Média
4,0
366 notas
5
51 críticas
4
27 críticas
3
14 críticas
2
12 críticas
1
7 críticas
0
11 críticas
Organizar por
Filtrar por:
Tudo
Biografia lançada em livro e que ficou entre os mais vendidos quando de seu lançamento, Ney Matogrosso desafia e atiça o nosso entendimento racional da vida e das coisas.
Ultimamente, o cantor, diretor e dançarino tem ambicionado bastante: shows em estádios, um livro com muitas páginas e um filme. Parece que ele não conhece a medida do que é parar ou se cansar.
Aos 85 anos, Ney Matogrosso continua ativo, com personalidade muito própria e um camaleão. O Reino Unido teve David Bowie como um artista mutante. Aqui no Brasil, temos um para chamar de nosso.
“Homem com H” foi trabalhado e pesquisado por 2 anos. Assim falou parte da equipe que participou desse projeto. De personalidade direta e objetiva, Ney forneceu não só muito material e histórias, como ele mesmo é a História ambulante, repleta de intensidades, de transgressão e de pôr sua própria vontade.
Diante de um ícone tão autêntico e cheio de explosão de vida, não seria fácil fazer um roteiro que desnudasse o artista mais original e bem controverso para uma sociedade sob a ditadura militar e que tentava entender as rápidas transformações no cenário artístico.
Há espectadores que preferem visualizar momentos cruciais e polêmicos no meio ou no final da película. Não é o caso: o começo está no ambiente familiar em que Ney vivia. É revelador, uma vez que ele, seus irmãos e seus pais viviam numa vila militar um pouco antes da ditadura.
Suas discussões e brigas com seu pai não são suaves e é interessante ver como as câmeras se movem bem perto dos atores e se movimentam.
Antes de sair de casa, Ney de Souza Pereira tem uma conversa áspera com o pai, Antônio. Pega seus pertences e, antes de sair pela porta, diz uma frase que traduz e resume como seria sua vida independente.
Tenta a carreira militar e conhece outros rapazes. No quartel, demonstra interesse por colegas: a ponta do iceberg que eclode dentro de Ney mais tarde.
Sem vocação para ser militar, Ney peregrina por cidades como São Paulo, Rio e Brasília. Faz artesanato e entra num coro. Nos ensaios vocais, brinca com a voz pegando o registro das vozes femininas. Pensando em ser ator, Ney é surpreendido pelo maestro do coro, o qual destaca sua voz e se ele não pensa em ser cantor.
Vivendo com colegas e adotando uma identidade hippie, Ney se depara com sua indecisão e oscilação da vida, com momentos bons e ruins. Conhece Eugênio, seu primeiro relacionamento, mas não suporta a convivência diária com ele. Dá um ponto final e aí, o futuro cantor mostra sua resolutividade e ênfase pessoal.
O encontro com os parceiros João Ricardo e Gérson Conrad, a formação dos “Secos & Molhados”, o êxito meteórico e a separação de Ney em relação ao grupo por motivos financeiros são essenciais. Tanto para a biografia do cantor como pela história da música brasileira. Indissolúvel.
Já autoafirmado e com coragem, Ney Matogrosso se inspira no sobrenome do pai e se apresenta como alguém mais visceral, com mais raiva e instinto. Porém, não menos intenso.
Aconselhado por amigos, resolve mudar sua vestimenta e parte do repertório. Sem maquiagem e com adereços como chapéu, Ney Matogrosso suaviza na letra, abandonando a questão política e social. O sabor permanece forte e bem temperado. O lírico e o amor mais pegados, suados, sugestivos e ambíguos. Não diminui seu talento e sua madureza. Não se apequena.
Ao mesmo tempo, sua vida pessoal e de relacionamentos é curiosa, apaixonante, de arrebatamentos. É tão quente e tórrida quanto a brasa bem incandescente.
Transita entre a liberdade irrestrita de amar e o freio imposto pelo surgimento da Aids. Ney vê amigos e amantes partirem. Cuida até o fim de um de seus grandes companheiros, o médico Marco de Maria. Demonstra muita dedicação, confiança, compreensão e atitude nos instantes anteriores à morte de Marco.
O filme não ficou muito tempo no grande circuito, o que é uma pena. A fidedignidade da história entre o filme e o livro são incríveis. Mais marcante ainda é o desempenho excepcional, absurdo de Jesuíta Barbosa. Até os trejeitos de Ney Matogrosso, ele imita com muita realidade, quase perfeito. Digno de receber os melhores prêmios internacionais do cinema. A audácia do ator é igual à da carreira de Ney.
Carinho não faltou para os figurinos e cenários. Só a apresentação da TV Tupi de Secos & Molhados no auge da fama indica o ótimo profissionalismo da equipe.
Entre momentos muito ardentes e exibição de corpos, o espaço é aberto para afeição. Para o fluir natural dos acontecimentos e do próprio filme. Encontros e desencontros com Cazuza, as conversas na praia e a dúvida quanto a lançar o hit que dá nome para o filme são emblemáticos, esclarecedores e bonitos.
Apesar de usar maquiagem e de se transformar no palco, Ney Matogrosso se abre totalmente para juntar família, carreira, paixões e reconhecimento do público. Esse reconhecimento poderia ser mais extenso dentro das salas de cinema. Um gostinho a mais para matar a curiosidade do mutante, sincero e natural artista. Suas inspirações originam-se de sua terra nativa, onde bichos e florestas são onipresentes e transmitem parte de sua selvageria para os palcos. O grito primal e instintivo que Ney Matogrosso tomou com propriedade. Incorporou na sua dança, no seu ritual de palco e na beleza e na força de sua voz hipnotizadora.
Ultimamente, o cantor, diretor e dançarino tem ambicionado bastante: shows em estádios, um livro com muitas páginas e um filme. Parece que ele não conhece a medida do que é parar ou se cansar.
Aos 85 anos, Ney Matogrosso continua ativo, com personalidade muito própria e um camaleão. O Reino Unido teve David Bowie como um artista mutante. Aqui no Brasil, temos um para chamar de nosso.
“Homem com H” foi trabalhado e pesquisado por 2 anos. Assim falou parte da equipe que participou desse projeto. De personalidade direta e objetiva, Ney forneceu não só muito material e histórias, como ele mesmo é a História ambulante, repleta de intensidades, de transgressão e de pôr sua própria vontade.
Diante de um ícone tão autêntico e cheio de explosão de vida, não seria fácil fazer um roteiro que desnudasse o artista mais original e bem controverso para uma sociedade sob a ditadura militar e que tentava entender as rápidas transformações no cenário artístico.
Há espectadores que preferem visualizar momentos cruciais e polêmicos no meio ou no final da película. Não é o caso: o começo está no ambiente familiar em que Ney vivia. É revelador, uma vez que ele, seus irmãos e seus pais viviam numa vila militar um pouco antes da ditadura.
Suas discussões e brigas com seu pai não são suaves e é interessante ver como as câmeras se movem bem perto dos atores e se movimentam.
Antes de sair de casa, Ney de Souza Pereira tem uma conversa áspera com o pai, Antônio. Pega seus pertences e, antes de sair pela porta, diz uma frase que traduz e resume como seria sua vida independente.
Tenta a carreira militar e conhece outros rapazes. No quartel, demonstra interesse por colegas: a ponta do iceberg que eclode dentro de Ney mais tarde.
Sem vocação para ser militar, Ney peregrina por cidades como São Paulo, Rio e Brasília. Faz artesanato e entra num coro. Nos ensaios vocais, brinca com a voz pegando o registro das vozes femininas. Pensando em ser ator, Ney é surpreendido pelo maestro do coro, o qual destaca sua voz e se ele não pensa em ser cantor.
Vivendo com colegas e adotando uma identidade hippie, Ney se depara com sua indecisão e oscilação da vida, com momentos bons e ruins. Conhece Eugênio, seu primeiro relacionamento, mas não suporta a convivência diária com ele. Dá um ponto final e aí, o futuro cantor mostra sua resolutividade e ênfase pessoal.
O encontro com os parceiros João Ricardo e Gérson Conrad, a formação dos “Secos & Molhados”, o êxito meteórico e a separação de Ney em relação ao grupo por motivos financeiros são essenciais. Tanto para a biografia do cantor como pela história da música brasileira. Indissolúvel.
Já autoafirmado e com coragem, Ney Matogrosso se inspira no sobrenome do pai e se apresenta como alguém mais visceral, com mais raiva e instinto. Porém, não menos intenso.
Aconselhado por amigos, resolve mudar sua vestimenta e parte do repertório. Sem maquiagem e com adereços como chapéu, Ney Matogrosso suaviza na letra, abandonando a questão política e social. O sabor permanece forte e bem temperado. O lírico e o amor mais pegados, suados, sugestivos e ambíguos. Não diminui seu talento e sua madureza. Não se apequena.
Ao mesmo tempo, sua vida pessoal e de relacionamentos é curiosa, apaixonante, de arrebatamentos. É tão quente e tórrida quanto a brasa bem incandescente.
Transita entre a liberdade irrestrita de amar e o freio imposto pelo surgimento da Aids. Ney vê amigos e amantes partirem. Cuida até o fim de um de seus grandes companheiros, o médico Marco de Maria. Demonstra muita dedicação, confiança, compreensão e atitude nos instantes anteriores à morte de Marco.
O filme não ficou muito tempo no grande circuito, o que é uma pena. A fidedignidade da história entre o filme e o livro são incríveis. Mais marcante ainda é o desempenho excepcional, absurdo de Jesuíta Barbosa. Até os trejeitos de Ney Matogrosso, ele imita com muita realidade, quase perfeito. Digno de receber os melhores prêmios internacionais do cinema. A audácia do ator é igual à da carreira de Ney.
Carinho não faltou para os figurinos e cenários. Só a apresentação da TV Tupi de Secos & Molhados no auge da fama indica o ótimo profissionalismo da equipe.
Entre momentos muito ardentes e exibição de corpos, o espaço é aberto para afeição. Para o fluir natural dos acontecimentos e do próprio filme. Encontros e desencontros com Cazuza, as conversas na praia e a dúvida quanto a lançar o hit que dá nome para o filme são emblemáticos, esclarecedores e bonitos.
Apesar de usar maquiagem e de se transformar no palco, Ney Matogrosso se abre totalmente para juntar família, carreira, paixões e reconhecimento do público. Esse reconhecimento poderia ser mais extenso dentro das salas de cinema. Um gostinho a mais para matar a curiosidade do mutante, sincero e natural artista. Suas inspirações originam-se de sua terra nativa, onde bichos e florestas são onipresentes e transmitem parte de sua selvageria para os palcos. O grito primal e instintivo que Ney Matogrosso tomou com propriedade. Incorporou na sua dança, no seu ritual de palco e na beleza e na força de sua voz hipnotizadora.
O que mais me marcou no filme foi a liberdade de Ney Matogrosso e a forma como ele transformou essa liberdade em provocação. Em plena ditadura, sua maneira de se apresentar, com maquiagem, roupas extravagantes e uma sensualidade que desafiava os padrões de masculinidade da época, já era uma forma de contestação.
Achei interessante perceber que seu impacto cultural não vinha apenas das músicas, mas também da maneira como ele usava o próprio corpo e sua imagem para questionar o que a sociedade esperava de um homem. O filme mostra muito bem como, simplesmente sendo quem queria ser, Ney acabou se tornando uma figura transgressora e importante para a cultura brasileira.
Achei interessante perceber que seu impacto cultural não vinha apenas das músicas, mas também da maneira como ele usava o próprio corpo e sua imagem para questionar o que a sociedade esperava de um homem. O filme mostra muito bem como, simplesmente sendo quem queria ser, Ney acabou se tornando uma figura transgressora e importante para a cultura brasileira.
Ney Matogrosso é um artista incrível que poderia ter contado mais a sua história,vida e arte. Esperava mais do filme por ser um grande artista musicalmente. Mas a maior parte do filme mostra os atos sexuais.
A atuação é o motor que sustenta a obra. O protagonista entrega uma performance tão entregue e detalhista que fica difícil separar o ator da figura real. O tema da identidade e da liberdade é abordado de forma corajosa, sem fugir das complexidades.
Assim como em grandes dramas biográficos, a atuação é tão poderosa que desperta sentimentos intensos. É impossível não sentir indignação e raiva da ignorância e do preconceito que cercavam o artista. Ver o choque entre a autenticidade dele e a resistência de uma sociedade conservadora dói, mas é o que torna a experiência tão necessária e emocionante.
Assim como em grandes dramas biográficos, a atuação é tão poderosa que desperta sentimentos intensos. É impossível não sentir indignação e raiva da ignorância e do preconceito que cercavam o artista. Ver o choque entre a autenticidade dele e a resistência de uma sociedade conservadora dói, mas é o que torna a experiência tão necessária e emocionante.
Espetacular em todos aspectos . Interpretações dos artistas,roteiro, figurino, cenários internos e externos. Emocionante cada detalhe do filme. A pessoa de Ney é admirável!!!!
OK. O Ney não se importa de ser uma pessoa que explora artisticamente sua sexualidade, até se gaba disso, mas fazer um filme sobre isso é redutor demais. Logo ele que não gosta de rótulos. Pena. Vai entrar pra história do cinema como um cantor que gostava muito de fazer sexo. Triste. E só!
Maravilhoso, magnânimo!
O talentosíssimo Jesuíta é um encanto no papel de Ney, e a sua história é incrível. Recomendo a toda que assistam.
O talentosíssimo Jesuíta é um encanto no papel de Ney, e a sua história é incrível. Recomendo a toda que assistam.
Filme nacional excelente !!!
Jesuíta da um show de atuação, história incrível e totalmente envolvente, espetáculo de filme
Jesuíta da um show de atuação, história incrível e totalmente envolvente, espetáculo de filme
Se você não conhece a história de Ney Matogrosso e acha que este filme vai servir como porta de entrada para a vida e obra do artista… meu amigo, pare agora. Homem com H não é apenas “não recomendado para menores”, é “não recomendado para quem tem algum nível de constrangimento social”.
O filme promete contar a trajetória de Ney, mas entrega apenas o Kamasutra Cinematográfico do Matogrosso. Eu fui esperando Secos & Molhados, influências artísticas, bastidores da música, histórias de palco… e o que recebi foi um catálogo interminável de parceiros, posições e libidinagem gratuita.
As cenas são tão explícitas que em certos momentos senti vergonha alheia em 4K. Houve situação em que fechei os olhos, não por pudor, mas por legítimo instinto de autopreservação.
Para piorar, comecei a assistir com minhas filhas — na ilusão de apresentar a história de um dos maiores artistas do país — e vivi segundos de puro arrependimento. Achei que ia mostrar cultura; entreguei um after de carnaval em câmera lenta.
Se você quer música, história e contexto… vai ter que procurar em outro lugar. Aqui, a única coisa que tem contexto é a cama.
O filme promete contar a trajetória de Ney, mas entrega apenas o Kamasutra Cinematográfico do Matogrosso. Eu fui esperando Secos & Molhados, influências artísticas, bastidores da música, histórias de palco… e o que recebi foi um catálogo interminável de parceiros, posições e libidinagem gratuita.
As cenas são tão explícitas que em certos momentos senti vergonha alheia em 4K. Houve situação em que fechei os olhos, não por pudor, mas por legítimo instinto de autopreservação.
Para piorar, comecei a assistir com minhas filhas — na ilusão de apresentar a história de um dos maiores artistas do país — e vivi segundos de puro arrependimento. Achei que ia mostrar cultura; entreguei um after de carnaval em câmera lenta.
Se você quer música, história e contexto… vai ter que procurar em outro lugar. Aqui, a única coisa que tem contexto é a cama.
Nota 10 para a performance de Jesuíta Barbosa.
Há momentos que parece que Ney mato Grosso assume a cena do filme.
Há momentos que parece que Ney mato Grosso assume a cena do filme.
- As últimas críticas do AdoroCinema
- Melhores filmes
- Melhores filmes de acordo a imprensa