (só não passo pano pra quarta temporada mesmo). Porém, ele faz um bom trabalho ao manter a pose enigmática do detetive, mas também abre espaço para um lado emotivo do moço, que realmente se importa com a irmã caçula.

    Dentre os coadjuvantes, o destaque fica para Helena Bonham Carter, cuja excentricidade é perfeita para a personalidade forte de Endora, além de também trazer uma conexão emocional para a personagem — que luta para uma sociedade melhor, mas não hesita em ajudar os filhos. Já Louis Patridge segue fazendo boa dupla com Millie Bobby Brown, e o casal criado por Enola e Tewkesbury acaba sendo bem fofo. Os retornos de Lestrade (Adeel Akhtar) e Edith (Susan Wokoma) são breves, mas também adicionam ao charme da franquia.

    Vale a pena ver Enola Holmes 2?



    Enola Holmes 2 é um filme perfeito? Não. São diversas reviravoltas com soluções que nem sempre são críveis e tem sérios problemas ao tentar equilibrar os talentos e personalidades de Enola e Sherlock. Mas existe um certo charme nas adaptações da obra escrita por Nancy Springer… Mesmo com mais de duas horas de duração, ainda é uma história divertida para todos os públicos.

    De qualquer forma, existe algo especial nessa franquia. Talvez seja o elenco cheio de simpatia. Talvez seja o frescor de ver uma jovem garota independente numa história tão vista sob o olhar masculino. Ou talvez seja a loucura de ver uma fanfic live-action onde Eleven e Superman são irmãos e filhos de Bellatrix numa Londres vitoriana.
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