Guerra Mundial Z (2013) — Nota:
Guerra Mundial Z se destaca como um dos filmes mais impactantes do subgênero apocalipse zumbi justamente por sua simplicidade brutal. Não há longas explicações, conspirações elaboradas ou preparação gradual: o apocalipse começa do nada e, quando o espectador percebe, o mundo inteiro já está em colapso.
O grande diferencial do filme está na forma como os zumbis são retratados. Diferente de obras como The Walking Dead ou Resident Evil, onde os mortos-vivos acabam se tornando apenas um dos problemas em meio à escassez de recursos, conflitos humanos e ausência de governo, aqui eles são o problema central. Não existe adaptação confortável possível. Os zumbis são rápidos, agressivos, organizados e funcionam quase como uma mente coletiva. Eles não hesitam em se sacrificar, escalar muralhas ou se lançar de grandes alturas se isso significar alcançar novas vítimas. Não é burrice — é estratégia de colmeia.
Essa abordagem faz com que o apocalipse de Guerra Mundial Z pareça muito mais desesperador do que o de outras obras do gênero. Sobreviver não depende apenas de inteligência ou preparo: muitas vezes, depende pura e simplesmente de sorte.
O protagonista é apresentado como um veterano de guerra experiente, o que ajuda a justificar parte de sua resistência física e psicológica. Ainda assim, em vários momentos, fica difícil não sentir que ele sobrevive mais por força do protagonismo do que por mérito real. A sensação constante é: “se eu estivesse no lugar dele, morreria facilmente”. Isso não quebra o filme, mas revela um contraste entre o realismo brutal do mundo e a quase invulnerabilidade do personagem.
Essa sensação se intensifica no ato final, quando a descoberta da “cura” — ou melhor, do mecanismo que impede os zumbis de atacarem — acontece de forma relativamente simples. Nesse ponto, o protagonista ultrapassa o limite do soldado experiente e entra no território do herói quase invencível. É uma solução funcional para a narrativa, mas claramente conveniente.
Ainda assim, o ritmo do filme compensa qualquer exagero. Com cerca de duas horas de duração, Guerra Mundial Z passa rápido graças à sua dinâmica constante, à escala global dos acontecimentos e à sensação permanente de urgência. Não há tempo para respirar — exatamente como deveria ser em um verdadeiro fim do mundo.
No fim das contas, trata-se de um filme completamente irrealista, mas extremamente eficaz. Ele não pretende ser um estudo sociológico profundo nem uma análise existencial da humanidade em ruínas. Seu objetivo é simples: mostrar um apocalipse zumbi como uma força imparável da natureza — e nisso, ele é exemplar.