Apesar de sua pouca duração (para as possibilidades que abarca) o filme "Guerra Mundial Z" consegue cumprir boa parte dos principais objetivos almejados pelo seu criador Max Brooks. Segundo o escritor, o gosto que as pessoas (principalmente estadunidenses) têm por filmes de zumbis se deve ao intrínseco individualismo da sociedade capitalista neoliberal aliado à sensação de onipotência propiciada pelo superconsumismo. Com isso em mente, o autor lançou, em 2005, o livro "World War Z". A escolha de (pseudo) zumbis não é por acaso. Brooks nos oferece um novo tipo de praga: os seus zumbis não são lentos ou pouco eficientes; personificam a irracionalidade e o consumismo viral de nossa sociedade. Espalham-se rapidamente e são dotados de uma violência implacável.
É uma obra que busca retratar a realidade como é: desnuda as maiores fragilidades dos aparelhos de governo em situações de crise e da sociedade ao lidar com uma situação extrema. Para tanto, reuniu um imenso repertório: leu vários livros sobre operações militares, medidas governamentais em crises e comportamento humano.
O filme, por sua vez, aborda os aspectos mais relevantes da crítica do escritor; a fotografia lida muito bem ao apresentar as críticas; as imagens da natureza chocante, violenta, no início do filme, em oposição à vida urbana introspecta em seu espaço isolado, ingênuo; a súbita mudança da realidade, assim como retrata Brooks com a sua inovadora e realística forma de descrever um apocalipse "zumbi". Lembra, da TV, o seriado "The Walking Dead" em sua primeira temporada, que tem também um impactante realismo (sem a profundidade filosófica).
O filme tem atuações apenas boas. Brad Pitt não parece estar de acordo com a intenção da obra. Mireille Enos, idem. Ambos não parecem ter reações à altura do que realmente pretendia o filme e a obra literária. Mas fora isso, temos atuações boas, na média.
De qualquer modo, no geral, as impressões que tive do filme foram aquelas que tive quando li o livro, de inovação com propriedade; não é apenas um filme de zumbi: é inteligente, sutil, com críticas interessantes da sociedade e dos governos. Vale a pena assistir, mas aqui vai uma dica: preste atenção nos detalhes; se possível leia o livro antes e também sobre o autor.