Eu nem gostos de filmes de drama, mas a história de Otto fez-me parar e me emocionar, principalmente porque eu me vi no ranzinza que é o personagem (risos). A história no geral é bem amarrada e cuida dos detalhes que acrescenta à trama, desenvolvendo e explicando as relações dos personagens. Eu, particularmente, não gosto de filmes que retomam a cenas do passado, pois fazem isso apenas para enrolar e, de fato, esse, logo no início, volta ao passado quando ainda não há necessidade. Mas, à medida que o filme se desenrola, nós acabamos gostando desses flashbacks para entendermos as relações do Otto com os demais personagens. São como as peças que faltam no quebra-cabeças, e, por isso, não desvalorizei o uso desse recurso. O filme também é muito imersivo, e nós conseguimos acompanhar toda a transformação, ou, na verdade, externalização do verdadeiro ser personagem (tentando escrever sem spoilers).
Um ponto que é principal na história é o luto do personagem principal. Várias coisas acontecem à sua volta, mas, no fim, tudo se remete à forma como ele lida com esse estado emocional, ou melhor, como ele não consegue lidar. O filme usa isso para explorar em nós, espectadores, uma mistura de vários sentimentos ao longo da cena, e, muitos deles, simultaneamente.
Por fim, talvez eu, que sou do direito, só tenha ficado com "uma pulga atrás da orelha" quanto à resolução da disputa jurídica com a imobiliária. Talvez isso merecesse um melhor desfecho e, assim, satisfar-me-ia mais.
Mas, de modo geral, recomendo muito o filme e, provavelmente, vou assisti-lo mais uma vez. Certamente está no Top 20 dos filmes que mais gostei.