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    Bixa Travesty: Diretores falam sobre como a ideia do filme nasceu ao conhecerem Linn da Quebrada (Entrevista exclusiva)
    Por Barbara Demerov — 23 de nov. de 2019 às 11:00

    Documentário foi apresentado no Festival de Berlim em 2018 e está em cartaz nos cinemas brasileiros.

    A fim de falarem sobre transgeneridade sob um olhar diferenciado, os diretores Claudia PriscillaKiko Goifman encontraram na cantora Linn da Quebrada e em Bixa Travesty a oportunidade de fazer um filme que mescla o documental com o ficcional e que já possuía uma criação coletiva desde a concepção do roteiro.

    O AdoroCinema conversou com a dupla de diretores sobre o que a obra representa nos dias atuais, a passagem pelo Festival de Berlim e eventual estreia no Brasil, assim como a principal mensagem que a narrativa sobre corpo e aceitação traz. Confira a entrevista completa abaixo!

    AC: Após passar pelo Festival de Berlim, de Brasília e já ter gerado discussão pelo mundo, como vocês esperam que será a repercussão aqui no Brasil?

    Estamos ansiosos com o lançamento no Brasil. É no espaço entre a tela e o público que o filme existe e pode ser entendido de formas diversas. Lançar Bixa Travesty num momento de tencionamento e cerceamento de liberdade, é um ato politico. O filme trata de corpos travestis e são corpos como esse que o governo quer silenciar. Queremos que esses corpos ocupem as salas de cinema, mas acreditamos que o nosso publico é amplo, quando falamos sobre corpos trans não estamos mais falando para um grupo específico, para um gueto, esse é um assunto que deve ser debatido por toda a sociedade. São esses corpos trans, não binários, travestis, que, ao ocuparem espaços, colocam em dúvida a “naturalização” dos corpos normativos. 

    AC: Como a ideia do filme foi concebida? 

    Conhecemos a Linn em 2015 durante uma pesquisa sobre coletivos de arte que se apropriavam das ruas para discutir gênero. Na época Linn fazia parte do Coletive Friccional. A partir daí começamos a acompanhar sua vida através das redes sociais e encontros ocasionais. A decisão de fazer um filme veio quando nos deparamos com a “cantora” Linn da Quebrada, num show no centro de São Paulo. Percebemos que estávamos diante de uma artista contemporânea, que trata de assuntos atuais de uma forma original. Uma artista que usa o próprio corpo como arte. A ideia do filme nasce do encontro com a Linn da Quebrada.

    AC: Linn da Quebrada sempre foi o foco da narrativa enquanto personagem? Vocês já a conheciam?

    Sim! A ideia do filme foi se concretizando a cada novo contato com a Linn. Decidimos fazer um filme pautado na ideia de liberdade de comportamento e do corpo que a Linn traz. O discurso em forma de corpo foi nos atraindo, fomos entendendo que Linn e outras ativistas trans colocam em dúvida o que até aqui foi encarado como natural. Linn constrói um corpo que extrapola limites do que foi definido como masculino e feminino.

    AC: O filme possui tons documentais e ficcionais. Como vocês chegaram a este caminho?

    Propusemos uma criação coletiva, um trabalho horizontal de trocas de ideias e conceitos. Convidamos a Linn para estar ativa criativamente no filme para que ela pudesse escolher como seria “retratada” numa narrativa fílmica. Juntxs, escrevemos um roteiro que atravessa as bordas do cinema documental, utilizando elementos ficcionais para o filme. Fizemos muitos encontros para discutir ideias que foram surgindo e conseguimos abraçar e seguir com muitas delas. Queríamos criar nesse território pantanoso, onde o documentário e a ficção se entrelaçam.

    AC: No atual cenário político do país, o que este filme representa para vocês enquanto indivíduos? A estreia dele vem num momento delicado para o cinema e a cultura brasileira.

    Existe uma onda conservadora e moralista no Brasil. São evidentes alguns desejos de retrocessos. Falar desse tema hoje é urgente, estamos diante da luta por direitos de pessoas que sofrem violências simbólicas e físicas diariamente. O Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo. Bixa Travesty é um filme sobre esses corpos que, para muitos, inclusive para o Presidente, não deveriam ocupar espaços públicos. Bixa Travesty é um grito de liberdade contra tudo que oprime, que tenta reduzir os entendimentos dos corpos à ideia heterocisnormativa e contra tudo que violenta os direitos humanos. É um grito contra o governo de extrema direita.

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    Comentários
    • Melficeee
      Mais dinheiro público jogado no lixo.
    • Carmmando Alves
      E como vai dar prejuizo pode ter certeza que vão bater na porta da Rouant pedir dinheiro como aconteceu com o filme do Wagner Moura tem obras que a população e nem o publico tem interesse em ver se tivessem eles mesmo bancariam.
    • Carmmando Alves
      não acredito que financiei esta porcaria da qual eu não iria nunca assistir mas mesmo assim eu paguei por ela !!! ta que o pariu !!!!
    • Jared Silva
      Misericórdia...
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