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    Atriz de Azul é a Cor Mais Quente denuncia abuso no set e diz que nem a presença de um coordenador nas cenas de sexo teria a ajudado
    11 de mai. de 2022 às 17:15
    Nathalia Jesus
    Nathalia Jesus
    -Redatora e crítica
    Apaixonada por filmes e séries (principalmente sul-coreanos), a redatora é uma contadora de histórias no mundo do entretenimento. No AdoroCinema, ela acompanha os principais lançamentos, premiações, festivais e solta o verbo em discussões relacionadas à diversidade e inclusão na sétima arte.

    Na época, as atrizes protagonistas denunciaram abusos no set, causados pelo diretor.

    Léa Seydoux ganhou notoriedade mundial ao protagonizar Azul é a Cor Mais Quente e, posteriormente, ser a primeira atriz — ao lado de Adèle Exarchopoulosa ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, ao invés de o prêmio ir apenas ao diretor. O filme, no entanto, teve problemas graves de hipersexualização das atrizes no set — desconforto causado pelo próprio cineasta Abdellatif Kechiche.

    Para quem está por fora da história, as atrizes principais relataram abusos nos bastidores do filme, envolvendo a cena de sexo de sete minutos. De acordo com Léa Seydoux, a sequência exigiu mais de 100 takes. Em relatos feitos na época, ambas disseram ter usado próteses de vagina durante as filmagens, que duraram mais de 10 horas consecutivas. Adèle, inclusive, chorava durante as gravações, em consequência da dormência e sangramento da vagina, mas era impedida de interromper a cena.

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    Em entrevista recente ao The Hollywood Reporter, Léa Seydoux diz que nem mesmo um coordenador de intimidade teria melhorado a dinâmica problemática no set. “Não, não realmente. Foi além. Foi o filme inteiro, não apenas as cenas de sexo. A maneira como filmamos este filme foi simplesmente insana. O cara é simplesmente maluco”.

    No auge do movimento #MeToo, os profissionais de intimidade se tornaram uma nova adição aos sets de cinema e televisão. Sua função é atuar como defensores dos atores ao filmar cenas de sexo, muitas vezes falando através dos movimentos, coreografando os atos e garantindo que todos se sintam confortáveis.

    Denúncias ao filme e resposta do diretor

    Após a estreia do filme em Cannes em 2013, a equipe de produção francesa divulgou uma declaração do sindicato chamando o ambiente de trabalho “anárquico” sob o comando de Abdellatif Kechiche. O diretor, por sua vez, ameaçou entrar com uma ação legal contra Seydoux por compartilhar informações “caluniosas” sobre o set.

    Em 2013, Kechiche disse que não queria que Blue fosse lançado em meio à polêmica em torno dele, dizendo à revista francesa Télérama na época que se sentia "humilhado, desonrado, vivendo com uma maldição" por causa das alegações sobre seu estilo de filmagem .

    Seydoux disse ao The Independent em 2013 sobre assinar o projeto: "Foi difícil e é assim que ele é. Quando decidi fazer o filme, sabia que seria difícil. Acho que queria isso. Eu queria ver como era chegar tão longe."

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    Adèle Exarchopoulos chegou a dizer que se sentiu "envergonhada" ao filmar algumas das cenas de sexo. "Ele filmava por tanto tempo que eu estava pensando: 'Cara, você pode parar aí!'”

    Seydoux acrescentou: "Claro que às vezes era meio humilhante, eu estava me sentindo como uma prostituta. Claro, ele usa isso às vezes. Ele estava usando três câmeras, e quando você tem que fingir seu orgasmo por seis horas... Não digo que não foi nada.”

    “Demorou um ano da minha vida e dei tudo por esse filme”, disse Seydoux. “Isso realmente mudou minha vida em muitos níveis diferentes.”

    Depois de participar de grandes filmes como 007: Sem Tempo Para Morrer, a atriz agora retorna para Cannes com Crimes of the Future, em que estrela ao lado de Kristen Stewart e Viggo Mortensen.

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