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    Análise: A reabertura dos cinemas pós-pandemia e a incerteza com relação ao futuro
    Por Barbara Demerov — 11 de mai. de 2020 às 19:23
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    Mesmo sem as respostas, há muita pressa.

    Estamos em 2020 e a palavra "drive-in" está voltando ao nosso vocabulário. Nossos olhares estão voltando ao ontem, especialmente com relação ao cinema. Afinal, assistir a filmes na tela grande só será possível daqui a algum tempo (pelo menos no Brasil) desta forma: no carro, com um ou dois acompanhantes e respeitando o distanciamento. É irônico, nostálgico e até mesmo doloroso pensar neste tipo de solução voltada ao passado em um 2020 já intensamente marcado pela pandemia do coronavírus.

    Mas, se aqui no Brasil ainda estamos no início de pensar a voltar às salas escuras de cinema - afinal, tal ideia pode dar até arrepios no momento -, em alguns países da Europa já está sendo avaliada a chance de o mercado cinematográfico voltar a funcionar como antes. Com algumas restrições e nenhuma garantia de que tudo funcionará como o esperado, é claro. Mas a ideia é essa.

    Os cinemas europeus planejam a retomada de uma forma lenta, respeitando rigorosamente as regras de distanciamento social com as salas operando com um terço de sua capacidade. Este é o caso da Espanha, que a partir de 25 de maio colocará em prática um processo de desconfinamento após 50 dias de quarentena. A Alemanha também planeja retomar as atividades, mas um pouco mais longe: somente em julho.

    Porém, nem mesmo na China, país que registrou o primeiro caso do novo coronavírus, as salas de cinemas operaram normalmente até abril. Houve uma leve tentativa de reabertura de algumas salas no país ("apenas" 500 salas de um total de 70 mil) no final de março, mas poucas pessoas tiveram a coragem de sair de suas casas. O resultado foi um fraquíssimo ganho de bilheteria (cerca de dois mil dólares) e o rápido fechamento das salas.

    O cenário mudou um pouco agora no início de maio, quando o governo chinês aprovou a reabertura de museus, cinemas e teatros. Ainda não há como saber se a retomada total vai funcionar por lá, mas após cinco meses de luta contra a Covid-19, a esperança é a de consigam voltar à normalidade usando máscaras e respeitando o distanciamento social após tanto tempo de reclusão. E é claro que é preciso relembrar todos os esforços do governo na contenção do contágio ao longo deste ano.

    MAS E NOS ESTADOS UNIDOS?

    O grande problema atualmente é o mercado cinematográfico norte-americano, que é nada mais, nada menos que o segundo maior após a China. O presidente Donald Trump insiste em reabrir os cinemas e outros locais fechados e que promovem aglomerações já no estado inicial de desconfinamento - mesmo no atual momento, quando os EUA ainda estão lutando contra o vírus e um número que excede um milhão no total de casos confirmados. 

    Nos EUA, cabe aos governantes dos estados a decisão de reabrir ou não estes locais. Georgia, Mississippi, Carolina do Sul, Alabama e Flórida são alguns dos estados que aprovaram a ideia e vão colocá-la em prática nas próximas semanas. Para muitos especialistas e, especialmente, para os próprios proprietários de cinemas, tal escolha não é a das mais inteligentes. Afinal, funcionários terão de ser readmitidos e, com o tempo, haverá um fluxo muito grande de pessoas nas filas e nas fileiras das salas.

    Além de ser um dos mercados mais afetados pela Covid-19, o cinema também corre o risco de propagar ainda mais o vírus se forem reabertos antes do apropriado. Contudo, as produtoras de filmes já contam com o lançamento de grandes títulos em julho, daqui a dois meses. Tenet, de Christopher Nolan, e Mulan, da Disney, já têm data de estreia e chegarão às salas em 17 e 24 de julho, respectivamente.

    Falando dos EUA, o processo de reabertura será trabalhoso e arriscado aos olhos dos donos das salas. Ao mesmo tempo em que a economia do país (e do mercado cinematográfico) conta com a reabertura dos cinemas, existe o risco deste local que emana nostalgia e diversão se tornar um grande foco do coronavírus. Quando nos lembramos que o país está longe de conter a pandemia, é estranho e inapropriado querer voltar à normalidade tão rápido. É como diz o ditado: "A pressa é inimiga da perfeição". 

    A grande resposta para o momento em que vivemos é essa: quando falamos de Brasil e Estados Unidos, ainda não estamos em um lugar favorável para pensarmos em voltar à normalidade. É uma resposta difícil, mas não é a hora. A Europa, que já enfrentou dias difíceis durante o pico da pandemia, está sendo responsável em planejar o retorno aos poucos, sem fazer promessas infundadas ou querer enxergar algo que ainda não existe. Há esperança (e deve haver), mas ainda falta um pouco de tempo para retornarmos aos assentos confortáveis daquela sala escura que tanto amamos.

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