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    Janela de Cinema 2017: A África vista pelos africanos, pelos descendentes americanos e por um turista brasileiro
    Por Bruno Carmelo — 5 de nov. de 2017 às 12:15
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    Garota Negra, Bush Mama e Gabriel e a Montanha.

    O dia de sábado no X Janela Internacional de Cinema do Recife trouxe três filmes muito diferentes, porém todos consagrados à representação da história africana. 


    "Nunca serei uma escrava"

    Garota Negra (1966), dirigido por Ousmane Sembene, retrata a vida de Diouana (Thérèse Mbissine Diop), mulher senegalesa que acredita ter tirado a sorte grande ao conseguir emprego na casa de uma família branca na França. Chegando ao local, no entanto, descobre uma rotina de abusos e opressão, além de um país que ainda trata a África como colônia. Um filme corajoso, ousando tocar nas feridas europeias com profundo senso de ironia.

    Leia a nossa crítica.


    O despertar político de uma mulher negra

    Bush Mama (1979), de Haile Gerima, é uma dessas obras-primas que muitos cinéfilos ainda desconhecem. O X Janela presenteou o público com uma raríssima projeção em 16mm no Cinema São Luiz, permitindo a descoberta da jornada de Dorothy (Barbara O. Jones), mulher que luta para cuidar dos filhos e encontrar um emprego enquanto o marido cumpre pena na prisão. O filme é visceral, ousado, fazendo uso excepcional dos enquadramentos, dos sons e da música. Um retrato de opressão que, infelizmente, ainda parece bastante atual. 

    Leia a nossa crítica.


    "Eu não sou um turista"

    Gabriel e a Montanha, produção brasileira dirigida por Fellipe Barbosa, contrasta bastante com os dois filmes anteriores. Primeiro, por ser uma produção atual e com mais recursos de produção, mas também por enxergar a África pelo ponto de vista de um jovem carioca (João Pedro Zappa), que estudou nas melhores escolhas e ainda está ressentido por não entrar em Harvard.

    Seu passeio turístico pelo continente africano é longamente retratado por Barbosa. Embora o protagonista negue a sua posição de turista, ele se revela pouco preocupado com a educação em meios desfavorecidos, o que a princípio constitui o tema de sua pesquisa de doutorado. O filme tem dividido opiniões: enquanto alguns espectadores veem no retrato uma crítica ao olhar estrangeiro, outros poderiam enxergar a representação condescendente de um jovem incapaz de ser transformado pelo cotidiano ao redor, visitando país após país com o mesmo senso de maravilhamento distanciado e fetichista.

    A crítica do AdoroCinema, Taiani Mendes, aprova o resultado. Leia a nossa crítica.


    A sedução da extrema-direita

    Fugindo parcialmente à temática africana, o drama francês A Trama, de Laurent Cantet, retrata uma oficina literária no sul da França, ministrada a jovens de diversas origens. Enquanto a professora Olivia (Marina Foïs) se confronta à realidade distinta dos alunos, um deles, Antoine (Matthieu Lucci), se mostra cada vez mais adepto das ideias extremistas, que visam excluir os estrangeiros, os negros e árabes do país. Como a professora pode alertar e ajudar seu aluno? 

    Leia a nossa crítica, e descubra abaixo a entrevista com o diretor.

     

    Confira as críticas do AdoroCinema sobre os filmes do X Janela:
    120 Batimentos Por Minuto
    A Moça do Calendário
    A Trama
    Açúcar
    Arábia
    As Boas Maneiras
    Baronesa
    Bush Mama
    Era Uma Vez Brasília
    Filhas do Pó
    Gabriel e a Montanha
    Garota Negra
    Invisível
    Me Chame Pelo Seu Nome
    O Animal Cordial
    O Nó do Diabo
    Pela Janela
    Zama

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