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10 atores que tentaram, mas não conseguiram ser estrelas de Hollywood
Por Renato Furtado — 09/06/2018 às 09:23
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Manter-se no topo não é nada fácil.

Podem existir inúmeros bilhetes de volta, mas frequentemente só há um de ida para o estrelato em Hollywood: ou o caminho até o topo é trilhado ou não. A enorme quantidade de atores e atrizes que não tiveram sucesso nesta empreitada só prova que atingir o ápice na indústria cinematográfica mais voraz do mundo não é tarefa para qualquer um - mesmo se o indivíduo em questão for um homem branco, para quem a maioria dos papéis são escritos.

O talento não está em pauta: muitos finalizaram o trajeto até a condição de astros sem um pingo de qualidade artística no corpo e milhões não foram agraciados pela visita da sorte. Porque é preciso ter muito disso em Hollywood; é preciso estar no lugar certo na hora certa e ser apoiado pelas pessoas certas - ou pelo menos não atrapalhado pelas pessoas erradas.

É claro que tudo pode mudar - Ryan Reynolds, que há alguns anos era um verdadeiro saco de pancadas na internet e para os críticos por causa de fiascos retumbantes como Lanterna Verde e R.I.P.D. - Agentes do Além, hoje é um dos maiores e mais desejados astros da indústria -; mas, por enquanto, estes são 10 dos atores hollywoodianos que tentaram atingir o estrelato, mas falharam no caminho para o sucesso.

TAYLOR LAUTNER

Dizer que apenas Taylor Lautner falhou como estrela de Hollywood dentre o trio de atores revelados pela franquia Crepúsculo é uma injustiça. Afinal de contas, tanto Kristen Stewart quanto Robert Pattinson não corresponderam às expectativas; a diferença, no entanto, é que estes dois decidiram escapar de vez pela tangente. Enquanto Stewart tornou-se queridinha no prestigiado Festival Cannes e uma atriz cujo trabalho é respeitado internacionalmente - principalmente quando o assunto é a sua premiado colaboração com o realizador francês Olivier Assayas -, Pattinson buscou diversificar ao máximo seus papéis, revelando ser um intérprete extremamente versátil, como suas performances diametralmente opostas - mas igualmente brilhantes - em Z - A Cidade PerdidaBom Comportamento comprovam.

O que nos leva de volta a Lautner. Ao passo em que seus colegas da saga teen encontraram terreno fértil no cinema independente e/ou de arte, o lobisomem amado por 11 entre 10 adolescentes deu sequência à trajetória que iniciou, tentando seguir no caminho dos blockbusters. Entretanto, carregar longas-metragens sozinho - e sem a ajuda de um material original que é um dos maiores fenômenos literários da história - é bastante complicado: no fim das contas, Lautner não conseguiu ser um astro dos filmes de ação (Sem Saída, No Limite) e nem emplacou sua persona cômica (The Ridiculous 6). No momento, a carreira de Lautner está em um hiato.

BRANDON ROUTH

Interpretar o Super-Homem é sinônimo de virar um astro de Hollywood, certo? Bem, a resposta, sumariamente negativa, mostra que nem mesmo os personagens mais famosos da cultura pop podem alavancar uma carreira. Foi exatamente o que aconteceu com Brandon Routh, que após tentar dar continuidade ao mito de Christopher Reeve como o Homem de Aço em Superman - O Retorno, viu seu papel como estrela em formação ser reduzido ao ponto de perda total.

Na sequência da obra da DC, Routh escolheu projetos diversificados, majoritariamente comédias românticas e dramas criminais, mas não conseguiu emplacar nenhum sucesso. Retornou ao mundo dos quadrinhos em Scott Pilgrim Contra o Mundo e Dylan Dog e as Criaturas da Noite, mas também não encontrou êxito em nenhuma das duas tentativas. Longe do potencial estrelato de outrora, Routh encontrou uma zona de conforto para si como coadjuvante do Universo Arrow, onde segue atuando como Ray Palmer em Legends of Tomorrow. No fim das contas, o peso de vestir o traje de um super-herói celebrado - principalmente em um longa tão malsucedido quanto o de Bryan Singer - pode ser insuportável.

HAYDEN CHRISTENSEN

Protagonizar uma das franquias mais amadas da história é ainda mais difícil do que dar vida a um dos personagens mais icônicos de todos os tempos - pode ser uma benção, mas frequentemente é uma maldição. E assim como Routh, Hayden Christensen também perdeu toda e qualquer chance de estourar em Hollywood, mesmo com todas máquinas da saga Guerra nas Estrelas rodando ao seu favor. É evidente que liderar a mais criticada das trilogias de Star Wars, lidar com a pressão e ter protagonizado uma das mais bizarras e tenebrosas cenas "românticas" da história não o ajudaram no processo. Por outro lado, suas escolhas de projetos provaram ser todas infrutíferas.

De 2005, ano de A Vingança dos Sith, até 2010, Christensen atuou majoritariamente em produções execradas pela crítica, sendo JumperAwake - A Vida por um Fio os deslizes mais sofridos de sua carreira. A sequência de equívocos acabou afastando o ator das telonas, que levou quatro anos até finalmente retornar a trabalhar na indústria cinematográfica. Distante das expectativas massacrantes de uma sedenta legião de fãs - à época da estreia do intérprete em Star Wars, a saga dos Skywalker estava longe das telonas há quase 20 anos - e da obrigação de ter que carregar os megalomaníacos roteiros de George Lucas, Christensen vem tentando reconstruir sua trajetória nos últimos anos estrelando suspenses de ação e aventura para home video.

JAI COURTNEY

O caso de Jai Courtney é um dos mais peculiares desta lista. "Caçula" da compilação - portanto, aquele que, teoricamente, tem mais tempo de reverter a situação -, o ator recebeu a ingrata tarefa de tentar dar prosseguimento a duas das sagas mais populares dos anos 1980: Duro de Matar e Exterminador do Futuro. Entretanto, os volumes de número cinco de ambas franquias funcionaram como verdadeiros tiros no pé. É quase como se Courtney tivesse sido enviado para uma missão suicida: além de Duro de Matar 5Gênesis terem sido considerados filmes fracos em si, os dois também entraram para a história de suas franquias como obras desnecessárias dentro do canône. Como salvar uma dupla de longas tão malfadada?

Para piorar, fazer parte da série Divergente e do extremamente mal avaliado Esquadrão Suicida não fizeram nada bem à carreira do ator - é quase como se Courtney só entrasse em produções destinadas ao fracasso. Por outro lado, há tempo para consertar as coisas; o ator pode, por exemplo, explorar a comicidade de sua interpretação em Esquadrão Suicida para, quem sabe, criar uma carreira sólida nas lucrativas comédias de ação modernas. Mas quanto ao estrelato... é melhor Courtney esquecer essa ideia, pelo menos por enquanto.

GARRETT HEDLUND

Dentre todos os incluídos nesta compilação, Garrett Hedlund é o único cuja carreira vai verdadeiramente bem, obrigado. Coadjuvante em Eragon, um dos longas mais esquecíveis e uma das adaptações mais sofríveis dos anos 2000, e estrela de Tron - O Legado, o ator não teve a chance de prolongar suas interpretações no mundo da fantasia e do sci-fi por causa do rendimento pífio das duas obras. Com a agenda limpa dos compromissos dos blockbusters e distante das tentativas de se tornar uma estrela, Hedlund aproveitou o espaço para buscar projetos diversificados e até mesmo papéis pequenos em elencos numerosos para expandir sua carreira.

Assim, desde que Tron - O Legado naufragou, Hedlund já compôs os casts de obras como Na Estrada, Invencível, Inside Llewyn DavisA Longa Caminhada de Billy Lynn e, mais recentemente, entregou sua melhor performance no amplamente aclamado Mudbound, dirigido por Dee Rees. Desse modo, por mais que não tenha se encontrado como astro e que ainda não tenha emplacado nenhuma empreitada como protagonista, Hedlund vem fortalecendo elencos talentosos com seu contido modo de interpretação. O contexto pode não ter favorecido Hedlund no terreno dos blockbusters, mas ele certamente soube descobrir uma saída como ator coadjuvante, adentrando um campo de atuação com inúmeras oportunidades para suas habilidades.

ALEX PETTYFER

O ator e modelo Alex Pettyfer sentiu o peso dos fracassos de seus blockbusters diretamente na pele: estrela das abortadas franquias Alex Rider e Eu Sou o Número Quatro, além de protagonista do drama romântico A Fera, o intérprete jamais se deparou com uma situação de estabilidade em sua carreira. Por mais que tenha se mantido ativo, o ator participou de apenas 13 longas-metragens em quase 13 anos de trajetória na indústria. Recentemente, suas performances mais sólidas integraram o popular Magic Mike e os modestos O Mordomo da Casa Branca e Elvis & Nixon.

Pettyfer, no entanto, tem trabalhado mais nos últimos tempos. Mais especificamente, 2018 marcará sua estreia como diretor no suspense Back Roads. Resta aguardar para conferir o resultado da empreitada.

SAM WORTHINGTON

A maior bilheteria da história da sétima arte foi o suficiente para lançar Sam Worthington como postulante ao estrelato, mas evidentemente não foi o bastante para sustentar sua carreira como astro de Hollywood. Assim como seu conterrâneo do Reino Unido, Colin Farrell, o ator britânico embarcou em projetos cujos rendimentos ficaram muito, muito aquém de seus potenciais; a diferença, no entanto é que o antagonista de Animais Fantásticos e Onde Habitam se recuperou de fiascos bíblicos como AlexandreMiami ViceDemolidor para tornar-se um dos atores favoritos de cineastas como Martin McDonagh (Na Mira do Chefe) e o grego Yorgos Lanthimos (O Sacrifício do Cervo Sagrado). Worthington, por sua vez, continuou insistindo no caminho da ação e da aventura, mesmo após os pífios resultados de Fúria de Titãs e O Exterminador do Futuro: A Salvação.

Consequentemente, acumulando tropeço após tropeço, o ator não conseguiu manter o estrelato instântaneo promovido pelo gigantesco Avatar de James Cameron. Tendo focado majoritariamente em papéis menores nos últimos anos, Worthington terá a chance de se reerguer e retornar ao alto escalão de Hollywood a partir de 2020, quando Cameron planeja lançar a primeira das quatro sequências de seu monumental blockbuster de US$ 2,7 bilhões de arrecadação. Será que o ex-astro tem chances de retomar seu posto em Avatar 2? Oportunidades ele terá - é preciso esperar para ver como estas serão utilizadas.

TAYLOR KITSCH

Não é nada fácil se recuperar da estigma causada por ter protagonizado aquele que é considerado como um dos mais equivocados projetos da história. Caríssimo, malsucedido, incongruente e imediatamente datado, John Carter - Entre Dois Mundos não só abriu um rombo quase bilionário nos cofres da Disney, como também praticamente matou as chances de Taylor Kitsch como estrela, momentos depois de dar origem às mesmas. Em seguida, quando Battleship - A Batalha dos Mares enterrou de vez seus sonhos de alcançar o patamar de astro, Kitsch decidiu embarcar em uma jornada de reinvenção, aceitando um papel na... tenebrosa segunda temporada de True Detective. A sorte realmente não parece estar do lado deste ator.

Sua oportunidade de redenção, por outro lado, pode estar à vista, uma vez que a minissérie Waco lhe rendeu boas críticas. Será que o caminho de Kitsch é seguir nas telinhas, cada vez mais agraciadas com séries de altíssimo calibre, e se afastar de vez das expectativas hollywoodianas? Bem, tudo indica que sim.

JOSH HARTNETT

Ben Affleck deu a volta por cima após inúmeros deslizes profissionais e, hoje, além de ter conquistado respeito e aclamação como cineasta, agora também é - até segunda ordem, pelo menos - o Batman do Universo Estendido da DC; Kate Beckinsale, por sua vez, protagonizou durante anos a franquia Anjos da Noite e segue ativa na indústria. Estes destinos e trajetórias de sucesso, no entanto, não se replicaram no caso de Josh Hartnett, o único membro do trio de protagonistas de Pearl Harbor, o épico de Michael Bay, a fracassar como estrela sustentável de Hollywood. É evidente que ele teve mais sucesso que o primeiro nome desta lista - afinal, diferentemente de Lautner, Hartnett fez parte de obras existosas como Falcão Negro em PerigoSin City - A Cidade do Pecado -; por outro lado, as coisas foram complicadas para o ator durante algum tempo.

Contudo, e apesar de agora estar novamente sem um trabalho mais estável por causa do encerramento precoce da aclamada Penny Dreadful, Hartnett se superou com a performance no seriado de terror estrelado por Eva Green e provou que ainda pode ser um sólido e competente protagonista nas telinhas.

SHIA LABEOUF

Ao passo em que é certo que não há um motivo único para os fracassos e tropeços listados acima, sendo a estrada para o estrelato em Hollywood tão complexa quanto sabemos que é, a variedade de razões pelas quais Shia LaBeouf não manteve seu status como astro do cinema é impressionante. Seja por causa de seu temperamento irascível, de sua imprevisibilidade, de suas declarações e performances controversas ou simplesmente por causa de suas escolhas pouco sábias de projetos, LaBeouf é o clássico caso de ator que jamais deveria ter sido alçado ao posto de protagonista de uma saga como Transformers. Novamente: esta não é uma questão de talento - aqui, o ponto é que LaBeouf é um ator feito para o cinema independente, e não para os blockbusters.

Artista visual cujas instalações já causaram brigas homéricas e figura polêmica, o ator e roteirista, constantemente às voltas com problemas policiais, encontrou maior reconhecimento nos filmes de arte, tendo trabalhado com veteranos do Festival de Cannes como Lars von Trier (Ninfomaníaca) e Andrea Arnold (Docinho da América) nos últimos anos. Agora, o quase sempre "mal encarado" LaBeouf se prepara para lançar sua auto-cinebiografia, Honey Boy, longa no qual interpreta seu próprio pai. Quanto ao protagonista original da franquia Transformers, uma coisa é certa: nunca é possível adivinhar qual será o próximo passo de LaBeouf.

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