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    Janela de Cinema 2017 exibe vídeo de coletivo feminista criticando a representação das mulheres nos filmes do festival
    Por Bruno Carmelo — 11 de nov. de 2017 às 18:30
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    Homens olhando para mulheres.

    O Janela Internacional de Cinema do Recife dedica grande espaço a questões de gênero, raça e sexualidade, promovendo debates com o público e selecionando curtas-metragens e longas-metragens que lidem diretamente com estes temas.

    Em 2017, quatro dos dez longas-metragens em competição são dirigidos por mulheres, e oito em dezenove curtas-metragens brasileiros têm mulheres no comando. Nas sessões especiais e de clássicos, filmes de Renata Pinheiro, Gabriela Amaral Almeida, Helena Ignez, Déa FerrazCaroline LeoneAgnès Varda foram exibidos.

    Mas isso não significa que não exista espaço para melhora. A décima edição do festival pernambucano divulgou dentro dos cinemas uma vinheta criada pelo coletivo Deixa Ela em Paz. Nas palavras das autoras:

    "Nesta edição do Janela Internacional de Cinema, nos propusemos a tarefa de revisitar os filmes exibidos ao longo de uma década de festival para trazer à luz um recorte da programação sob uma perspectiva diferente: reconhecer nas imagens com as quais convivemos, muitas vezes passionalmente, a reprodução de um olhar violento e objetificador sobre os corpos e as subjetividades das mulheres".

    Assista ao vídeo:

    Vinheta Deixa Ela Em Paz - Janela Internacional de Cinema from Deixa Ela Em Paz on Vimeo.

    Entre os títulos, encontram-se Animal Político, Brasil S/A, Permanência, Febre do RatoVentos de Agosto e O Lobo Atrás da Porta, além de produções estrangeiras como Elle e clássicos do cinema mudo. As cenas representam o corpo nu de mulheres, do voyeurismo ao estupro. A mensagem final relembra que todos estes filmes foram dirigidos por homens. 

    Curiosamente, na 10ª edição do Janela, as duas cenas de abuso sexual contra mulheres que vimos foram dirigidas por mulheres, em Jovem Mulher, de Léonor Serraille, e O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida.

    Isso ajuda a relembrar que a intenção não é banir a nudez, tampouco proibir cenas de estupro nos cinemas - afinal, representar um ato negativo pode contribuir a denunciá-lo, combatê-lo -, apenas chamar atenção à frequência da nudez feminina em relação à masculina, à posição de poder em que o homem se encontra e ao fetiche decorrente de observar a opressão do corpo feminino de um ponto de vista masculino.

    É democrático e saudável que o Janela abra espaço para a autocrítica, e que os coletivos feministas possam ser escutados pelo público local. A mensagem simbólica pode funcionar como um esforço suplementar na intenção de sensibilizar curadores, diretores e espectadores em relação a um olhar eticamente responsável sobre o cinema e a sociedade.

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