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    Entrevista exclusiva: Paulo José fala sobre homenagem, carreira e parcerias mais marcantes
    Por Lucas Salgado — 15 de set. de 2014 às 18:10
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    O ator é o grande homenageado do 21º Festival de Vitória. Ele também falou sobre próximos projetos no teatro.

    Paulo Postay
    Aos 77 anos, o grande Paulo José é o principal homenageado da 21ª edição do Festival de Vitória. O ator está na cidade e aproveitou para bater um papo exclusivo com o AdoroCinema. Ele falou sobre a homenagem, sobre a carreira e sobre as parcerias mais importantes. Também falou sobre a amizade com Grande Otelo e sobre Macunaíma e Todas as Mulheres do Mundo, dois de seus maiores sucessos. Confira!

    Você já tinha sido homenageado pelo Festival de Vitória anos atrás e agora mais uma vez. Como é retornar para mais uma homenagem anos depois?

    Eu fui homenageado no 9º Festival, quando exibiram A Vida Provisória, de Maurício Gomes Leite, que é um filme maravilhoso. Sobre ser homenageado duas vezes, acho que está faltando gente. (risos)

    O Festival vai exibir uma cópia restaurada de Macunaíma no encerramento. É um papel muito marcante seu. Você costuma rever os seus filmes?

    Sim. Macunaíma eu revi várias vezes. Eu vou muito a festivais e sempre passam. É um filme que não tem erros.

    E como foi trabalhar neste projeto?

    Tive muito prazer. Foi um filme que eu fiz sem querer. Na verdade, eu queria muito. Mas o Joaquim Pedro de Andrade não me chamou. Eu já tinha feito O Padre e a Moça e ele não queria repetir o elenco, achou que seria falta de imaginação. Eu comecei a procurar atores com ele, mas fiquei pensando: “Estou do lado deste cara. Ele não vai me chamar?” E foi fechando o elenco... Grande Otelo, Dina Sfat, Milton Gonçalves, Jardel Filho, Rodolfo Arena... Ficou faltando o Macunaíma branco. Ele me perguntava: “O que que você acha de fulano de tal?” e eu respondia “Ótimo, ele é perfeito, o Macunaíma escarrado”, mas ele acabava dizendo “Não sei...”. Todos que eu apontava, ele não gostava. Já estava pensando em procurar atores na Argentina. Por uma necessidade de urgência de filmagem, foi fechando o cerco e exigiram que ele escalasse o Macunaíma branco. Ele me ligou e perguntou se eu ia operar o nariz. Eu perguntei: “Que besteira é essa?”. E ele me disse: “Precisa operar o nariz pra gente filmar.” Eu respondi: “Filmar o quê, parceiro?” E ele falou: “Macunaíma”. Eu fiquei chateado e disse que não ia operar. Mas depois ele me ligou e falou que eu tinha jeito pra ser o Macunaíma, que tinha um perfil europeu, mas era 3/4 mameluco e 7/8 índio. Acabei aceitando, mas foi na última instância. Não tinha mais ator.

    Que bom, deu muito certo.

    Eu adorei. E fiz uma grande amizade com o Grande Otelo. Que é a grande referência do filme. O tipo de representação dele... “Ai que preguiça” (imita Grande Otelo)

    E como era trabalhar com ele?

    Era um grande prazer. Era muito disponível. Brincalhão, debochado, um grande ator. O Joaquim Pedro estava proibido de sair do país porque tinha sido preso como um dos “Oito da Glória”, então fomos eu, Dina e ele (Grande Otelo) apresentar Macunaíma no Festival de Veneza. Foi muito curioso. Nós chegamos lá, que é a terra do Otelo, o Mouro de Veneza. Andando pelo saguão do aeroporto, o sistema de som começou a falar: “signore Grande Otelo, signore Grande Otelo”. Todo mundo começou a olhar em volta. O Otelo era pequenininho, com um metro e meio, e estava com um chapéu vermelho com uma pena verde. Ele chegou na beirada do balcão e disse: “sono io, Grande Otelo. Sono io”. E todo mundo começou a rir. Foi nossa chegada triunfal em Veneza.

    Você trabalhou com Domingos Oliveira, Joaquim Pedro, Leon Hirszman,, Maurice Capovilla, Hugo Carvana... Teve alguma parceria que te marcou mais?

    São duas. Domingos Oliveira, com quem eu fiz Todas as Mulheres do MundoEdu, Coração de Ouro, A Culpa e Juventude. E o Joaquim Pedro. E guardo um lugar especial também para o Selton Mello, que já me pegou em uma idade mais madura em O Palhaço. Que é bem bonito. Me dei bem com todos.

    Também teve uma parceria com o Jorge Furtado...

    Sim. Fiz a narração de Ilha das Flores e Saneamento Básico, O Filme, que é muito divertido. E tive uma participação especial em O Homem que Copiava, como o pai da Leandra Leal. Ele acabou de lançar um filme muito bom sobre a imprensa. Você viu?

    Sim. O Mercado de Notícia. É incrível.

    Ótimo!

    Você sempre se deu muito bem em comédias. É um gênero que faz muito sucesso hoje no Brasil. Como vê este momento?

    Eu não gosto deste tipo de comédia. É a comédia de baixo custo, com humor muito forçado. Eu não gosto.

    Você esteve recentemente na novela Em Família, mas está afastado do cinema desde 2012. Tem algum projeto para voltar?

    Não. É muito difícil, para mim, fazer cinema. É muito complicado com o Parkinson, um esforço enorme. Para fazer um filme precisa ser algo muito bem pensado. Mas tenho vários projetos para dirigir teatro. Tenho três peças para fazer. Se aparecer um filme no meio, eu dou um jeito.

    Recentemente, tivemos uma homenagem ao Domingos de Oliveira no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em que se falou muito de Todas as Mulheres do Mundo. Como foi realizar este filme?

    Foi ótimo. Eu já tinha trabalhado com o Domingos no teatro, em uma peça com várias canções de carnaval. Ficamos muito amigos. Ele queria fazer um filme em homenagem a Leila Diniz. Na verdade, ele queria fazer para trazer Leila de volta pra ele. Eles tinham separado. Ele era um galinhão, muito namorador, e ela sofria muito. Ele ainda não era ator, não sabia que podia atuar, e me chamou para fazer o alterego dele. Era para ser um curta, depois um média e acabou como um longa. Foi crescendo e ficando muito bonito. Foi algo muito caseiro, mas até hoje é importante. É muito lindo.

    O AdoroCinema viajou a convite da organização do evento.
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    Comentários
    • Rosemary M.
      Um ícone do Cinema, TV e Teatro brasileiros! Vale a pena ler a entrevista.
    • elen carolina
      Que entrevista maravilhosa, Parabéns ADOROCINEMA
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