Elena Anaya, atriz quatro vezes indicada ao Goya e vencedora do prêmio por seu trabalho em A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar, em 2011, desenvolveu a maior parte de sua carreira artística na Espanha, mas também teve várias experiências em Hollywood ao longo das últimas duas décadas.
A primeira delas foi em 2004, quando fez parte do elenco de Van Helsing sob a direção de Stephen Sommers e filmou ao lado de Hugh Jackman e Kate Beckinsale, entre outros. Depois viriam outras, como o drama Eu e as Mulheres em 2005, o filme de super-heróis Mulher-Maravilha em 2017, e o filme de Woody Allen, O Festival do Amor em 2020, seu último filme até o momento.
Elena Anaya não teve uma boa experiência com Woody Allen
Após o trabalho com o famoso e não pouco polêmico cineasta, Elena Anaya reconheceu que não gostou especialmente de trabalhar com Woody Allen. Embora sempre tenha se mostrado grata pela oportunidade, também explicou em várias ocasiões que a experiência foi difícil. "Foi muito difícil para mim trabalhar com Woody Allen", afirmou em 2024 aos microfones da rádio La Ser.
"Talvez porque não tivéssemos nos encontrado mais do que um minuto num dia em que ele veio a uma prova de figurino. Ele me cumprimentou, foi encantador. Mas depois chegamos às filmagens e não fluiu… Ele não gostava muito do que eu propunha", contou. "E ele dizia: 'Improvisa', e eu respondia: 'Ah, improvisar é complicado'. Em um idioma com sotaque e um roteiro do Woody Allen, que era todo meticulosamente elaborado. As falas dele soam ótimas, não só porque são bem escritas, mas também porque são bem interpretadas — porque é Woody Allen —, mas foi difícil para mim."
Wildside Media / The MediaPro Studio / Gravier Productions
"Eu sou uma atriz que gosta de preparar muito bem os projetos, gosto de levar meu tempo e fazer o trabalho de laboratório, de casa, e me encontrar com minha própria frustração e com a dificuldade e ali crescer", continuou explicando sobre seus métodos e como não conseguiu se sentir confortável naquela filmagem. "E nem tudo pode ser feito diante de uma câmera, com um horário a cumprir e com um senhor que, além disso, quer ir para casa quatro horas mais cedo".
Anos antes, por ocasião do lançamento do filme, Elena Anaya já havia falado de sua experiência à mídia e, embora na época não o expressasse com tanta clareza, já deixava claro que Woody Allen podia ser uma pessoa difícil se você não o conhecesse. "Acho que ele é um dos melhores e mais requintados cineastas da história. Ainda não acredito muito que pude fazer um filme com ele", disse à RTVE em 2020.
"É absolutamente exigente"
"Ele não perde tempo conversando. Te envia um roteiro tão bem escrito que não dá margem para você duvidar de quem você é, do que acontece com você, do que sente e do que atravessa. Como você vai prepará-lo é problema seu. E se ele vai gostar é uma surpresa que você descobre no primeiro dia de filmagem. Confia? Acho que sim, ele confia, mas é absolutamente exigente com o que vê no monitor. [...] Ele tem olhos que parecem raios-X. Se quisesse repetir, dizia: 'Mude, faça direito'". Sobre ele ser muito rápido filmando, Anaya confirmou, mas pontuando que apenas se tivesse conseguido a tomada que buscava: "Sempre consegue duas tomadas boas. Se a primeira e a segunda forem boas, não precisa fazer mais. Se não gostar e precisar fazer 47, ele faz. Eu te garanto".
"Ele tem muito sarcasmo, muita ironia", comentou sobre o jeito dele ser. "Tanta que às vezes te deixava perplexa, mas é a forma dele falar. Não tem delicadeza quando te diz: 'o que você acabou de fazer é absolutamente terrível'".
Wildside Media / The MediaPro Studio / Gravier Productions
Ambientado no Festival de Cinema de San Sebastián, o filme começa com a visita do casal Rifkin ao famoso evento cinematográfico espanhol. Sue (Gina Gershon), que é publicitária, vai a trabalho, enquanto seu marido, Mort, que adora cinema, vê ali uma excelente oportunidade para comparecer e aproveitar para avançar com seu romance. Além disso, Mort também está preocupado com o fascínio que sua esposa demonstra por seu cliente, um diretor de cinema chamado Philippe (Louis Garrel), e teme que seja algo mais do que profissional.
Uma vez no festival, o filme de Philippe não para de receber elogios, mas Mort tem uma opinião muito diferente, o que tensiona ainda mais o seu já frágil relacionamento. Por sorte, ele encontra apoio na Dra. Jo Rojas (Elena Anaya), com quem tem uma conexão especial e que também sofre em seu casamento com o impulsivo pintor Paco (Sergi López). Como resultado, Sue passa os dias seguintes com seu cliente Philippe, enquanto a relação entre Mort e Jo se torna ainda mais estreita.