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    Janela de Cinema 2017: O belo Verão 1993 retrata a morte pelo olhar das crianças
    Por Bruno Carmelo — 7 de nov. de 2017 às 11:30
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    Enquanto isso, o drama brasileiro Açúcar decepcionou.

    Na segunda-feira, 6 de novembro, o X Janela Internacional de Cinema do Recife apresentou o primeiro filme estrangeiro em competição: Verão 1993, drama catalão de Carla Simón. A obra manteve o bom nível da noite anterior, quando As Boas Maneiras foi exibido. No entanto, a exibição especial do drama brasileiro Açúcar decepcionou.


    "Como a minha mãe morreu?"

    Verão 1993 se concentra na experiência da pequena Frida (a excepcional atriz mirim Laia Artigas), que acaba de perder a mãe. Ela não entende exatamente o que aconteceu, nem a razão pela qual é obrigada a morar com os tios. Enquanto se adapta ao novo ambiente, tenta descobrir o significado da morte.

    O drama é sensível e respeitoso, evitando as lágrimas fáceis. A diretora Carla Simón constrói o filme inteiro a partir de metáforas, fazendo a dor refletir nos símbolos ao redor, como as bonecas, os jogos das crianças, uma joaninha encontrada no caminho. Resta torcer para que o drama chegue no circuito comercial brasileiro em breve.

    Leia a nossa crítica.



    "Essa terra sou eu!"

    Já Açúcar se concentra na herança escravagista brasileira, através da figura de uma proprietária de terras (Maeve Jinkings) que retorna ao engenho da família para tomar posse do local. Chegando lá, ela se confronta à independência dos funcionários e se nega a abrir mão de sua posição hierárquica.

    Este é o segundo filme exibido no X Janela, após Gabriel e a Montanha, a escolher como protagonista uma figura egocêntrica, mimada, incapaz de perceber seus privilégios diante da miséria ao redor. Nos dois casos, o filme não julga seu personagem nem toma distância em relação a ele, imprimindo uma incômoda sensação de condescendência.

    Além disso, Açúcar tem uma curiosa construção estética, com fotografia lavada e enquadramentos pouco expressivos. A produção parece ter encontrado dificuldades para filmar nas locações, algo refletido nas fracas cenas da despensa e do moinho. Enquanto isso, as metáforas óbvias do início se tornam herméticas demais rumo à conclusão. Um filme indefinido em tom e ponto de vista, algo questionável diante de um tema tão grave quanto a herança colonial brasileira.

    Leia a nossa crítica.

     

    Confira as críticas do AdoroCinema sobre os longas-metragens do X Janela:
    120 Batimentos Por Minuto
    A Moça do Calendário
    A Trama
    Açúcar
    Arábia
    As Boas Maneiras
    Baronesa
    Bush Mama
    Contatos Imediatos do Terceiro Grau
    Era Uma Vez Brasília
    Filhas do Pó
    Gabriel e a Montanha
    Garota Negra
    Invisível
    Me Chame Pelo Seu Nome
    O Animal Cordial
    O Nó do Diabo
    Pela Janela
    Verão 1993
    Zama

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