Minha conta
    Os melhores filmes brasileiros para você assistir na Netflix hoje
    Por Barbara Demerov — 10 de mar. de 2021 às 17:16

    Grandes filmes no catálogo para valorizar o nosso cinema.

    Que o cinema nacional sempre deu orgulho aos cinéfilos brasileiros, isso já não era segredo... Afinal, já vimos Fernanda Montenegro ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz e o diretor Fernando Meirelles também, por exemplo.

    5 filmes brasileiros que mereciam ser indicados ao Oscar

    Mas outro fato marcante é que a Sétima Arte do nosso país está sendo cada vez mais reconhecida mundo afora, pois há cada vez mais produções de diferentes estilos e gêneros sendo apresentada para nós. E, em um período em que o streaming está cada vez mais forte, resolvemos criar uma lista repleta de longas-metragens brasileiros disponíveis na Netflix.

    De comédias românticas a dramas existenciais, confira abaixo a lista especial de produções que dão tanto orgulho:

    Temporada

    "Retomando a sensibilidade ímpar demonstrada em Ela Volta na Quinta (2014) e em diversos curtas-metragens, o diretor e a produtora Filme de Plástico voltam a observar o cotidiano da classe média sem miserabilismo nem idealização. As pessoas têm trabalhos mal pagos e pouco gratificantes ("mas pelo menos é concursado”), dividem o cachorro-quente com o cachorro faminto na rua, exibem aos colegas a foto do namorado sem camisa, enrolam no serviço quando já atingiram a meta diária. Temporada adota um olhar igualmente generoso aos espaços urbanos. Para o diretor, as ruas dos bairros, os muros descascados, os tetos das casas com suas caixas d’água e as ruas sinuosas dos locais mal iluminados, tudo isso é paisagem, tudo é belo e digno de ser retratado no cinema."

    Como Nossos Pais

    A diretora Laís Bodanzky possui um estilo único dentro do cinema brasileiro. Sua cartilha de mise en scène é simples em Como Nossos Pais: planos de conjunto para filmar vários personagens, close-ups nos rostos, luz natural, pequenos diálogos a dois ou a três para conduzir a trama. Não existem grandes reviravoltas nem metáforas mirabolantes. Ao mesmo tempo, estamos distantes do registro documental da câmera na mão, livre, seguindo personagens como se não conhecesse o destino deles. Toda escolha de imagem possui um propósito, de uma transparência impressionante.

    Oscar 2021: Saiba quem são os brasileiros que votam na premiação

    O Silêncio do Céu

    O Silêncio do Céu tem tons surpreendentes e sombrios. Nenhum outro momento iguala o impacto da cena inicial – ainda bem – mas todos os instantes de silêncio carregam este segredo perturbador. O fator mais interessante da premissa é ver o trauma contado pelo ponto de vista do marido, e não da esposa agredida. Ela, estoica, finge que nada aconteceu - é Diana, inclusive, que pergunta ao marido se ele está bem quando os dois se falam ao telefone – enquanto ele começa a remoer a culpa por sua passividade e pela incompreensão ao sigilo da esposa. Aos poucos, a incomunicabilidade evidencia conflitos mais antigos do casal.

    Ponte Aérea

    À primeira vista, Ponte Aérea pode passar a impressão de que generaliza paulistas e cariocas pela forma como são os ambientes tanto de Amanda quanto de Bruno. Mas, mais do que ressaltar estereótipos, o longa quer explorá-los de forma a servir à esta história de amor. Aos poucos se desenvolve uma trama que passa pelo amadurecimento tardio do homem em relação à mulher e ao próprio medo de crescer, quando as obrigações da vida adulta arrombam a porta sem pedir licença para entrar. Ainda assim, são várias as referências a cada cidade, desde elementos paisagísticos até a dicotomia vida apressada/aproveitar a vida, que proporcionam momentos leves e divertidos.

    O Animal Cordial

    Uma ótima opção para quem gosta de filmes tensos e cheios de suspense. O Animal Cordial cumpre a missão com honras desde seu argumento potente: diante de mais um ataque de ladrões ao restaurante em que trabalha, o pacato porém aborrecido gerente de um restaurante tomará uma ação drástica que encerrará oito personagens em conflito dentro do estabelecimento durante toda a trama.

    Cidade Pássaro

    Cidade Pássaro possui como uma de suas maiores qualidades seu elenco, que é fundamental para a submersão dentro do universo particular que é a cidade de São Paulo. Cidade esta que, aqui, é observada pelo diretor com um olhar sincero, sem maquiagens para torná-la o que ela não é de fato. O espectador que conhece este lado da grande metrópole entenderá isso e, definitivamente, sentirá a potência desta história que exprime tão bem a ideia de que cada um, por si só, é um estrangeiro à sua maneira.

    M-8 - Quando a Morte Socorre a Vida

    M8 - Quando a Morte Socorre a Vida é um retrato poderoso de um estado falho e das políticas públicas que não escondem o preconceito. O grafite de Marielle Franco em um muro pelo qual Maurício passa todos os dias é algo que está ali para propositalmente incomodar, para não deixar o público se esquecer do seu lugar, de seu assassinato. Para deixar claro que o M8 são os milhares de jovens da favela que desaparecem e são mortos todos os dias sem que ninguém jamais saiba de seus destinos.

    Aquarius

    Mais do que simplesmente criar opostos, Aquarius trata o valor da memória através da compreensão do que é antigo, sem que seja necessário descartar o novo. Tal imagem está representada na própria protagonista, escolhida a dedo. Estrela maior do cinema brasileiro nos anos 1980, Sonia Braga andava meio sumida. Seu resgate é não apenas uma imensa homenagem a tudo que fez pelo cinema nacional como também uma quebra de expectativa em relação ao que representou como símbolo sexual, potencializando o próprio conceito explorado pelo longa-metragem. Só que Sonia não se contenta apenas com este simbolismo automático e entrega uma das maiores atuações de sua carreira, fruto de uma complexidade emocional e ética impressionantes.

    Democracia em Vertigem

    A principal voz do filme é a da diretora Petra Costa, que não apenas enumera fatos e organiza as imagens, mas também interpela o espectador. O filme se abre com a constatação melancólica de que o sonho de uma revolução política jamais aconteceu, e se fecha com outra indagação, igualmente crepuscular, a respeito de nossa dificuldade em encontrar forças para lutar contra vozes antidemocráticas. Ao longo da projeção, Costa insere leituras poéticas ("Ele é um escultor cujo material é a argila humana", afirma sobre Lula), revela sua presença diante das câmeras, mostra entrevistas bem-sucedidas ou falhas, e termina por se confiar ao espectador: "Eu não sei como isso deve ser contado". O recurso retórico serve ao menos para expressar proximidade, um tom de conversa de igual para igual, ao invés de se colocar acima do espectador, como se lhe ensinasse uma lição.

    facebook Tweet
    Pela web
    Comentários
    Mostrar comentários
    Back to Top