Há 60 anos, a TV Globo entrava no ar e, em meio à sua programação inaugural, a emissora lançava sua primeira novela: Ilusões Perdidas. Exibida inicialmente às 19h30, a trama diária migrou para a faixa das 22h a partir de maio de 1965 e reuniu um elenco de grandes nomes, como Reginaldo Faria, Leila Diniz, Osmar Prado e Norma Blum.
A famosa “novela das oito” só chegaria meses depois, com a estreia de O Ébrio. Desde então, o horário nobre da Globo virou palco de verdadeiros fenômenos da teledramaturgia, com histórias impactantes que nos emocionam há décadas. Afinal, quem nunca sentou no sofá após o Jornal Nacional para acompanhar mais um sucesso de audiência?
Com o passar dos anos, as novelas exibidas na faixa das 20h começaram a ir ao ar cada vez mais tarde, especialmente por conta das classificações indicativas. Então, para alinhar o nome ao horário em que realmente eram transmitidas, a Globo decidiu, em 2011, aposentar o termo “novela das oito” e adotar oficialmente a expressão “novela das nove”.
Qual foi a primeira "novela das nove" da Globo?
Escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares, Insensato Coração foi oficialmente a primeira "novela das nove" da Globo. Durante sua divulgação, em janeiro de 2011, as chamadas do folhetim já destacavam a mudança de nomenclatura, adequando-se ao horário em que as novelas mais assistidas do país realmente iam ao ar.
Por consequência, Passione (2010), sua antecessora, foi a última “novela das oito”, mesmo sendo exibida por volta das 21h em boa parte de sua exibição.
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Caso você não se lembre, Insensato Coração girava em torno dos conflitos familiares e da rivalidade entre dois irmãos: o gentil Pedro (Eriberto Leão) e o ambicioso Léo (Gabriel Braga Nunes), filhos de Raul (Antonio Fagundes) e Wanda (Natália do Valle).
Na história, Pedro está de casamento marcado com a namorada de adolescência, Luciana (Fernanda Machado), mas acaba se apaixonando por Marina (Paolla Oliveira), melhor amiga da noiva e madrinha da cerimônia. Já Léo sente inveja do irmão, convencido de que ele é o preferido do pai – um ressentimento que carrega desde a infância.
Nem O Clone, Nem Roque Santeiro: A melhor novela das 21h é uma trama que fez um sucesso estrondoso e parou o Brasil!Em uma de suas artimanhas para conseguir dinheiro e investir em um negócio ilegal, Léo acaba seduzindo Norma (Gloria Pires), uma bondosa técnica de enfermagem que trabalha para Silveira (Hugo Carvana), um idoso doente que guarda uma grande fortuna dentro de casa.
Norma se deixa envolver pelas mentiras de Léo e acaba levando a culpa por um crime que não cometeu. Quando conquista a liberdade condicional, após cinco anos atrás das grades, ela se transforma e inicia uma caçada ao homem que a prejudicou, determinada a se vingar.
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Wagner Moura e outros atores disseram "não" a Insensato Coração
Além da história envolvente, a produção dirigida por Dennis Carvalho ficou marcada pelas mudanças no elenco, incluindo a recusa de vários atores para dar vida ao antagonista Léo e a negativa de Wagner Moura para interpretar o protagonista Pedro.
Segundo o jornalista Nilson Xavier, do Teledramaturgia, o projeto de Insensato Coração nasceu do desejo de Gilberto Braga de ter Wagner Moura no folhetim, já que o ator havia brilhado anteriormente em outra novela de Braga, Paraíso Tropical (2007), no papel de Olavo. No entanto, ele acabou recusando o projeto para se dedicar a trabalhos no cinema.
Também houve o escândalo envolvendo Ana Paula Arósio, que chegou a gravar como a protagonista Marina, mas deu cano em todo mundo e faltou às filmagens sem explicações. Posteriormente, por meio de sua assessoria, a atriz comunicou seu desligamento.
No fim, Insensato Coração se despediu do público com uma audiência satisfatória, boa repercussão e atuações elogiadas de todo o elenco, que contou ainda com nomes como Lázaro Ramos, Deborah Evelyn, Camila Pitanga, Bete Mendes, Ana Lúcia Torre, Tarcísio Meira, Deborah Secco, Herson Capri, entre outros talentos.
Em entrevista ao Memória Globo, Gilberto Braga revelou que considerava Insensato Coração sua melhor novela. E isso vindo de um autor que também assinou sucessos como Escrava Isaura (1976), Dancin' Days (1978), Vale Tudo (1988) e Celebridade (2003).